sábado, 31 de dezembro de 2011

Lembrando os velhos anos novos

Neste país, Brasil, no Estado de São Paulo existiu um lugar pacato chamado Caieiras onde uma fábrica de papel tinha ao seu redor as moradias para seus funcionários. As moradias eram boas, embora, não luxuosas. Eram simples como o povo de lá. Tinham suas cercas e portões mesmo nas suas desnecessidades. Pelas janelas escancaradas, os moradores e os transeuntes, conhecidos, amigos e parentes, se viam e se cumprimentavam. Automóveis ainda eram raros, então, não havia tanto distanciamento das pessoas. O sempre se locomover a pé propiciava a alegria do encontro entre as pessoas, suas paradas para uma conversa agradável e assim, os laços de amizade eram fortalecidos. Daquele lugar onde todas as pessoas se viam e se conversavam ficou também uma das lembranças mais saudosas. Sim, os bailes de fim de ano, os “Bailes de Réveillon”. Era uma obrigatoriedade promovida pelos três clubes locais, o Clube Recreativo Melhoramentos, o União Recreativo Melhoramentos de São Paulo e o Brasil Futebol Clube. O caminhar até um dos clubes já era uma sensação ao ver outros no mesmo trajeto para participarem da mesma confraternização. Com início as vinte e uma ou vinte e duas horas, o baile se iniciava romântico, enfeitado que era pelo teto do salão colorido com tiras de papel crepom. Todos pareciam estar num estado paradisíaco como a pensar que a vida, que o mundo era aquilo, uma dança das mais significativas emoções humanas no amistoso entrelaçamento entre todos. Suas fisionomias alegres transmitiam isso. À meia-noite era o apagar das luzes anunciando a morte de um ano e o nascimento de outro. Reascendiam as luzes e a orquestra sonorizava “Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realiza no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender...” enquanto os pares a dançar paravam, se abraçavam, trocavam desejos para um próspero ano novo e depois essa afabilidade era repetida entre todos os presentes no salão e também entre os das imediações que estavam a assistir o baile. Boleros, valsas, rumbas, sambas e mambos eram muito apreciáveis outrora. Nas músicas lentas o dançar de rosto colado era motivo de comentários e dava pra desconfiar de quem gostava de quem. Por causa disso, algumas moças até sofreram beliscões de suas mães “envergonhadas” com essa prevaricação das filhas (risos). Quando o baile terminava lá pelas quatro horas da madrugada, na volta para suas casas parecia que todos ficavam andando pelas nuvens, sentindo-se felizes com a vida. Por um trecho do trajeto de volta, todos caminhavam próximos até o desencontro onde cada qual seguia pelo rumo de suas vilas. Às vezes a neblina que parecia materializar o silêncio noturno se revolvia como a achar graça pelos comentários sobre o baile. Alguns preferiam permanecer calados, inclusive, porque a fisionomia daquela moça, seu perfume, seus olhos, sua voz, suas mãos delicadas, seu sorriso, seu rosto de pele macia e lisa a “sem querer” esbarrar e escorregar pelo meu no dançar, não, nada disso poderia se desvanecer, tudo teria que permanecer, pelo menos, até ao adormecer. Os bailes pareciam ser mesmo um marco da despedida de um ano que se passou e as boas vindas para o ano sequente. Mas, ininterrupta, a dança do tempo com suas transformações, infelizes às vezes, ocasionou o desaparecimento daquele lugar e o mesmo fez com a maioria de sua boa gente daquele viver tranquilo, amigável e solidário. Nesta época os anos parecem ser apenas de “hojes” simultâneos não mais nos tendo o mesmo sentimento pelos seus fins e começos. Agora o “réveillon” é um bailado no ritmo da solidão a nos lembrar como mudamos e às vezes até nos tornamos indispostos perante outros nessas “passagens de ano”. Entende-se porque muitos preferem se isolar.

Altino Olimpio

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Os desinformados se formam

A realização dos pais é terem seus filhos formados numa profissão rendosa. Não medem esforços para tê-los na faculdade. Nela eles se formam engenheiros, economistas, advogados, médicos, dentistas e etc. Pais e filhos, como são ingênuos. Que perda de tempo. Quanto gasto. Quanto sacrifício. Que sofrimento. Nesta semana numa conversa telefônica com um amigo psicólogo fiquei sabendo que uma sobrinha dele está faturando quatro mil reais semanais. O amigo até acrescentou: Ela ganha mais que psicólogo. De fato, ela soube escolher sua profissão. Não é daquela profissão só a esperar que os tapados invistam seus dinheiros. Ela é “taróloga”, sim, ela lê as cartas do tarô e assim descobre o azar ou sorte das pessoas. Pelas cartas do tarô ela também deve orientar o proceder das pessoas para elas resolverem seus problemas. Isso sim é que é profissão. É disso que o Brasil precisa para evoluir seu povo. Pessoas que frequentam cartomantes estão na vanguarda do progresso mental. Conversar com elas, então, equivale há anos de estudo numa universidade. Em época de eleições, se os candidatos fossem questionados nas e pelas tarólogas, nenhum desonesto seria eleito. Elas nunca erram. Examinando as cartas conforme desembaralhadas para qualquer consulente, as tarólogas têm um dom místico ou esotérico para ler no astral, ou, no plano espiritual, todo o histórico da consulente, seu destino e etc. então, tudo é para acreditar. É raro alguém sair descontente de uma consulta dessas. É mais empolgante que os programas de televisão dos fins de semana. Pais e filhos acordem para o sucesso de suas vidas. As abstrações são mais eficazes e mais rendosas (risos). Mais rico é quem mais possui abstrações e, além disso, as conversas com quem as possui é muito mais agradável e proveitosa.

Altino Olimpio

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Gataiada

--Miau, miau, miau.
--Miau... Que foi Lili?
--Que foi? Minha dona resolveu me capar. Aquela f... ... Agora não fico mais “naqueles dias” e até perdi o cheiro que atrai os gatos.
--Você também? Minha dona também me capou. Fiquei impotente. Agora tenho vergonha de sair na rua porque gatas e gatos riem de mim.
--Às vezes ouço minha dona falar que depois de capada eu engordei e fiquei mais bonita. Que me adianta isso se não sou mais engatinhada pelos gatos?
--Que coisa não? Eu também engordei, fiquei mais bonito, mas, as gatas esfregam o rabo no meu focinho e eu disfarço miando que vou ser gato padre e por isso sou celibatário.
--Cara de pau minha dona. Ela não é capada. Toma comprimido e até tem um que se chama pílula do dia seguinte.
--São mesmo uns caras de pau. Minha dona faz amor com o marido na minha frente. Eu sempre vejo porque fico na mesma cama olhando pra eles. Ela não se dá bem com comprimidos, então, pede pra ele usar camisinha e isso para os gatos eles não fabricam. Só eles é que querem gozar, fazer sexo seguro.
--Camisinha? Seria uma boa se existisse para nós. Mas, comprimido já existe. Parece que se toma um a cada seis meses, se estou certa.
--Estou sabendo, mas, dizem que dá câncer.
--Oh louco! Mas viu, vida de gato é triste, não? Os humanos não querem que façamos a coisa mais gostosa que existe na vida que é transar. Tomara que o nosso Deus, o Deus Gato os castigue.
--Mia pra mim Lili, você ainda sente vontade?
--Não, perdi a vontade e você?
--Perdi também. Às vezes olho pra uma peluda e me dá vontade de chorar.
--Que coisa não? Só nos restou comer ração, fazer cocô e dormir.
--Não Lili. O que fizeram conosco pode ter sido pro nosso bem. Como agora não mais somos escravos do sexo para nos atrapalhar, podemos animalmente evoluir. Pertenço a uma sociedade esotérica onde se aprende a meditar, miar sons vocálicos (mantras), concentrar-se no centro da cabeça e outras práticas para se atingir um estado superior de gatoconsciência igual ao atingido pelos gatos do Egito lá nas pirâmides do Gatofaraó.
--Verdade? Gostaria muito de pertencer a essa sociedade. Paga-se pra isso?
--Claro! Mensalmente e você terá umas palavras de passe e sinais para se fazer conhecer por algum outro irmão da sociedade. Olha se estou te convidando é porque você já é uma escolhida.
--Legal. Interessei-me sim. Agora preciso ir para dentro de casa.
--Pode ir. Gostaria que você fosse miando com o rabo levantado.
--Ora, ora por quê?
--Ah esquece, essas coisas não mais me atraem.
--Miau... Miau... Miau... Tchaumiauuuuuuuuuuuuuuuuuuu
--Tchaumiauuuuuuuu... Mau... Miau... Miau...

Altino Olimpio

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Gente que só irrita

“Falando” de velho pra velho a “coisa” está ruim. Haja paciência pra aguentar pessoas grudadas no sistema “educológico” da nação. Já tem gente aconselhando para, no falar ou escrever, o não se utilizar do vocábulo “velho”, porque é feio e agora é ofensivo. Essa gentinha tonta, ao invés de fazer cocô deveria “evacuar” para essa felicidade diária ficar mais poética e romântica. Na ancianidade (pra não dizer “velhonidade”) a ranzinzanidade dessa época fica sendo uma espécie de defesa. Ela torna as pessoas mais autênticas pouco importando se são ou não criticadas por isso. Elas são como são porque ninguém mais serve de interesse para favorecer alguma conveniência. Em alguns ela se torna inexistente com o avançar da idade e sem ela, pessoas que lhes eram interessantes e importantes deixam de ser, daí a desnecessidade de aturá-las, pois, diante delas fica fácil exclamar: Parem, chega, não estou a fim de ouvir essas cretinices que estão cotidianamente a emocionar os imbecilizados. Entretanto, a conveniência é funcional para quem está desperto para a obtenção de vantagens, embora, perceber ela nas pessoas, isso, provoque náuseas. Sabe-se que nos meios políticos a conveniência é muito amada e até é tida como a verdadeira religião. Em família ela também tem seu destaque. Muitas pessoas existem a suportar desaforos, ofensas e humilhações porque a conveniência lhe sussurra “calma, não reaja, não discuta, não brigue senão depois você não terá sexo para se satisfazer”. Quem se sujeita a isso em nome da conveniência é tido (a) como sendo uma pessoa boa e compreensiva. Que nada! A pessoa apenas é escrava dos instintos e por isso atura desacatos. Quem consegue viver sem ter conveniência (essa prostituta tão cobiçada) não tem a falsidade e a infelicidade de necessitar dos favores humanos, às vezes tão mundanos. Muitos relacionamentos entre as pessoas são por conveniência até se transformarem em inconveniências e isso não é incomum. Neste mundo de hoje tão perturbado pelo vozerio de tantos ignorantes, esses que tanto irritam com suas conversas fúteis, se não existe conveniência para suportá-los é fácil para quem já esteja na idade da ranzinzanidade desejar e mesmo falar para eles “que se danem”, pois, são mesmo “incuráveis”. Agora pra terminar, fiquei sabendo que um jogador de futebol “lindo de morrer” comprou um iate e está de namoro com uma moça famosa. Não considero conveniência por parte dela e pode ser mesmo um puro amor. Preciso muito saber mais detalhes sobre esse romance. Quem souber, por favor, me informe, senão não vou conseguir dormir. Altino Olimpio

