quarta-feira, 13 de julho de 2011

Que? Não te entendo

Tem aquele que não sabe e não sabe que não sabe
Tem aquele que não sabe e pensa que sabe
Tem aquele que sabe e não sabe que sabe
Tem aquele que sabe e sabe que sabe, siga-o. Mas...

É difícil encontrá-lo, pois, talvez, ainda nem ele tenha se encontrado (risos).
Estamos numa época aqui no Brasil onde a confusão mental está generalizada.
Dizem que para retardar um país, basta confundir seu idioma. Parece mesmo que este nosso país está nessa condição. A juventude usa um linguajar que os mais velhos não entendem. Por outro lado, se os mais velhos escrevem um texto conforme a gramática de suas juventudes, os jovens deste tempo não entendem. Que balbúrdia! Sabemos, já há algum tempo que esse retardar vem acontecendo, pois, alguns asnos no poder contribuíram para isso. Conscientes ou inconscientes são inimigos públicos. Infelizmente, o povo esteve muito atarefado para perceber isso. Sim, com tantas tarefas árduas e extenuantes como tagarelar pelas ruas com telefone celular, não perder um dia de trabalho de assistir novela, Big Brother, Fazenda, acompanhar o campeonato de futebol e agora com horas extras para o futebol de mulheres e com o futebol dos subvinte, subtrinta, sobquarenta e também aquele puta sacrifício de tomar cerveja. Corridas de carro, vôlei, basquete e ainda ter que resolver os crimes demorados como foi o da menina que foi jogada pela janela do apartamento. O consumo e as filas de banco, clube de velhos que trabalham com a distração de moços, a preocupação de não faltar Viagra, filas para as tetas e bundas com silicone, meditar muito para escolher políticos decentes e outras coisas mais. Com tanto trabalho assim, como alguém poderia ter tempo para perceber algo errado com a instrução escolar? Agora pensando bem, isso de escola, de instrução é tudo besteira. Ninguém precisa disso. Somos autodidatas. Até falamos bem o inglês. Word, upgrade, downloads, link, retorned, Outlook Express, Orkut, Messenger, chat, blogger, media player, speedy, foxit reader, skay, e etc. Isso veio pra enriquecer o idioma português e já poderia estar no nosso dicionário. Entretanto, convenhamos, aquele que nada sabe e não sabe que nada sabe é muito feliz. Aquele que sabe e sabe que sabe, coitado, devia morrer pra não ficar por aqui enchendo o saco de quem não sabe.

Altino Olimpio

Preferências

Na sua imensidão, na expansão de suas galáxias e infinitas estrelas, o universo está a ser o que é sem sabermos por que e pra que ele é. Ele não identifica ou qualifica particularidades onde possa ter preferências por elas. Nada lhe é exclusivo. Para o universo o todo é o tudo. A preferência, até onde sabemos, ela é uma aptidão humana. Para a preferência existir na vastidão teria que haver à parte ou, inserido e destacado nela, um ser racional com igual aptidão de preferência. Contudo, não haveria como definir tal ser na vastidão. Para tanto, tal ser teria que estar ao alcance de nossa consciência. Não estando não nos existe, mesmo que possa existir. Mas, aqui no planeta terra, os seres humanos acreditam ser a preferência do “inventor” do universo. Interessante isso. Se não se consegue abarcar, enquadrar, circunscrever, definir conscientemente e igualmente tal inventor, como os humanos conseguem captar essa preferência dele por nós? Aqui me vem o dizer do Rei Salomão: Vaidade, vaidade das vaidades. Seres humanos... Pobres criaturas. Envolvidas com suas múltiplas preferências em seus modos de existir pensam que o existir delas seja também a preferência de um poder sobrehumano, mesmo que, não consigam distingui-lo. Nas catástrofes quando são ceifadas muitas vidas, inclusive de crianças, “anjos” ainda, é “perceptível” a existência da invisível preferência “protetora” por essas vidas. “Homem, o eterno desconhecido de si mesmo”. Ele, desde tempos remotos esteve e ainda está com seu teodolito espacial a fazer medições topográficas para o perímetro do céu, lugar este no universo onde se “calcula” estar à atenção e a preferência por nós. Trabalho este a ser conferido apenas por aqueles que por aqui morrem. Quem continua por aqui vivendo, poderia, de preferência, refletir sobre o que não se consegue refletir. Isso esclareceria tudo o que o ser humano gostaria de saber. Aliás, muitos já estão incorporados nessa reflexão.

