sábado, 20 de fevereiro de 2010

Desconfortos

A natureza sorri quando o ser humano invoca uma entidade que é inexistente para evitar calamidades que com todos a ver não querem perceber.

Entre bandidos, pseudo-religião e política o povo desentendido de uma nação se vê numa situação apocalíptica.

Pouco a pouco vão desaparecendo os nossos conhecidos e nós ainda não perecidos vamos vivendo perdidos entre os desconhecidos.

São nos asilos que aqueles que também foram filhos são para os mais novos considerados despojos.

Com bandidos por qualquer rua não mais podemos nos distrair olhando a lua.

O tempo e o clima são professores que a ninguém ensina porque os homens os subestima mesmo quando uma catástrofe os vitima.

Desde sempre o homem comum foi programado, mas está ai a pensar que é por si mesmo que é capaz no que pensa e no que faz e sem saber se satisfaz.

A internet está sendo eficiente para os cretinos repassarem idiotices tentando serem-nos atraentes e nem imaginam que são considerados dementes.

A velhice nada mais é do que um refúgio para aqueles que se afastaram das doidices.

O homem pensando que é o preferido de Deus está com isso querendo dizer que Ele é incapaz para preferências.

O lazer mais está pra quem não tem o que fazer.

Os que dizem ter vida espiritual são vítimas de uma ilusão intelectual.

Nascemos sem saber, temos que viver sem saber o que pode nos acontecer e até antes de morrer só sabemos que não sabemos porque e para que vivemos.

Carnaval é para os adultos voltarem a serem crianças como se alguma vez tivessem deixado de ser.

Quem leva a vida muito a sério não deve ser muito sério.

Parece que mais os bandidos obedeceram ao crescei-vos e multiplicai-vos, pois, livres vivem por todos os lugares sem deles mesmo ter medo como nós deles temos.

É proibido andar armado e só faltam os bandidos a serem informados.

Altino Olimpio

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nós, os clones

“Todos nós nascemos originais e morremos cópias” (Carl Gustav Jung)

Já disseram que ao nascer uma criança é como uma esponja limpa e os adultos disputam entre si quem mais vai sujá-la. Isso já se inicia no lar, na escola, no trabalho, pelos meios de comunicação escritos, auditivos e visuais e nos contatos com outros. Isto tudo implica em imitações. É ser sem saber igual como outros costumam ser. Somos uma individualidade acrescida pelas experiências de outras no que aceitamos, aprendemos e conceituamos através delas. Assim é e teve que ser no manter e no transpasse de conhecimentos para a continuidade deles de geração em geração. Nossa individualidade (nosso eu) consiste num acúmulo de conceitos já existentes e adquiridos ao longo de nossas vidas. Inconsciente, o subliminar introduzir-se deles em nossos pensamentos se traduz no como somos nós. Somos resultados de condicionamentos. Sem eles seríamos como uma criança ao nascer, com todas as áreas do cérebro vazias de conceitos, por isso, ainda sem consciência. O cérebro ao ir captando o som de vozes ao redor inicia assim seu preenchimento com conceitos (aprendizado), e que, memorizados são e dão o início da formação da consciência. Esta, em seu princípio “copia” de outros suas experiências. Isso nota-se no falar e nas imitações produzidas pelas crianças ao até nos provocarem graça. Quando adultas sendo “crianças grandes” como são em sua maioria, ainda tendo a tendência infantil de tudo imitarem, elas tornam-se joguetes de interesses alheios. Voltando à frase acima do Jung, nada temos de original. O “eu sou eu” melhor seria “eu sou o que outros são em mim”. Nisso todos os seres humanos são comuns. Incomuns foram somente os autênticos filósofos ao promulgarem seus próprios e outros conceitos de como melhor a existência poderia ser. Tudo em vão, seus escritos serviram de passa tempo para os “intelectuais”, mas, não para serem seguidos. Outros, por mais serem cópias são incapazes de assimilar conceitos outros que estejam além dos comuns, triviais e óbvios de seus cotidianos. Sendo maioria, os “cópias de cópias” estão por todos os lugares se espalhando. Triste é aturá-los, conquanto, sabe-se da regra humana de “aceitar ou outros como eles são”, regra esta sendo agora um sacrifício nestes dias de surdez e cegueira intelecto cultural.

Altino Olimpio