domingo, 6 de novembro de 2011

Persistência no nada saber

Nosso mundo, a terra, quando era despovoado das criaturas humanas se bastava por si mesmo. Nunca precisou e nunca precisará dos seres humanos para existir. Ao contrário, a espécie humana é que precisa do mundo para poder existir. Que criaturas são essas chamadas de homens? Nascem sem querer e sem querer morrem. Enquanto vivem tentam evitar a morte. Pensam que a morte não existe e que depois dela existe uma continuidade para a personalidade ou alma. Esta, invisível, sendo o ser real por dentro de um corpo visível e perecível. Os “entendidos” dessa hipótese estão a ensinar outros que a vida (existência) não se finaliza com a morte do corpo. Sem ele, ela continua existindo em algum lugar. Esse lugar seria o céu, mas, isso é muito vago. Na vastidão (no céu) existiria um lugar específico onde personalidades invisíveis poderiam se instalar? O querer saber o que não está ao alcance humano de saber, dá “azas” a imaginação inventar existências além da constatação humana. O homem, inconformado com o fim de sua vida inventou para substituir seu desespero, a continuidade dela depois da morte. Sobre ele mesmo enquanto vivo quase nada sabe, mas, pensa saber sobre o que está além da vida. Esse enfoque abstrato ao pensar numa existência ou “vida” inorgânica contradiz a realidade. Esta é a vida só se manifestando quando orgânica. Somente assim ela é percebida por todos. A vida como a percebemos é deste mundo. A “vida” a existir que ainda não percebemos é do mundo imaginado pelo homem. Nesse mundo ainda imperceptível (é preciso morrer para percebê-lo), as personalidades invisíveis existindo lá, como dizem, ficam aguardando o dia do Juízo Final quando serão julgadas pelas suas ações aqui na terra. No dizer de outros, tais personalidades ainda reencarnam aqui neste mundo para cumprirem alguma missão definida e para conseguirem a perfeição. Como agora somos sete bilhões de habitantes neste planeta temos sete bilhões de missões a serem cumprida. Mais na África a missão de muitos é nascer e logo depois morrer de fome. A missão do Hitler, do Stálin e de outros líderes carismáticos foi, em parte, despovoar o mundo, pois, este estava muito pesado não mais suportando o peso de tanta gente. As reencarnações talvez estejam em recesso nesta época, porque, ainda não nos deparamos com alguém que tenha evoluído até atingir a perfeição. Parece que todos ainda se encontram na primeira encarnação, daí termos pilantras por todos os lados. Felizmente temos entre nós, muitos pacíficos a viver de hipóteses propostas por outros sobre o propósito da existência ter como consequência no porvir de outra existência, punição ou recompensa. Nada no mundo supera esse apaziguador contágio psicológico das massas para que o mundo invisível idealizado pelos homens seja proficiente em paz e felicidade. E assim caminha a humanidade na persistência do nada saber como um pulo para o alcance do tudo saber. Altino Olimpio

Padre Marcelo e o "desagato"

Então o padre não gosta de um dos filhos de Deus? Publicamente falou que os gatos são traiçoeiros. Coitado, o balé, a vaidade e a Santa Mídia devem mesmo ter-lhe subido à cabeça. Se o acesso ao local fosse proibido aos traiçoeiros, somente os cachorros poderiam ter acesso. Criaturas humanas seriam duvidosas para participar do evento. Mesmo o padre não poderia porque atraiçoou a Deus não gostando dos mais bonitos, brincalhões e dóceis filhos Dele. Sabe-se que as pessoas tidas como “formadoras de opinião” também muitas vezes soltam fezes pela boca e isso neste país não é novidade. Não mais surpreende a ingenuidade ou despreparo de pessoas influentes quando verbalmente manifestam suas idiossincrasias. Um presidente, por exemplo, vociferou sua predileção por um time de futebol. Isso foi uma comprovação de sua falta de ética para com os demais times, mas, o povo parece não ter percebido essa hoje tão “elogiável” aptidão brasileira. O padre seguiu o exemplo, entretanto, ele foi “massacrado” na internet por muitas pessoas inconformadas com o despejo de preconceitos contra os gatos. Ingênuas também, muitas delas querem que o padre se retrate. Pra que essa ilusão? Por acaso palavras (isso o povo adora) vai mudar o que o padre falou e modificar seus sentimentos pelos felinos? Claro que não! Para o padre o culpado de tudo foi o Noé. Por que em sua arca ele salvou do dilúvio um casal de gatos? Para os mais evoluídos, aqueles a pensar que os gatos são do demônio, principalmente os gatos pretos a “atrair coisas ruins” para quem os possui, o padre está correto. Se não fossem do demônio não iriam aparecer em filmes de terror. Resta dizer o seguinte. É impossível viver sendo triste neste mundo. As palhaçadas sempre estão a provocar risos nesses nossos cotidianos e rir é a melhor solução para nós enfrentarmos, se e quando tivermos os dissabores. Altino Olimpio

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Setembro Negro

No onze de setembro de dois mil e um, por ato terrorista foram destruídas as duas torres gêmeas dos Estados Unidos. Cento e quarenta e quatro anos atrás, em 1857, também num dia onze de setembro houve no Estado de Utah (EU) o massacre praticado pelos mórmons de cento e vinte pessoas, incluindo mulheres e crianças. Somente sobraram dezesseis crianças com menos de oito anos de idade, aquelas que logo iriam se esquecer do massacre e nada poderiam revelar sobre o fato tão demoníaco. As vítimas do fanatismo religioso eram migrantes de Arkansas e Missouri com destino à Califórnia. Romanceado, o filme “Setembro Negro” do ano dois mil e seis, como diz seu diretor, ele mais quis realçar as consequências do fanatismo religioso. A história sempre esteve a documentar que um líder carismático pode com muita força levar a maioria a aceitá-lo como um ser especial. Basta aqui citar o Hitler. O mundo sempre conviveu com líderes e liderados. Os segundos, cabeças ocas com espaços férteis para absorver lideranças sempre estão a existir para seguir os propósitos de outros e nunca os próprios. Aliás, os liderados são uma praga para qualquer nação, embora, para qualquer uma delas, eles são a solução (risos). Os liderados se sentem liberados para realçar as qualidades de seus líderes e defender críticas a eles. Fanáticos, é ausente neles o raciocínio para poder estabelecer o real ou irreal, a verdade ou a mentira das exteriorizações eloquentes de seus líderes. Basta eles pronunciarem a palavra “Deus” para serem considerados como sendo bons e autênticos quando, o contrário muitas vezes se fez realçar. Os liderados por idéias inalcançáveis estão cada vez mais sendo a idéia de líderes para alcançá-los nas suas irracionalidades. Isso também se percebe na política. Também os líderes são como ídolos santos. No festival Rock in Rio deste ano de dois mil e onze, ídolos e “idolotizados” foram mesmo conclusivos. A criatura mais inteligente da terra ou de todo o universo sabe que não se lidera e por isso precisa de líderes e ídolos. Os ignorantes, inclusive, vivem sem ter líderes e ídolos. Abandonados não têm a quem seguir. Como devem ser infelizes apenas sendo eles mesmos. Até parece que são infelizes (risos).

Altino Olimpio

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Mentiras triunfantes

Felizmente a natureza é provida com as autenticidades que não podem ser refutadas com “bonitas” palavras contrárias. Nesta época da tecnologia temos a internet a favorecer os dignos de pena pelas suas mensagens enganosas, que, são enviadas a outros. Como é um dos casos, com palavras e mais palavras querem distorcer a realidade imutável das consequências da velhice. A velhice significa a proximidade do fim. Faz parte dela qualquer um se depreender das ilusões e perder o interesse pelo que antes o interessava. Os hormônios enfraquecidos já não dominam mais os desejos por sensações ou tentações. O nada mais querer adquirir supera o antigo querer adquirir. A beleza corporal e facial foi embora e os disfarces para esconder essa “tragédia” são insuficientes. Nenhuma idosa ou nenhum idoso se sobressai quando está entre pessoas mais jovens. Nem sequer chama à atenção como sendo uma atração agradável como, isso possa ser quando está entre os da mesma idade avançada. Mas, os otimistas ou cegos estão a enaltecer essa fase indesejável da vida com subterfúgios favoráveis às suas autoilusões “vendo” vantagens onde elas não existem. Por trás do sorriso de um rosto feliz agora com dentes postiços, óculos, rugas, cabelos descoloridos, varizes e cintura desaparecida, muitos dos “estar sempre em evidência” estão a tentar esconder suas frustrações, seus problemas de saúde e outras mazelas a existir como consequência de suas idades. Querendo contrariar a natureza existem aqueles imbecís a proclamar a velhice como sendo a melhor fase da vida e “arrastam” outros com eles nessa distorção da realidade. Verdade é que na idade avançada, os aceitos dessa fase da vida como ela lhes é, são mais autênticos. Não estão naquele “tapar o sol com peneira” daqueles distorcidos da realidade. Estes ficam a inventar proezas da velhice quando na verdade a melhor proeza dela é saber se esquivar deles e de suas noções tão gratificantes sobre o que a vida é para os idosos. Hoje vemos tais noções a se expandir pela internet angariando ingênuos que retransmitem essas condições tão gratificantes esquecendo-se das opostas possíveis de existir para o dificultar das primeiras. Contrariá-los é o mesmo que “cutucar o bicho com vara curta” porque eles podem reagir contra quem os contraria taxando-o de pessimista, de retrógrado, de recalcado, de infeliz, de revoltado e etc. Para eles a verdade nunca é bem-vinda. Ela é um desmancha prazer daqueles a gostar de se iludirem. Entretanto, talvez seja melhor ser infeliz aceitando a realidade do que ser feliz enganado pela ilusão, como assim, muitos preferem. Contudo, a velhice ou “idosidade” (como muitos agora preferem dizer) é ótima para aqueles que não perderam suas sanidades mentais, porque está com eles o saber não acreditar nas idiotices melosas transmitidas. Está com eles o saber como se comportar no envelhecer sem as possibilidades “bonitas” que são apregoadas para as suas idades nas mensagens “maravilhosas” da internet. Esse meio moderno de comunicação veio mesmo a favorecer os rejuvenescidos pelas banalidades de suas existências. Como “acham” bonitinho qualquer coisa. Que sorte, parece que nunca irão envelhecer. Apenas poderão ficar idosos cheios de juventude.