Altino Olimpio

domingo, 3 de julho de 2011

Instinto institucional

Conforme as Escrituras mais antigas, a humanidade começou quando havia um homem no paraíso. Vivia só e por tanto “se virar” sozinho ele estava fraco. Condoendo-se dele e através de sua costela o Criador criou-lhe uma companheira. Sim, uma mulher. Parece que alguns não entenderam... Pra companheira do homem foi criada uma mulher, mulher... MULHEEEEEERR. Quanto ao homem, ele foi criado do barro? Não poderia ser criada também do barro a mulher ao invés de o ser por uma costela? Bem, isso é pra judeus responderem, pois, sendo deles, o Velho Testamento é anterior ao cristianismo. Como consta nele, houve a queda do casal do paraíso e o casal se multiplicou. No início disso, ainda com poucos habitantes no mundo pode-se pensar que entre consanguínios o incesto esteve atuante para promover a multiplicação. Depois, com o planeta povoado, por inspiração divina os homens confeccionaram um livro que veio a ser sagrado como regras de condutas humanas. Num dos trechos do livro encontra-se esta frase: Maldito seja o homem que se deitar com outro homem. Hoje, o “nada se sustenta” está a contrariar essa crença. Isso é notório numa parcela da sociedade que separa as leis divinas das leis terrenas. Temos notícias de homens amasiados com homens e mulheres amasiadas com mulheres. Isso é certo ou errado? Tem uma explicação dada por alguns entendidos. Segundo eles, para evitar a superpopulação, a natureza tem seus meios próprios de equilíbrio ecológico. Através deles promove a incidência de seres indesejáveis ao sexo oposto e assim diminui a reprodução da espécie humana. Verdade ou mentira? Isso é indiferente para aqueles cujos instintos “falam” mais alto do que a razão. O instinto distinto da razão esteve a ganhar supremacia sobre a moralidade que combatia contra ele. Estabelecido como mais preponderante que a emoção e a razão, o instinto esteve a “disciplinar” a conduta de muitos. Contrariedades existem naqueles de uma geração antiga, condicionados que foram a abafar os excessos dos instintos para assistirem agora a exaltação pública deles. Confusa entre o certo e o errado, perplexa ou não, a humanidade mais está sob o jugo do sensualismo e este é um dos “pratos preferidos” das divulgações a que ela está exposta. Disso redunda maior facilidade para qualquer um expor suas tendências amorosas. O “ele com ele” e o “ela com ela”, agora, amparados por lei podem alterar o velho conceito do que seja uma família, ou, outro conceito poderá ser criado para essa “modernidade” a duvidar da totalidade da lei dos opostos que se atraem.

Altino Olimpio

Jardim dos pedreiros

Este relato não é para os jovens de hoje. É uma história do passado e eles nada sabem sobre ela. Aliás, hoje não mais se incluem como parte de histórias como antigamente. Os idosos, aqueles ainda vivendo por aqui em Caieiras --agora são poucos (risos)-- vão se lembrar desta história. Era uma vez... (assim era o início do relato de uma história lá no passado). Então... Era uma vez, lá no Bairro da Fábrica, um ser grandalhão com sua carroça prestava seus serviços à Indústria Melhoramentos. Seu nome ou apelido era Jardim. Talvez tenha sido o mais trabalhador daqueles tempos idos. Nunca perdeu um dia de trabalho. Nunca gozou de férias. Nunca reclamou para ser promovido. Nunca reclamou por aumento de salário. Depois do fim do expediente às dezessete horas ele ficava esquecido na solidão por não ter uma companheira e sendo assim nem visitas recebia. Jardim era um ser claro de olhos grandes. Seus olhos transmitiam uma pureza e docilidade nunca vistas num ser humano. Às vezes se pressentia em seu olhar uma tristeza tão profunda como a de alguém inconformado com o seu destino. O trabalho do Jardim com sua carroça era transportar material de construção para as obras da Indústria local onde Valentim Cavalette, Luiz Carioca, os irmãos Joaquim e Sebastião Albino, o Pedrão, o João Chiati e outros eram os pedreiros. Sempre em silêncio, cabisbaixo, o Jardim às vezes levantava a cabeça. Ao olhar ao redor parecia dar a entender que era “consciente” da sua situação tão solitária. Parecia ser uma tristeza de viver sem ser notado. Mas não, até envelhecer o Jardim foi parte integrante da natureza daquele lugar, de todas aquelas ruas de chão batido, das matas adjacentes e daquelas vilas com gente simples. Como e quando o Jardim morreu? Isso eu não soube. O Jardim, “personagem” desta recordação foi um cavalo claro a se misturar nas paisagens daqueles tempos nostálgicos que não voltam mais. Pela memória ainda dá para vê-lo sempre puxando a carroça e passando pelo “pau de amarrá égua”, pelo armazém, pela escola, pela ponte de madeira e por outros recantos daquele lugar agora despovoado.

Altino Olimpio

Ficção Equina

--Aiô Silver vamos galopar e conversar?
--Aiô Prateado, vamos sim galopar e conversar.
Pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá.
--Hei Silver você acha que existe cavalo mais inteligente que nós?
--Claro que existe. Tem os cavalos de corrida que são mais inteligentes. Vivem numa boa, tomam mais banho, comem melhor, são escovados e estão sempre bonitos. São mais queridos pelos homens.
Pactá, pactá... --Veja Prateado, um conhecido chegando, diminua o galope.
--Aiô!Boa-tarde Silver. Soube que você deixou minha égua e meus potrinhos se alimentarem no teu pasto. Quanto lhe devo?
-- Ora, ora, amigo Diamante Negro, não me deves nada.
-- Silver você tem bom coração. Que deus cavalo lhe pague. Tchau.
--Silver, os homens também tem Deus?
--Sim Prateado, mas, não parece, né? Se matam entre si, brigam, roubam. Entre nós, cavalo rouba cavalo? Cavalo mata cavalo? Não, né?
--Falando dos homens, eles nos escravizaram e...
--Sei disso Prateado, mas, eles vão se ferrá, deus cavalo vê tudo. Se você conversar com um cavalo filósofo ou um cavalo guru, ele te explica melhor.
Pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá.
--Puxa-vida Silver existe cavalo assim evoluído?
--Claro Prateado! Têm cavalos que são iniciados nas sociedades secretas de cavalos. Lá aprendem a levitar, a fazer projeção astral, telepatia, ler pensamento de cavalo, auto-curas, relinchar mantras e etc.
--Viu Silver falam que cavalos reencarnam, isso é verdade?
--Orra meu! Claro que reencarnamos. Pensa você que isso é só para os homens que se imaginam os únicos a ter esse direito? Temos que reencarnar para atingir a perfeição. Só um cavalo já perfeito é que não reencarna mais. Olha, que surpresa. Quanto capim para nós.
--Mas Silver podem estar com agrotóxico, é perigoso para comer.
--Que nada! Os homens só envenenam as plantas deles. A nossa, não. Vamos lá, quem chegar por último é tonto. Pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá.

Altino Olimpio