Altino Olimpio

O tempo sempre desmente

Uma instituição do passado e ainda em vigor, embora, menos comentada agora esteve a atrair muitos desejosos de desenvolver o tal do poder mental. Numa rua do centro da cidade de São Paulo, os mais “evoluídos ou poderosos mentais” dessa instituição mantinham num prédio velho uma sala contendo uma mesa comprida com várias cadeiras de cada lado dela sendo uma defronte a outra e mais uma num dos extremos da mesa. Parecia uma referência ao Jesus e seus apóstolos. Os ocupantes dessas cadeiras bem intencionados que eram como também, eram crédulos em seus poderes, promoviam a distância pelo poder do pensamento, curas e soluções para seus peticionários. No centro da mesa (isso vi e alguns eu li), dum amontoado de papeis ou bilhetes, em cada um estava escrito o mal sofrido por alguém e o pedido para repará-lo ou afastá-lo. Essa mesma instituição todos os dias às dezoito horas, por alguns momentos mantinha uma comunhão de pensamentos entre seus afiliados com o intuito de “irradiar” ondas mentais de paz e harmonia entre os homens. Uma das propostas da instituição é o concorrer (na medida das forças de cada um) para que a harmonia, o amor, a verdade e a justiça se efetivem cada vez mais entre os homens. Poderosos não? Mas, vamos dar uma olhada rápida para ver como está este nosso país. Temos, conforme os noticiários, corruptos e bandidos por todos os lados. Assassinatos, estupros, assaltos, sequestros. Religiões cobrando pedágio para interceder junto a Deus e etc. Então, fracassou a vibração mental de paz e harmonia entre os homens? Não para aqueles xucros do sempre a dizer: Se não fossem eles a “coisa” estaria pior. Pior ainda? Isso seria possível? Sobre a verdade e a justiça... Por onde andam essas duas? E aqueles da mesa comprida? Diante de tantas doenças que afetam os brasileiros não teriam também alguns deles sucumbido por causa de algumas delas? Opa, isso não é ético questionar. Muitas sociedades esotéricas prometem desenvolver poderes em seus adeptos. Nunca vi alguém “afortunado” assim. Sei que muitos outros viram e vão continuar vendo, mas, eu não. Sabe-se que os “homens acreditam muito no que eles querem acreditar”. Essas crianças não sabem, mas, tudo é facilitado para se fundar legalmente qualquer organização, seja ela esotérica, mental, e etc. porque elas estão a colaborar com o distrair de uma parcela do povo. Aquela parcela dos “escolhidos, dos merecidos” a se sobressaírem dos demais, estes, até adjetivados de profanos por não almejarem a evolução mental ou a tal de evolução espiritual. Bem dizia o Rei Salomão: É tudo vaidade das vaidades (risos). Hoje em dia os meios de comunicação e o sistema vigente estão a arrebentar a capacidade mental do povo e este, parece feliz assim. Nenhuma vibração mental vinda dos bem intencionados e donos de “mentes poderosas” poderão reverter essa situação alarmante de desarmonia, doenças, mentiras e injustiças. Entretanto como estamos na situação do “faz de conta” que é, mas, não é, então, tudo é válido. Pelo menos a vida não fica tão monótona. Mas o tempo... Esse malvado inimigo das ambições humanas impossíveis, sempre estará a contrariá-las com o surgir dos efeitos adversos. Só não percebe quem não quer perceber.

Altino Olimpio

O apito da fábrica

Nenhuma notícia local ruim a aborrecer. Era um mundo dentro do mundo onde todo mundo daquele pequeno mundo vivia feliz nele, indiferente a amplidão do mundo externo. O rádio sonorizava a região com o cantor Francisco Alves, o rei da voz cantando a música Aquarela do Brasil: “Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato risoneiro vou cantar-te nos meus versos...” Às dezessete horas era o programa de boleros quando se ouvia entre outros, o cantor Gregório Barrios a incitar devaneios de amor nos corações românticos. As ruas de terra tornavam visível o vento misturando poeira nele e ele era a orquestra para acompanhar o dançar das matas que, ao agitar, cantavam. As ruas mais eram para o transito de pessoas a pé e por onde mais se encontravam, paravam e conversavam. Era o tempo de quando todos se conheciam, todos se viam e todos se ouviam. Nos lares o silêncio dava destaque no marcar do tempo pelos relógios despertadores com os seus tique-taques. As seis, as sete, as onze, as doze, as quatorze, as dezessete e por último às vinte e duas horas, os apitos da fábrica de papel pareciam, por instantes, o recobrar da nossa consciência para nos lembrar da nossa existência. Pareciam também o marcar das horas, dos dias e dos meses a terem fim no dia de Natal e o tudo recomeçarem no primeiro dia do ano novo. Aqueles Natais dos manjares brancos caseiros com ameixas em calda são paladar memória. Naquele lugar onde a inocência em toda gente tinha a sua permanência, só de longe e pelo rádio se ouvia fatos de violência. “O crime não compensa” era o nome de um programa de rádio imitando um tribunal a julgar um assassino. Detalhes de seu crime eram “dramatizados” e ao fim ele era condenado. Sempre o programa terminava com esta advertência para o acusado: o crime não compensa. O rádio talvez fosse à única tecnologia ao ausentar um dos outros de seus convívios íntimos, naqueles idos tempos, quando, os tique-taques dos relógios nas residências e os apitos da fábrica provocavam maior percepção daqueles vividos presentes na consciência com o passar mais lentos deles como assim eram eles naqueles tempos de outrora.

Altino Olimpio

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Importância nula

Hei leitor (a), você é importante, não é? Não importa sua vida ser repleta de banalidades e perdida em tudo o que é óbvio e repetitivo. Saia de sua casa e vá até a avenida de seu bairro para observar o povo na ilusão de suas responsabilidades. Automóveis passam conduzindo pessoas nas orgias do “necessário fazer” diário. No comércio e escritórios você vê pessoas livres a serem prisioneiras diárias de suas nobres incumbências profissionais. Você numa esquina apreciando tudo, não importa se tu és bobo ou esperto, pois sentes a tua importância. Iguais a como você se sente existem no mundo cerca de sete bilhões de pessoas. Não lhe parece que seus olhos e seus ouvidos são como uma câmera de televisão a registrar tudo o que lhe ocorre e a ser transmitido a algum arquivo, talvez, imaginado ou não por ti? Lhe passa pela cabeça que um dia esse arquivo será aberto e seu conteúdo será revelado? Ah, você se lembrou agora do dia do Juízo Final tão comentado nas religiões. Essa lembrança faz mesmo pensar no sermos os protagonistas e testemunhas das mazelas ou beneficências humanas. Você leitor, na esquina observando os outros tão distraídos em seus mundinhos restritos quando só você parece estar atento com as circunstâncias, seja sincero, não te julgas ser mais importante que eles? A analogia sobre sermos como uma câmera de televisão pode te ajudar a se reconhecer. Supondo ela tendo também a capacidade de analisar fatos e de editar textos sobre eles, isso teria a ser conforme o condicionamento de cada um. Leitor, se o teu condicionamento é pobre de experiências úteis e sua mente é abarrotada de supérfluos, se tua mente abriga “existências” nunca vistas e ouvidas por você e nem por outros, então, a câmera de televisão que você é, será incapaz de editar um texto com a realidade dele. Incluirá nele suas fantasias mentais como “foi o destino, foi uma provação, foi parte da missão, foi um teste, foi castigo, foi uma dívida da encarnação passada, foi um milagre, foi por merecimento, Deus quis assim, e etc.” Então leitor (a), com essa “autenticidade” a enfeitar ou a emporcalhar os fatos que lhe ocorrem, você estaria em condições de ser um registro para a posteridade? Seu arquivo a ser aberto não seria só de distorções e irrealidades? Agora, se concentre e imagine-se mesmo sendo uma câmera de televisão a gravar tudo e todos à sua volta. Isso mesmo, ótimo. Que experiência magnífica, não? Os outros parecem dispersos em si mesmos, só você parece estar consciente e até se sentindo mais importante. Você parece estar conectado com um poder do além e esse poder te considera um ser especial. Ah coitadinho (a) você é tão bonzinho (boazinha) Muito cuidado. Se só você se julga importante e ninguém mais te julga assim, talvez você seja louco (a) e ainda não sabe. Pare de se imaginar sendo uma câmera de televisão. Você acatou essa sugestão porque já está habituado a ser influenciado por outros no que eles fazem, acreditam e querem que você faça e acredite também. Continue assim e será uma marionete de sucesso. Parabéns.

Altino Olimpio

Por fogo na brasa

Como início, como começo, como princípio, como partida vamos a uma frase do escritor da boca ferina Truman Capote: “Só direi que não sou feliz. Só os imbecis ou idiotas são felizes”. Caramba, o homem “pegava” pesado. Pensando bem, a frase não teria algum fundamento? Nós no passado não notamos que algumas pessoas se consideravam as tais? Isto é, melhores, superiores a outras e num indisfarçável desprezo por elas? Sim, foram mais favorecidas pela sorte, elas usufruíam mais conforto, mais facilidade para instrução e outras vantagens. Tudo parecia um mar de rosas e o destino parecia ser amigo delas. Mas, mas, mas... O tempo, só porque a mãe dele era funcionária na zona, ele resolveu descarregar sua decepção nas criaturas inocentes. Aqueles tais que ainda se julgavam os tais parecem ter sido os mais afetados. Doenças várias que deveriam ser só para os “simples” também vieram visitá-los, filhos os decepcionaram, eles e seus cônjuges envelheceram, ficaram feios, perderam o encanto, mas, isso não se fala. Os iguais próximos também foram adoecendo e depois morrendo. É quando um tal se sente sozinho, carente de carinho, carente de amizade, mas coitado, tendo sido o tal, os outros que não eram e não são, são impiedosos e não lhes dão atenção. Por sua vez, o tal ainda com resquícios de ser o tal, não consegue se relacionar com quem não lhe seja igual. Apesar de tudo, mesmo ao perceber que na sua idade a vida (no dizer do filósofo Gurdjieff) nivela todos como sendo “farinha do mesmo saco”, ainda tem tal se pensando ser o tal e estar numa redoma. Se combalido por doença ou pelo envelhecer e não ter a sorte de morrer antes, terá a “nobreza” de sair da redoma para que alguém simples lhe limpe a bunda. Claro, para essa tarefa outros a se julgarem serem os tais sempre estarão ausentes. Felizmente um milagre pode acontecer. Seria a compreensão de uns precisarem de outros não importando um se pensar ser superior ao outro ou este ser inferior àquele. Temos outra frase: Às vezes podemos pagar caro por aquilo que pensamos ser se isto está a outro desmerecer.

Altino Olimpio

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A morte

É a melhor maravilha a existir entre os seres humanos. Trata-se aqui daqueles encardidos com o ilícito para o proveito próprio. São de uma legião sempre a se expandir como frutos, eles morrem e em dobro nascem mais substitutos. A terra é boa e estercada porque brota muita gente à toa. Tem até gente honesta a admirar gente que não presta. Mas a morte ou não tem sorte ou é descuidada, pois, leva daqui mais os que são bons deixando os que não valem nada. A justiça divina parece que não mexe com quem rouba e depois se transforma em gente fina. A morte é a única porta de acesso ao paraíso, mas, como isso provoca riso. O morrer é o único remédio contra o enlouquecer. Não adianta gemer nem espernear, bandidos e corruptos sempre estão a se semear. Sabemos disso através dos noticiários onde os cafajestes são artistas diários. Pessoas ainda decentes são desprezadas por serem improducentes. Os canalhas riem da morte e dos pobres por considerá-los criaturas sem sorte. A vida e a morte são amigas para serem nossas inimigas. A primeira muitos enche de ilusões para serem bons ladrões. A segunda que devia tudo interromper não mais mete medo em quem ainda quer se corromper. Dizem que “tudo o que aqui se faz aqui se paga”. Então, vou cantar uma música de carnaval: “Que mentira que lorota boa, que mentira que lorota boa...” Bom “falando” sério, a vida de cada um é pra ser julgada pela morte. Ela tem tudo registrado e decide para onde vão as almas dos defuntos falecidos assim: “Este, acreditava que notícias de jornais e de televisão sempre foram verdades. Este era simples, mas, se vangloriava em ser amigo e puxa-saco de pessoas sabidamente desonestas. Esta colocou silicone nas tetas, fez lipoaspiração extraindo banhas e operação para extrair rugas. Isso é contra como a natureza as fez no envelhecer. Este colocou uma prótese no pinto e sendo velho sem vergonha ainda gosta de fazer porcaria. Esses vão só por pouco tempo para o purgatório, pois, são pecados pequenos diante daqueles a afetar o povo. Entretanto como primeiro castigo todos terão que ouvir os ‘sabem tudo’ a dizer que eles foram boas pessoas e logo irão se encontrar com parentes e amigos lá no céu. Eu que sou a morte estou morrendo de saudade de encaminhar alguém para o céu”. Nossa, até a morte está descontente com os rumos da humanidade e ela se pensava ser caridade ao tirar a vida daqueles a serem vítimas das maldades ao invés de mandar os corruptos entre nós internos para o inferno. E, na vida de agora ainda há quem suporte ver os canalhas a ter tanta sorte. Sei não, será que a vida é a morte e a morte é a vida? Pode ser sim, porque depois de passar pelo ritual do velório e do caixão todos se tornam tão bonzinhos e nunca mais serão maltratados. Ao contrário, a vida deve ser a morte porque, sofremos tanto por aqui e deve ser para expiarmos os nossos pecados. O pior é que não podemos espiar de longe e tentar fugir. A vida sempre nos pega e ordena: Você tem que estudar, você tem que trabalhar, você tem que se casar, você tem que votar, você tem que comprar, você tem que torcer por um time de futebol, você tem que tomar cerveja, você tem que viajar para as praias nos feriados, você tem que pagar pedágios, você tem que pagar multas, impostos, juros, você tem que amar o próximo mesmo que ele seja chato, você tem que ter plano de saúde, você tem que ser da melhor idade e... Chega, chega Socorrooooooooooo. Quero morrer pra poder viver.

Altino Olimpio

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Estar na moda incomoda

--Escuta, estou aqui com você neste restaurante, mas, estou ficando invocado.
--Ué por quê? Minha companhia não te agrada?
--Agrada sim, mas, todos ao passar por aqui te olham. Você está com um decote exagerado. Pela tua idade acho inconveniente essa tua exibição.
--Ah bem, você está com ciúmes, como isso é bom e é porque gostas de mim.
--Pronto, eu sabia. Lá vem o ciúme de merda interceder para me tirar à razão.
--Querido! Acalme-se, pois, gastei uma grana pra colocar silicone nos seios e você acha que não devo mostrá-los? No bumbum também coloquei e bem que você gostou. Deixe os outros olharem, afinal, não me tiram nenhum pedaço.
--Tá, tá, tá bom. Mostre o que quiser pra quem quiser. A vaidade feminina não tem limites. Pensei que você fosse mais recatada... Ah, você é igual às outras.
--O que? Não me compare com as piranhas com que você está habituado.
--Sim podem ser piranhas, mas, quando saem comigo não ficam mostrando as tetas. Comportam-se melhor do que você que é uma mulher de família.
--Seu malcriado, eu não sou nenhuma vaca para ter tetas, viu? Além do mais a bunda é minha, os seios são meus e eu mostro pra quem eu quero.
--Isso eu sei. É só assim que você se realiza. Mas deixa estar... Os anos vão...
--Que vai dizer? Que já estou velha? Olhe-se você no espelho para se ver.
--É, pagaria pra ver como vai ficar depois da carne ficar enrugada você por dentro siliconada. Ainda mais com aquela tatuagem no bumbum.
--Isso não é da sua conta. Você é um homem grosso, cruel, antiquado.
--E você que não tem educação fica ai gritando, gesticulando chamando à atenção de todo o mundo. Mulher de família hein?
--Olha aqui, estou arrependida do tempo que passamos juntos e não quero mais te ver. Vou embora e não precisa me levar. Eu me viro e pego um taxi.
--Justamente eu ia dizer a mesma coisa. Pode ir embora coroa deslumbrada.
Hei garçom, por favor, daria pra esquentar o jantar, ele esfriou. “Caramba, só agora eu vi onde ia amarrar o meu burro. Ah, logo arranjo outra mais simples e sem frescura. Silicone, tatuagem... Ai, ai, ai chega de mulheres postiças”.

Altino Olimpio



Proteção Incontestável

Falam muito sobre o viajar porque ele trás experiências para as pessoas viajadas. Será mesmo? Por que então noto que algumas pessoas voltam as mesmas ignorantes do que eram antes de viajar? Mas, decidi aceitar essa sugestão e por meses me preparei. Comprei uma mala, roupas novas, atualizei o passaporte e chegou o grande dia. Estive sim com medo de turbulência, medo de seqüestro, transvio de malas, tudo em vão. A longa viagem até a Cidade de Pirapora do longínquo Estado de São Paulo transcorreu sem incidentes. Como bons turistas eu e um amigo estivemos num comércio para comprar lembranças do lugar para os familiares. Enquanto estava nas gracinhas com a vendedora o amigo chamou-me de lado para me mostrar algo muito fascinante. Era uma fotografia de uma santa com o seguinte dizer escrito: “Nossa Senhora Aparecida protege esta casa”. Depois ele me mostrou as portas daquele recinto onde não havia mais lugar para colocar outros cadeados. Eram tantos e nós dois caímos na risada. Se alguém soubesse do motivo da risada poderia pensar que éramos loucos, mas, na verdade, quem estaria sendo louco? Será que os cadeados estavam a dar a entender que os donos daquele estabelecimento não confiavam na santa? Nossa! Isso é pecado da contradição. Por falar em contradição a mídia, tempos atrás noticiou uma acontecida, se me lembro, lá em Santa Catarina. Fiéis estavam numa procissão carregando andor e eis que de repente um carro desgovernado a invadiu provocando tumultos. Colocaram o andor no chão para ele descansar um pouco e a seguir tentaram linchar o motorista para ele ser taxista lá no céu. A reza a se ouvir eram os gritos, pontapés e pauladas contra o automóvel do rapaz que ficou todo amassado. A polícia interveio e para protegê-lo “enfiaram” o rapaz do “espalha gente religiosa inofensiva” no veículo policial. O santo do andor, paciente como sempre é, esperou o acalmar dos ânimos para seus fiéis se lembrarem dele e do porque lá estavam. Só esteve um pouco receoso, pois, numa outra cidade, na volta de uma procissão, mesmo sem qualquer atropelamento a distrair os participantes, a santa do andor ao bater com a cabeça no batente da porta da igreja se viu despojada dela. Uma vez também um homem pela televisão publicamente chutou a santa e por causa disso o mandaram “pregar” noutros rincões de outro país. Como podemos notar, aqui neste país nem os santos se livram dos acidentes. Imaginem então os seres humanos, frágeis como são, coitados, eles dependem da sorte para sobreviverem sem esses percalços da vida.

Altino Olimpio

Jardim de Infância para adultos

Está havendo necessidade para algumas pessoas voltarem a freqüentar o aprendizado no Jardim de Infância ou, para elas criar um Jardim de Adultos. Seria para saberem se comportar numa conversa. Pois, elas se utilizam de palavras inapropriadas e com exaltação indevida. Viciadas em interromper conversa elas são bem equipadas com a lei dos opostos no dizer “eu adoro isso ou eu odeio isso”. Se o assunto é sobre alimentos o “eu adoro ou odeio isso” é um exagero. Como se pode adorar ou odiar um alimento? Podemos gostar ou não dele. Pra que esses extremos ao opinar sobre ele? Eu adoro, eu amo, eu odeio. Pra outras coisas também, essas mesmas explanações são utilizadas mesmo quando para elas não há como sentir esses “eu amo, eu adoro, eu odeio”. Percebemos em pessoas vazias suas empolgações por trivialidades por lhes faltar as importâncias com que deveriam conviver. Entretanto, se julgam importantes em seus “eu amo, eu adoro, eu odeio” como se fossem donas das verdades e como se o mundo estivesse concordando com elas. Isso é bem notório em suas ênfases pelo pronome “eu” nas suas exteriorizações “eu sou, eu faço, eu não gosto, eu gosto, eu discordo, eu tenho, eu falei, eu mandei” e etc. Essa comprovação de egocentrismo demonstra a incapacidade humana de não se notar quando se expõe a ridículos, embora, entre os iguais isso não transpareça. Mas, como é fantástico quando conversamos com alguém e o mundo fica esperando para transmitir ao universo o interromper dele com o “isso eu amo, eu adoro, ou, isso eu odeio”. Essas frases curtas estão mesmo a comprovar como os seres humanos são importantes. Coitadinho do mundo se eles se calassem. Ele ficaria sem conhecer esses sentimentos que, como tal, o faz permanecer.


Altino Olimpio

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Passado, presente e futuro

São estimativas há separar o tempo em partes. O já vivido é considerado passado, o estar ocorrendo é o presente e o porvir é o futuro. Interessante. Ouve-se dizer, não se deve viver no passado e sim no presente. O falar e falar tornou-se predominante sobre o pensar. Na verdade quem mais pensa não fala e mais fala quem não pensa. Imagina-se o presente sendo ele o agora até o retroagir dele para algum tempo atrás. Se à noite estamos a falar sobre algo ocorrido na parte da manhã, inconscientemente o pensamos como sendo ainda parte do presente e não do passado. Mas, o presente não está a ser indicado como um estado paralisado a ser referência diferenciada. Ele é continuidade absoluta. Nós é que o imaginamos como também sendo os momentos próximos passados. Sendo instável e a ser de sucedâneos, o presente vai “puxando” os ainda fatos desconhecidos do futuro próximo para o perceber da consciência --isto é o presente, o instante fugaz da conscientização. Claro, existem fatos a surgirem no presente a se prolongarem por mais tempo, mas, isto já é outro assunto. Um fato ao surgir no presente, assim que é conscientizado, ele se torna memória, portanto, já é passado. O presente é incerto e vivemos a mercê dele sem saber o que pode nos ocorrer. Desnecessário é enumerar as ocorrências diárias a nos surpreender e a nos interromper ou, apenas a interferir com o que estamos a fazer. O futuro sem interrupção vai se constituindo a cada minuto em que vamos existindo entendendo-o como sendo o presente imediato. Presente e futuro nunca estão a serem fixos. Ao contrário, isso o passado pode ser. Só tendo existência na nossa mente, nele podemos escolher um fato isolado a ser lembrado, fixo no como aconteceu num presente do passado. Todos são resultados de seus condicionamentos desde suas infâncias e isso se constitui na personalidade que somos e como somos. No presente temos comportamentos conforme nos condicionamos no passado. Se ele não nos existisse não teríamos como nos identificar perante o presente. Seríamos apenas criaturas corpóreas como são os animais. Como eles seríamos indiferentes e desprezíveis entre os homens. Lembrando “o corpo sempre está no presente e o pensamento sempre está no passado”. Claro, ele é o passado a exteriorizar nossas vivências a outros em conversas. Também, nossa mente funciona por comparação. Quando no presente nos deparamos com algo, imperceptivelmente, ela busca no passado alguma referência para poder reconhecê-lo. Assim somos um acúmulo do já existido. Entretanto, muitos se vangloriam dizendo-se viver só pelo presente, mas, essa possibilidade foi devida aos seus passados e são ignorantes disso. Certos estão a ser contra outros do presente a se lamentarem de seus passados. Contudo, se para muitos o passado não importa, por que somos constituídos com memória? Ah... Lembrei. Ela é apenas um acessório. Agora uma frase da Greta Garbo: “A vida seria maravilhosa se soubéssemos o que fazer com ela”.

Altino Olimpio

O desumanizar

Nesta nossa época tão progressista sem racista, sem otimista, sem idealista, sem político altruísta, pra vivermos temos que ser artista e tapar a vista. É verdade, a tecnologia desumaniza a humanidade e ela merece piedade. Automóvel, televisão, telefone celular e computador estão dando o que falar, ao invés de nos reunir, sendo tudo a nos desaproximar, isso será de lamentar. Hoje se conversa com as pessoas à distância quase em qualquer circunstância ficando pra segundo plano o tão já desnecessário calor humano. Agora o mundo está mais propenso à anarquia e ela destroçou com a filosofia. Quem ainda se orienta por ela neste presente tem que conviver com muitos que parecem dementes, mesmo, sendo conhecidos e parentes. Ainda temos estudos de filosofia para a evolução, temos fraternidades místicas, filantrópicas, esotéricas, espirituais e etc. Quase sem dúvida alguma, diante de como está o mundo parece que não servem pra coisa nenhuma. Antigamente os “mestres” se comunicavam por telepatia, essa “conversa” doentia não saia do lugar porque a cabeça não era um telefone celular. Tentavam a transmissão de pensamento e hoje ainda têm alunos de “escola de ocultismo” que com isso se compromete. Devem ser burros, pois, é muito mais fácil e eficaz pela internet. Sem qualquer demagogia, muitas coisas que eram consideradas milagres ou magia, hoje são reais pela tecnologia. Ela só não é do escopo de fazer o espírito sair do corpo numa projeção astral, pois, isso é um conceito mental que se faz perceber naqueles iludidos em querer ter poder. Esses que se julgam ser mais esperto até irrita tê-los por perto. Mas, de fato a tecnologia está dia a dia a separar gente de gente e isso não é apenas um relato, trata-se aqui de uma observação decente. A maioria se acomoda nessa parafernália da moda como hoje se demonstra quando quase mais ninguém se encontra. Hoje o mais é só de tudo assistir sem se importar com outros que estão a existir. E que não venham perturbar porque falta paciência com os amigos e parentes todos agora sem graça, substituídos que foram pela tecnologia da ciência.

Altino Olimpio

China Show

Temos recebido pela internet mensagem alertando que a China com suas produções industriais utilizando-se de mão de obra quase escrava, sendo por isso forte concorrente contra todas as indústrias do mundo, logo ela estará tendo um monopólio global dos produtos fabricados e, consequentemente, o mundo poderá assistir a falência de suas indústrias acarretando em desemprego da população. Verdade ou utopia? Os Estados Unidos em sua sempre supremacia sobre outros países poderia se contrapor contra quaisquer eventualidades que o possa prejudicar como também a outros países de seu interesse. Vamos pensar em ficção científica. Talvez, ela possa nos socorrer de enormes prejuízos. Dizem que existe um projeto chamado de HAARP (para se saber o que ele é fácil procurá-lo no Google da internet) cuja função é o interferir na atmosfera com a possibilidade de alterar o clima em qualquer parte do mundo. Hoje temos visto algumas tragédias climáticas com proporções exageradas. São fenômenos naturais a que o planeta está sujeito ou existe alguma intervençãozinha humana? Nunca saberemos. O projeto dito acima pertence aos Estados Unidos. Se o projeto funciona como alguns acreditam, alterar o clima piorando-o em consequências desastrosas num país potencialmente concorrente faria com que ele retrocedesse em seu progresso. Isso o tornaria dificultado na competição industrial e comercial. O país ficaria sempre a mercê de sanar os danos causados pelas catástrofes que redundaria em crise se sempre atingido por elas. Poderia como país exportador se inverter para país importador. Problema resolvido! O povo parece gostar de ficção, sendo assim vamos continuar nela. O povo... Ah o povo. Ele elege não quem os vai administrar e sim quem os vai dominar. Às vezes dizem que o mundo é de todos. Se fosse verdade todos deveriam estar aptos para saber e acompanhar as descobertas científicas para o bem ou para o mal da humanidade. Mas não! Tudo fica como segredo inviolável de Estado. Parece que para os dominadores o povo é um conglomerado de idiotas a se distrair pelas tecnologias de entretenimento, pelos esportes, turismo, consumismo, bebidas, sexo, mas, com a prioridade necessária para arcar com os impostos que eles, os poderosos possam utilizar para o bem ou para o mal da sociedade. Inclusa estão às invenções secretas capacitadas para causar hecatombes em países considerados inimigos desconsiderando quem possam ser as vítimas. Separando pessoas realmente humanas que ainda existem, no “poder” podemos ter desumanos que não valem por uma merda. Esses minoritários podem provocar conflitos desnecessários quando mais morrem os inconscientes do porque do conflito. Entretanto, o povo é respeitado, é informado, é participativo sim. Ele é espectador e telespectador de todos os efeitos de quaisquer atrocidades humanas que possam ocorrer. As causas também lhes são bem informadas em milhares de versões. Só é preciso adivinhar qual delas é a real. Agora pensando melhor... O povo não deve mesmo saber das invenções secretas, dos segredos de Estado, porque, ainda temos medo de macumba, medo de ser pecadores, medo de não termos merecimento de adentrar no céu depois da morte, medo de depois reencarnar e sofrer o mesmo que fizemos outros sofrerem, medo de não termos tido amor ao próximo e outros medos. Mas, que falta do que fazer. Iniciamos “falando” da China e depois nos perdemos em devaneios com a ficção científica. Até perdi um capítulo da novela.

Altino Olimpio

Homens dedicados e delicados

Semana producente está nossa aqui no Estado de São Paulo. Um inspirado deputado estadual parece que conseguiu na câmara do município a aprovação de um projeto lei. Para se tornar lei estadual falta apenas à assinatura do prefeito atual. Trata-se da escolha de um dia do calendário a ser destinado a homenagear os heterossexuais. Contra isso já se manifestaram apelidando o projeto de “dia do heterrorsexual (risos). Hei São Pedro, por favor, poderia parar um pouquinho o mundo. Quero sair daqui desta bosta. Não agüento mais assistir a discussões sobre aprovações de projetos desnecessários para meu querido já meio “desquerido” município. Quero ir pescar, catar goiaba no mato e se precisar, limpar aquilo com folha de bananeira. Quero dar banho no cachorro, limpar cocô do gato, passear de carro com o volume do rádio explodindo através de autofalantes super potentes. Quero curtir o silêncio dos vendedores da feira semanal para comprar jaca, abroba, nabo e comer pastel de carne de boi morto. Com essas coisas importantes na cabeça, esses “bem-flertores” da humanidade ficam desviando o rumo das minhas verdadeiras necessidades. Deveriam ser condenados à pena máxima e serem obrigados a assistir os programas de fim de semana que são televisados. Com certeza eles não aguentariam tanta tortura e até apelariam para o suicídio. Menos mal, né?

Altino Olimpio

Os velhos sabiam

Quem já está velho e vive por este mundinho cheio de criaturas cheias de besteiras na cabeça cheia de esterco para brotar mais besteiras cheias de ilusão lembra-se do passado quando era criança e ouviu dos idosos que, o mundo tinha sido acabado em águas (dilúvio) e quando o mundo fosse acabar outra vez seria com fogo. Pareciam estar certos, pois, os vulcões parecem estar readquirindo “vida”. Se todos eles simultaneamente começarem a expelir larvas para cima, uma enorme parte do mundo estará frita. Será um “Deus nos acuda” enquanto a terra nos sacuda. Não se sabe se depois disso os “especialistas” sobre proteção ambiental vão se reunir para multar os responsáveis, se as inspeções veiculares continuarão a existir, se vão diminuir a emissão de gases prejudiciais para a atmosfera e etc. Os vulcões irão provocar terremotos, tsunamis e, aqueles que forem morrer é porque lhes chegou a hora, porque suas missões aqui na terra terminaram. Pra onde eles forem irão reencontrar todos os parentes e amigos que foram antes deles e lá ficarão aguardando suas reencarnações e poderão até escolher em que família poderão reencarnar. Quando retornarem para este mundo com os vulcões acalmados, tudo já foi reconstruído e todos estarão nos seus destinos como sempre estiveram. Ouvirão muito o “eu sou católico, eu sou evangélico, eu sou ateu, eu sou mulçumano, eu sou tibetano, eu sou maçom, eu sou gnóstico, eu sou ocultista, eu sou esotérico, eu sou budista, sou messiânico, sou israelita, sou hinduísta” e etc. Todo mundo é alguma coisa obedecendo a alguma inspiração que vem do coração enquanto vulcões, terremotos e tsunamis estão como mortos. Quando eles “ressuscitam”, nessa hora do “pega pra capá” ninguém se lembra do que é e só quer “escapá”. Mas, voltando aos velhos do passado de quando éramos pequenos ainda, eles falavam sim que o mundo iria acabar em fogo. Sei não! Se todos fossem bombeiros que perigo teria? Nenhum.

Altino Olimpio

Tema insuportável

Muitos dizem que a vida é uma cagada (risos). Traduzindo... Parece ser verdade. Quando crianças, nós somos felizes, amados e curiosos com o explorar do mundo ainda desconhecido. Algum encantamento ainda resiste na juventude. Depois, na maturidade estamos nós a caçar os meios para a nossa sobrevivência confortável. Problemas, preocupações, ambições, ilusões, decepções, tudo a ser parte dessa longa maturidade. Até então somos contentes como somos, “lindos de causar inveja”. Quando nos deparamos com conhecidos que há muito tempo não vemos, contentes com o encontro lhe falamos: Puxa-vida você não envelhece, você está bem conservado. Mas... O pensamento rebate: Caramba, em que bagaço ele está, coitado. Eu é que não vou ficar assim (será que não mesmo?). As mulheres sofrem mais com essa crueldade da vida. Quando ainda jovens e depois enquanto ainda bem conservadas estiveram a causar admiração com seus dotes físicos. Não é conveniente detalhar aqui os componentes físicos a mais e a mudar seus “manequins” que a vida lhes presenteia durante o passar dos anos. Ao vermos muitas dessas senhoras, notamos agora ocultos em seus semblantes terem sido elas, bonitas e beldades de outrora. Felicidade pra todas e pra todos os que envelhecem é o se saberem ser da “melhor idade”. Nessa melhor idade as pessoas são mais contentes com as fisionomias que possuem e sentem desprezo pelas aparências que tinham no passado (até parece). Lembrando, tudo o que nos acontece é por vontade divina. Sei não, parece que ela não gosta de beleza ou não gosta de nós. Por que não deixa que continuemos lindos até o fim da vida?

Altino Olimpio

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Que? Não te entendo

Tem aquele que não sabe e não sabe que não sabe
Tem aquele que não sabe e pensa que sabe
Tem aquele que sabe e não sabe que sabe
Tem aquele que sabe e sabe que sabe, siga-o. Mas...

É difícil encontrá-lo, pois, talvez, ainda nem ele tenha se encontrado (risos).
Estamos numa época aqui no Brasil onde a confusão mental está generalizada.
Dizem que para retardar um país, basta confundir seu idioma. Parece mesmo que este nosso país está nessa condição. A juventude usa um linguajar que os mais velhos não entendem. Por outro lado, se os mais velhos escrevem um texto conforme a gramática de suas juventudes, os jovens deste tempo não entendem. Que balbúrdia! Sabemos, já há algum tempo que esse retardar vem acontecendo, pois, alguns asnos no poder contribuíram para isso. Conscientes ou inconscientes são inimigos públicos. Infelizmente, o povo esteve muito atarefado para perceber isso. Sim, com tantas tarefas árduas e extenuantes como tagarelar pelas ruas com telefone celular, não perder um dia de trabalho de assistir novela, Big Brother, Fazenda, acompanhar o campeonato de futebol e agora com horas extras para o futebol de mulheres e com o futebol dos subvinte, subtrinta, sobquarenta e também aquele puta sacrifício de tomar cerveja. Corridas de carro, vôlei, basquete e ainda ter que resolver os crimes demorados como foi o da menina que foi jogada pela janela do apartamento. O consumo e as filas de banco, clube de velhos que trabalham com a distração de moços, a preocupação de não faltar Viagra, filas para as tetas e bundas com silicone, meditar muito para escolher políticos decentes e outras coisas mais. Com tanto trabalho assim, como alguém poderia ter tempo para perceber algo errado com a instrução escolar? Agora pensando bem, isso de escola, de instrução é tudo besteira. Ninguém precisa disso. Somos autodidatas. Até falamos bem o inglês. Word, upgrade, downloads, link, retorned, Outlook Express, Orkut, Messenger, chat, blogger, media player, speedy, foxit reader, skay, e etc. Isso veio pra enriquecer o idioma português e já poderia estar no nosso dicionário. Entretanto, convenhamos, aquele que nada sabe e não sabe que nada sabe é muito feliz. Aquele que sabe e sabe que sabe, coitado, devia morrer pra não ficar por aqui enchendo o saco de quem não sabe.

Altino Olimpio

Preferências

Na sua imensidão, na expansão de suas galáxias e infinitas estrelas, o universo está a ser o que é sem sabermos por que e pra que ele é. Ele não identifica ou qualifica particularidades onde possa ter preferências por elas. Nada lhe é exclusivo. Para o universo o todo é o tudo. A preferência, até onde sabemos, ela é uma aptidão humana. Para a preferência existir na vastidão teria que haver à parte ou, inserido e destacado nela, um ser racional com igual aptidão de preferência. Contudo, não haveria como definir tal ser na vastidão. Para tanto, tal ser teria que estar ao alcance de nossa consciência. Não estando não nos existe, mesmo que possa existir. Mas, aqui no planeta terra, os seres humanos acreditam ser a preferência do “inventor” do universo. Interessante isso. Se não se consegue abarcar, enquadrar, circunscrever, definir conscientemente e igualmente tal inventor, como os humanos conseguem captar essa preferência dele por nós? Aqui me vem o dizer do Rei Salomão: Vaidade, vaidade das vaidades. Seres humanos... Pobres criaturas. Envolvidas com suas múltiplas preferências em seus modos de existir pensam que o existir delas seja também a preferência de um poder sobrehumano, mesmo que, não consigam distingui-lo. Nas catástrofes quando são ceifadas muitas vidas, inclusive de crianças, “anjos” ainda, é “perceptível” a existência da invisível preferência “protetora” por essas vidas. “Homem, o eterno desconhecido de si mesmo”. Ele, desde tempos remotos esteve e ainda está com seu teodolito espacial a fazer medições topográficas para o perímetro do céu, lugar este no universo onde se “calcula” estar à atenção e a preferência por nós. Trabalho este a ser conferido apenas por aqueles que por aqui morrem. Quem continua por aqui vivendo, poderia, de preferência, refletir sobre o que não se consegue refletir. Isso esclareceria tudo o que o ser humano gostaria de saber. Aliás, muitos já estão incorporados nessa reflexão.

Altino Olimpio

domingo, 3 de julho de 2011

Instinto institucional

Conforme as Escrituras mais antigas, a humanidade começou quando havia um homem no paraíso. Vivia só e por tanto “se virar” sozinho ele estava fraco. Condoendo-se dele e através de sua costela o Criador criou-lhe uma companheira. Sim, uma mulher. Parece que alguns não entenderam... Pra companheira do homem foi criada uma mulher, mulher... MULHEEEEEERR. Quanto ao homem, ele foi criado do barro? Não poderia ser criada também do barro a mulher ao invés de o ser por uma costela? Bem, isso é pra judeus responderem, pois, sendo deles, o Velho Testamento é anterior ao cristianismo. Como consta nele, houve a queda do casal do paraíso e o casal se multiplicou. No início disso, ainda com poucos habitantes no mundo pode-se pensar que entre consanguínios o incesto esteve atuante para promover a multiplicação. Depois, com o planeta povoado, por inspiração divina os homens confeccionaram um livro que veio a ser sagrado como regras de condutas humanas. Num dos trechos do livro encontra-se esta frase: Maldito seja o homem que se deitar com outro homem. Hoje, o “nada se sustenta” está a contrariar essa crença. Isso é notório numa parcela da sociedade que separa as leis divinas das leis terrenas. Temos notícias de homens amasiados com homens e mulheres amasiadas com mulheres. Isso é certo ou errado? Tem uma explicação dada por alguns entendidos. Segundo eles, para evitar a superpopulação, a natureza tem seus meios próprios de equilíbrio ecológico. Através deles promove a incidência de seres indesejáveis ao sexo oposto e assim diminui a reprodução da espécie humana. Verdade ou mentira? Isso é indiferente para aqueles cujos instintos “falam” mais alto do que a razão. O instinto distinto da razão esteve a ganhar supremacia sobre a moralidade que combatia contra ele. Estabelecido como mais preponderante que a emoção e a razão, o instinto esteve a “disciplinar” a conduta de muitos. Contrariedades existem naqueles de uma geração antiga, condicionados que foram a abafar os excessos dos instintos para assistirem agora a exaltação pública deles. Confusa entre o certo e o errado, perplexa ou não, a humanidade mais está sob o jugo do sensualismo e este é um dos “pratos preferidos” das divulgações a que ela está exposta. Disso redunda maior facilidade para qualquer um expor suas tendências amorosas. O “ele com ele” e o “ela com ela”, agora, amparados por lei podem alterar o velho conceito do que seja uma família, ou, outro conceito poderá ser criado para essa “modernidade” a duvidar da totalidade da lei dos opostos que se atraem.

Altino Olimpio

Jardim dos pedreiros

Este relato não é para os jovens de hoje. É uma história do passado e eles nada sabem sobre ela. Aliás, hoje não mais se incluem como parte de histórias como antigamente. Os idosos, aqueles ainda vivendo por aqui em Caieiras --agora são poucos (risos)-- vão se lembrar desta história. Era uma vez... (assim era o início do relato de uma história lá no passado). Então... Era uma vez, lá no Bairro da Fábrica, um ser grandalhão com sua carroça prestava seus serviços à Indústria Melhoramentos. Seu nome ou apelido era Jardim. Talvez tenha sido o mais trabalhador daqueles tempos idos. Nunca perdeu um dia de trabalho. Nunca gozou de férias. Nunca reclamou para ser promovido. Nunca reclamou por aumento de salário. Depois do fim do expediente às dezessete horas ele ficava esquecido na solidão por não ter uma companheira e sendo assim nem visitas recebia. Jardim era um ser claro de olhos grandes. Seus olhos transmitiam uma pureza e docilidade nunca vistas num ser humano. Às vezes se pressentia em seu olhar uma tristeza tão profunda como a de alguém inconformado com o seu destino. O trabalho do Jardim com sua carroça era transportar material de construção para as obras da Indústria local onde Valentim Cavalette, Luiz Carioca, os irmãos Joaquim e Sebastião Albino, o Pedrão, o João Chiati e outros eram os pedreiros. Sempre em silêncio, cabisbaixo, o Jardim às vezes levantava a cabeça. Ao olhar ao redor parecia dar a entender que era “consciente” da sua situação tão solitária. Parecia ser uma tristeza de viver sem ser notado. Mas não, até envelhecer o Jardim foi parte integrante da natureza daquele lugar, de todas aquelas ruas de chão batido, das matas adjacentes e daquelas vilas com gente simples. Como e quando o Jardim morreu? Isso eu não soube. O Jardim, “personagem” desta recordação foi um cavalo claro a se misturar nas paisagens daqueles tempos nostálgicos que não voltam mais. Pela memória ainda dá para vê-lo sempre puxando a carroça e passando pelo “pau de amarrá égua”, pelo armazém, pela escola, pela ponte de madeira e por outros recantos daquele lugar agora despovoado.

Altino Olimpio

Ficção Equina

--Aiô Silver vamos galopar e conversar?
--Aiô Prateado, vamos sim galopar e conversar.
Pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá.
--Hei Silver você acha que existe cavalo mais inteligente que nós?
--Claro que existe. Tem os cavalos de corrida que são mais inteligentes. Vivem numa boa, tomam mais banho, comem melhor, são escovados e estão sempre bonitos. São mais queridos pelos homens.
Pactá, pactá... --Veja Prateado, um conhecido chegando, diminua o galope.
--Aiô!Boa-tarde Silver. Soube que você deixou minha égua e meus potrinhos se alimentarem no teu pasto. Quanto lhe devo?
-- Ora, ora, amigo Diamante Negro, não me deves nada.
-- Silver você tem bom coração. Que deus cavalo lhe pague. Tchau.
--Silver, os homens também tem Deus?
--Sim Prateado, mas, não parece, né? Se matam entre si, brigam, roubam. Entre nós, cavalo rouba cavalo? Cavalo mata cavalo? Não, né?
--Falando dos homens, eles nos escravizaram e...
--Sei disso Prateado, mas, eles vão se ferrá, deus cavalo vê tudo. Se você conversar com um cavalo filósofo ou um cavalo guru, ele te explica melhor.
Pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá.
--Puxa-vida Silver existe cavalo assim evoluído?
--Claro Prateado! Têm cavalos que são iniciados nas sociedades secretas de cavalos. Lá aprendem a levitar, a fazer projeção astral, telepatia, ler pensamento de cavalo, auto-curas, relinchar mantras e etc.
--Viu Silver falam que cavalos reencarnam, isso é verdade?
--Orra meu! Claro que reencarnamos. Pensa você que isso é só para os homens que se imaginam os únicos a ter esse direito? Temos que reencarnar para atingir a perfeição. Só um cavalo já perfeito é que não reencarna mais. Olha, que surpresa. Quanto capim para nós.
--Mas Silver podem estar com agrotóxico, é perigoso para comer.
--Que nada! Os homens só envenenam as plantas deles. A nossa, não. Vamos lá, quem chegar por último é tonto. Pactá, pactá, pactá, pactá, pactá, pactá.

Altino Olimpio

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Presentes, mas, ausentes

As pessoas não são mais para as pessoas. Elas são para si mesmas. São para quaisquer distrações que lhes dêem prazer, auditivo ou visual, ou, ambos. Hoje o mundo está abarrotado desses “esqueça-se de si e de todos por todos os momentos”. A tecnologia corroborou com isso no separar pessoas mesmo entre os membros das famílias. Outrora, todos tinham tempo para todos. Mais à noite, a família ficava reunida durante e depois do jantar. Pais conseguiam conversar com seus filhos e vice-versa. Conseguiam ser carinhosos com eles e eles também para com os pais. Os casais, sempre presentes de “corpo e alma” mantinham entre si a profundidade de seus sentimentos tornando-os duradouros. Apenas as ondas de rádio invadiam os lares lhes proporcionando um entretenimento agradável e, até mesmo, inocente. Mas, convenhamos, ele foi o precursor do isolamento entre pessoas da mesma família. Nos horários de programas preferidos sempre alguém estava a pedir silêncio para poder ouvi-los. Eram horários para o rádio e não para a família. Depois dele e muito mais poderosa, a televisão apareceu mesmo para calar os familiares durante os seus programas ininterruptos. Agora estamos na era do computador. É outro ladrão de tempo a mais isolar as pessoas de outras. Rádio, televisão e computador são para serem nossos e não para nós sermos deles. Para os viciados nesses aparelhos tecnológicos, outras pessoas se lhes tornaram de menor importância, sem graça, incluindo mesmo os mais íntimos como, pais, irmãos, cônjuge e filhos. Diálogos, então, cada vez menos e, só os inevitáveis. Família parece mesmo ter perdido sua significação. Onde os jovens à noite se encontram e consomem álcool, se parece notar em suas alegrias uma tristeza a dizer que eles são vítimas do “cada qual só consigo mesmo” familiar. O estar só mesmo entre outros e no perder a importância para os entretenimentos tecnológicos teve suas conseqüências num descontentamento existencial incompreendido. Quando isso se agrava se manifestando em solidão, ansiedade e depressão, os psicólogos são ineficazes, inúteis para reverter essa situação. Eles não podem repor nas pessoas a “consideração por elas” agora perdida. Podem tentar ajustá-las na “sem consideração” em que se encontram como sendo “normal” para todos nesta época do “ninguém tem tempo pra ninguém”. Exposto aqui está que os seres humanos agora tão escravos de suas parafernálias não mais vivem em si mesmos, mais propensos que estão para a dispersão de suas mentes. Com isso percebemos em muitos um retardamento de seus raciocínios ao tentarem se comunicar com outros. Eles sentem dificuldade em se lembrar de palavras adequadas para qualquer assunto e em qualquer ocasião. Essas mentes “promissoras” talvez ainda possam inverter essa distorção de valores que assola esta nossa sociedade.

Altino Olimpio

Quase entrou no céu

Então o homem morreu? Coitado. Mas, ele continuou consciente. Que surpresa pra ele! Ele que sempre contra-argumentou contra a existência disso. Agora, tudo o que sentiu, viu e ouviu na vida lhe foi recordado como se estivesse assistindo num filme da cidadezinha de Caieiras onde nasceu e viveu. Viu-se quando criança nos seus folguedos, viu-se na escola, no levar marmita para seu pai no trabalho dele, acostumou-se a saber das horas pelo apito da fábrica de papel, viu-se no clube assistindo futebol aos domingos. Viu-se nos bailes da sua mocidade, reviu suas namoradas, seu casamento e seus longos anos de empregado na fábrica local. Da casa onde morava viu sua horta, o galinheiro, o abacateiro, o chiqueiro e depois se emocionou por rever todas as pessoas com as quais conviveu, a maioria tendo morrido antes dele. O lugar era pacato, de gente muito honesta e solidária. Até o padre que era muito admirado, sabia-se, às vezes substituía algum marido que estava meio indiferente para com as suas obrigações conjugais. Outro depois dele tirou a batina em troca de um amor tão próximo que nunca havia sentido antes. Teve quem não deixasse sozinha a esposa de alguém que estivesse trabalhando no turno da noite. Entretanto, ainda surpreso com a circunstância antes nunca acreditada por ele, depois ter visto o “filme” sobre sua vida, o homem se percebeu em seu velório. Viu sua esposa muito triste. Seus filhos tristes também evitavam, pelo menos por enquanto, discutir como seria a partilha dos bens deixados por ele. Os amigos ele ouviu-os contando piadas e outros ao falarem que ele foi uma boa pessoa. “Puxa-vida” ele pensou “então é verdade que o espírito fica próximo ao corpo e eu nunca acreditei nisso, mas até quando ficarei por aqui?” Logo apareceu quem estava encarregado de encaminhar sua alma para o céu. Assim que o ritual terminou, ele sumiu do velório e se viu em outro lugar e desconfiou que fosse a entrada do céu e pensou outra vez “então, é verdade mesmo isso de encaminhar a alma, ainda bem”. Um velho lhe apareceu, talvez São Pedro, que lhe disse:
--Seja bem-vindo! Ao transpor esta porta terás a vida eterna aqui no céu.
--Como assim vida eterna aqui no céu? Falaram-me que depois do juízo final todos ressuscitam e voltam a viver como antes, só que, em melhores condições. Afinal, qual das duas opções é a verdadeira? Estou confuso aqui.
--Homem implicante, está morto e ainda discute. Assim não vais entrar aqui e...
Trirrim... Trirrim... Trirrim... –Ã, que é isso? Nossa, é a campainha do telefone que me acordou. Ai, ainda bem, que sufoco, eu estava sonhando com alguém que morreu e estava em apuros... Mas, não consigo lembrar tudo do sonho. Teria sido uma experiência extracorpórea? Sei lá... Hum... Hum... Que cheirinho de café. Que bom, hoje nada tenho a fazer, acho que vou escrever alguma besteira.

Altino Olimpio

sábado, 18 de junho de 2011

Espiritualidade

Recentemente li um artigo sobre espiritualidade. Inicia-se com esta frase: “Espiritualidade é um estado de consciência”. A seguir o autor cita muitos exemplos do que seja a espiritualidade, como, “é o que se leva no coração, é discernimento em ação, é o amor em profusão, é sentir a vida que pulsa em todas as coisas, é respeitar a si mesmo para respeitar o próximo, paz de espírito, e etc”. Tudo isso o autor conceitua como sendo espiritualidade. Discordo! Isso tudo só tem a ver com o modo de ser de um ser humano considerado normal. Mas, o que seria espiritualidade? É um conceito surgido da concepção da “parte” etérea do corpo chamada de alma. O homem esteve a definir que ela é imortal. Disso proveio a especulação sobre o existir de outro “mundo” onde a alma continuaria a existir tendo para si a eternidade. Lembrando, essa espiritualidade é um conceito subjetivo não comprovado objetivamente, embora, pela crença popular a maioria acredita na sua existência. Mantendo apenas por aqui a concentração de seus pensamentos e indiferentes ao que possa existir além deste planeta, os seres humanos se consideram exclusivos no universo. Acreditam ser especiais para um Deus, que, é onipresente em todo o planeta terra (se em outro planeta também, isso nem se fala). No ensejo para obter privilégios espirituais provenientes do Todo Poderoso, existem as organizações religiosas, místicas, esotéricas, gurus e outros. Para as “tentativas” são eficientes. Se os seres humanos esquecessem suas autoimportâncias, talvez, pudessem intuir que o universo com suas convulsões e explosões prossegue na criação, expansão e destruição de seus astros, indiferente ao que possa ocorrer na terra e, se existe Deus ou se as criaturas daqui morrem e continuam existindo, se existe um paraíso e etc. Essas coisas parecem não existir na imensidão, onde, estrelas e planetas surgem, crescem, diminuem, implodem, buracos negros sugam tudo que existe ao redor e etc. --Talvez, suguem até mesmo espiritualidade (risos). Então leitor, texto meio confuso este, não? Você não entendeu bem, não é? Não entendeu o texto, mas, pode entender tudo sobre alma, espírito, pra onde vão, se vão voltar e quando. Parabéns, isso é que é espiritualidade. É um poder espiritual esse de concretizar ou substantivar o abstrato. Sendo assim ninguém mais duvida da existência de outro mundo invisível para seres invisíveis.

Altino Olimpio

Mundo superlotado

Atualmente este mundo possui cerca de sete bilhões de seres humanos. Quantidade esta a estar criando problemas para a nossa existência, como dizem os entendidos sobre essa questão insolúvel. Somando-se todas as pessoas que existem com todas as que já morreram, por ocasião da ressurreição o mundo vai ficar tão pesado e abarrotado de gente que poderá se desviar de sua órbita em torno do sol podendo se chocar com o planeta marte. Aqui na terra as cidades se espalharão por todos os espaços ainda disponíveis sem deixar espaço para a agricultura e para o gado que alimenta os vegetarianos. As filas para sacar dinheiro dos bancos (que alegria) terão quilômetros e mais quilômetros de comprimento. Nas ruas, trombadas constantes entre pessoas (bom para os batedores de carteira) irão impedir a circulação delas. Bom é que as pessoas não mais vão envelhecer. Vão falir os institutos de beleza e as academias de “rejuvenescimento”. Será um paraíso na terra. Só será conjugado o verbo amar: Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais e eles amam.

Altino Olimpio

O mundo era mais infantil

Recordar é viver ou recordar é sofrer? Talvez recordar seja buscar na mente imagens do passado que comparadas com as imagens do presente, as do passado pareçam não ter existido e apenas terem sido belos sonhos. Hoje quase não vemos crianças pelas ruas nos seus folguedos. Antigamente elas ocupavam as ruas com seus brinquedos e seus alaridos ecoavam pelas imediações como sendo música para os adultos. Eram consideradas crianças até ao completarem quatorze anos, idade esta considerada propícia para se iniciarem no trabalho formal. Hoje, muitos dos brinquedos de outrora permanecem esquecidos. Crianças desta época nem imaginam que tais brinquedos existiram nem mesmo a liberdade que as crianças tinham de brincar com outras. Das “coisas que não voltam mais” minha memória reteve muito dos divertimentos daqueles tempos “inesquecíveis” esquecidos. Juntos, meninos e meninas se divertiam em pular corda, brincar de piques, queimado, amarelinha, cirandinha, rodar iô-iô, bater peteca, pula na mula, escravos de Jó, cabra cega, bolinha de sabão e etc. Mais para os meninos, futebol de rua com bola de meia. Jogo de taco ou de derrubar casinha, empinar papagaio no morro, construir cabana no mato, rodar pião, rodar arco ou pneu pelas ruas, jogo de malha, caxeta, jogo de botão, bolinha de gude, carrinho humano, jogo com figurinhas (jogar bafo), carrinho de quatro rodas fabricados em casa como também cata ou papa–vento. Possuir estilingue era comum entre os meninos. Nadar na lagoa, catar pinhão, frutos do mato e também as malvadezas faziam parte daqueles tempos de total integridade com a natureza. Explicar como eram aqueles brinquedos ocuparia muito espaço aqui. Tirava-se o “par ou ímpar” para se saber quem iria começar um jogo ou uma brincadeira e às vezes era assim: Alguém falava par e outro respondia “eu cago e você põe sar”, ou então, depois de um ímpar outro respondia “eu cago e você limpa” (risos). Era mesmo tudo na farra. Até antes dos quatorze anos, comum eram o meninos andarem descalços, inclusive ao irem pra escola onde, de fato, existia mesmo o aprendizado escolar.
Crianças daqueles tempos não ficavam doentes e doenças até pareciam que não existiam. Claro está que estas reminiscências são lá do extinto Bairro da Fábrica de Papel desta Caieiras onde nasci e me criei. O local parecia um mundo separado do mundo. Crianças se contatavam com crianças e seus pais não tinham com o que se preocupar. Quem no passado teve mesmo a felicidade de ter sido criança como criança deveria ser, talvez, se ressinta ao notar que seus filhos e netos não estão sendo crianças como deveriam ser. Às vezes me parece que homens que não foram crianças não sejam homens para o humano viver entre os homens. Falta-lhes aquela reciprocidade aprendida quando crianças entre as crianças. Voltando ao passado, lá sim éramos pegos de calça curta (risos) brincando nos balanços com as meninas tão atraentes com suas tranças nos cabelos.

Altino Olimpio

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nadar, nadar e morrer na praia

A vida na terra é infindável, mas, o vivê-la termina no fim do prazo da existência corpórea. A vida ao abandonar do corpo chama-se morte. Ela, se sempre questionada poderia implicar em mudanças no modo de vivê-la. Algumas mudanças poderiam evitar contrariedades futuras. Mas, não! Talvez todos, em seus subsequentes cotidianos evitem imaginar se o que pretendem para si não venha a causar-lhes dissabores. Mas, como saber disso se o porvir é só incerteza? Entretanto, sempre se fica sabendo de alguém envelhecido tornado indiferente, intolerante, aborrecido com a vida e com a perda do interesse por quase tudo o que é apreciável por outros, inclusive, com a perda de interesse por eles também. Situação esta, evidente nos desvencilhados das ilusões, das vaidades e das superstições, “combustíveis” que foram para suas vidas. Para eles, os ainda entretidos nessas “prisões mentais” lhes são insuportáveis. Que inevitabilidade! Tais prisões encontram liberdade de se apoderar até dos familiares e de seus descendentes. Sem generalizar, um homem quando se situa na fase precedente ao seu final, sendo reflexivo (e nem precisa tanto) poderá perceber o quanto se encontra desajustado entre seus próximos, como se, “sua vez de ser” tenha passado. Muitos nessa mesma fase, quando poderiam desfrutar do conforto pelos bens adquiridos, problemas de saúde os impedem. Visão e audição enfraquecidas, alimentos poucos a poder saborear, memória e consciência abaladas, dores e o andar cambaleante são os componentes da apoteose de suas vidas. Parece que a natureza ri das peripécias humanas para prolongar a juventude, encontrar a felicidade e o conforto no final de suas existências. Tudo em vão! Poucos não são afetados por anomalias físicas e mentais, embora, sejam comuns nesta época calamitosa. Esses poucos têm a “felicidade” de pouco a pouco ir definhando, algumas vezes só tendo que ouvir de pessoas francas e autênticas, isto: Ai que lindo, ai que bonitinho. De fato e até poderiam participar de um concurso de beleza. Contudo, aqui ficou uma dúvida. Em qual fase da existência nós somos nós mesmos de verdade? Na fase de quando crianças, na de jovens, na de adultos ou na fase de velhos? Qual delas será escolhida para a nossa ressurreição? Gostaria de saber. Enquanto continuo por aqui só boiando, já nem nado mais, pois, matutando fico a me perguntar se alguma vez foi notícia alguém por milagre “não ter morrido na praia depois de ter nadado, nadado e tanto ter nadado” e ter provocado ondas, só ondas.

Altino Olimpio

domingo, 29 de maio de 2011

A sub-raça

No recente século passado poucos ouviram falar da estratégia de uma minoria ao querer criar por todo o mundo, a sub-raça humana. A diferença entre raça e sub-raça é que a primeira tem um grau de compreensão inatingível pela segunda. Os “ingredientes” para a formação dela são perceptíveis. Enfraquecer e mesmo distorcer a instrução, massacrar a população com entretenimentos mil, provocar a imoralidade, os falsos valores, banalizar o sexo, a violência e etc. Os meios áudios-visuais de comunicação das massas seguem esses propósitos. Propalados, o inútil e o fútil se transformam em importâncias. Quem tiver sido vitimado por parte ou por todos os “ingredientes” acima e conduzido que foi a afeiçoar-se ao banal pode ser a sub-raça desejada por aquela minoria. Pela internet, coincidências ou não, somos invadidos por outros nos transpondo suas imbecilidades e isso faz pensar se são... (risos). O objetivo do criar uma sub-raça (se for verdade, até existe leitura a respeito) seria refrear a sensibilidade ou percepção, o raciocínio e o discernimento do povo para mantê-lo subserviente ao sistema do domínio vigente. Pensando melhor, isso de sub-raça não existe. Prova que não é a epidemia dos telefones celulares. Em todos os lugares, públicos ou não, vemos seus usuários se comunicando sobre temas por demais importantes para eles mesmos e para a sociedade. O avanço intelectual do povo contradiz a utopia de tentar retroagi-lo mentalmente. Na política também, o germe da evolução está presente na raça. Lá ninguém tem e nem pode ter como prioridade seus próprios interesses. Talvez por isso o país tenha dificuldade de encontrar quem queira se candidatar a cargos públicos. Ninguém quer se macular. Isso só acontece onde existe uma super-raça.

Altino Olimpio

domingo, 22 de maio de 2011

Cadê você

Cadê você?

--Quo vadis? (Aonde vais?)
--Ah! Estou indo pra minha terrinha a procura de desaparecidos. É que... Parece que sou do tempo das carruagens e agora diante de tanto progresso, tanta modernidade e tanta tecnologia me encontro perdido. Parentes, amigos e conhecidos estão desaparecidos, não os vejo mais. Aliás, também, nem eu mesmo me vejo. Pouco saio por ai e não me vejo na rua. Estou com saudade de mim mesmo. O que terá acontecido com as pessoas? Não se gostam mais e por isso evitam se encontrarem? Nas raras vezes ao se avistarem em locais de compras ou outros, até parece haver desinteresse pela alegria de um reencontro. Antigamente mais as pessoas se deslocavam a pé. Em qualquer lugar onde se viam, paravam pra conversar. Era comum conversarem tranquilamente nas ruas. Hoje não, mas... Num desses dias de quando a gente se sente sozinho no mundo, tua imagem surgiu no meu pensamento. Incrível não? Dentre tantos rostos cujas fisionomias estão mantidas em minha memória, foi o teu que me apareceu. A curiosidade se fez presente querendo indagar como está você. Como satisfazê-la se nunca mais nos vimos e agora nem me lembro de quem possa me informar sobre você? Terá tido na vida mais alegrias que tristezas? Sabe, sua presença em meu pensamento me trouxe melancolia. Isso me fez rebuscar na mente outros rostos conhecidos de outrora. Eu os vi na importância que foram para mim. Neste instante eles me são muita saudade. Onde e como estarão? Quais deles já seriam ausências que eu não soube? “O tempo é um trem expresso e as estações são as pessoas queridas que deixamos para trás”. Quando ultrapassando a maturidade nos vemos no esquecer e no ser esquecidos. Para muitos, pessoas que lhes foram queridas serão como se não tivessem existido em suas vidas. Puxa-vida! Às vezes estes devaneios me separam da realidade do presente. Gosto deles, mas, ainda bem que não são freqüentes.

Altino Olimpio

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Autotraição

Autotraição

O que na realidade seria ser adulto? Adulto não seria quem resolve seus próprios problemas? Não estaria ele apto a se orientar pelo seu raciocínio? Sim, orientando-se por si mesmo, isso, seria ser adulto e deveria ser comum entre as pessoas. Mas, não! A maioria das pessoas tidas como adultas se expõe a acatar sugestões, costumes e conceitos provenientes de raciocínios de outros. Sendo assim, a maioria é massa de manobras. Quem se sujeita a reunir-se em grupo para ouvir apenas um a impor suas ladainhas a serem seguidas, trai a si mesmo por postar-se submisso às influências de outro. Sabe-se, quando crianças todas tiveram a necessidade e a obrigatoriedade de reunir-se a outras em salas de aulas para adquirirem o aprendizado, cujo objetivo era o desenvolvimento do raciocínio. Nessa circunstância pueril e depois juvenil estiveram a ouvir apenas uma pessoa por vez a instruí-las, um professor ou professora. Nesse caso a instrução esteve a ser comprovada como tendo praticidade geral. Podemos chamá-la de ciências exatas para o domínio público. Entretanto, muitos não tão adultos envolvem-se com ciências inexatas, aquelas a ter conclusões subjetivas sem ter correspondência objetiva ou real. Isto já é percorrer pela obscuridade das abstrações. Aceitar existências que não se pode sentir, tocar, ver, ouvir, comprovar e não ter a mesma conceituação delas por todos, tais “existências” são abstrações. Estas, diariamente têm seus difusores e seus receptivos concordantes. É comum o fato de muitos se reunirem para ouvir apenas uma pessoa transferindo sua “incontestável” convicção de como uma entidade incorpórea está a vigiar, dirigir e sanar as necessidades dos seres humanos. Ter que ouvir uma só pessoa a proferir conceitos foi necessário na infância e adolescência como acima exposto, mas, não no estado de adulto, quando, por si mesmo cada um deveria ter o poder de discernir sobre o que é viável ou inviável. Afastar o raciocínio para aceitar explanações quando elas podem ser duvidosas, isso é autotraição. A realidade é isenta de características atrativas. Por isso é costume geral gostar de “teatrá-la” com imaginações, superstições, inverdades e ilusões. Com essas “propriedades” subjetivas adquiridas o ser humano costuma dispensar a realidade. Contudo, diante de uma minoria de pessoas esclarecidas, para as menos tolerantes entre elas, as próximas e acima “propriedades” subjetivas e seus proprietários são motivos de desdém. Quanto ao que seria ser adulto de verdade, preponderante é que ele tenha clareza mental para evadir-se das armadilhas doutrinais falsas ou hipotéticas, para as quais, a maioria é aderente. Acompanhar a maioria por ser maioria pensando que ela sabe sobre o que de fato lhe convém, isso é absurdo. Existem pessoas incapazes de ler e entender este texto. Entretanto, arvoram-se como entendidas sobre fatos e “vida” existentes no além da fronteira onde suas consciências não conseguem definições e nem mesmo penetrar.

Altino Olimpio