quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Liberdade prisioneira

E você é livre? É nada! Vive amedrontado até em sua própria casa. Desconfia de qualquer um que encontra na rua. Neste mundo em que “todos são filhos de Deus” e entre eles uma quantidade enorme é bandida, quem é livre? Todas as instituições, inclusive as religiosas falharam ao conter os impulsos satânicos de muitos seres humanos desta época tida como diabólica. Só não enxerga quem não quer. Dentre o povo, sua maioria se encontra perdida e incomunicável entre si diante de tantas distrações “fabricadas” pela mídia. Tais distrações ou distorções ai estão apenas para embrutecer o povo. Este, coitadinho, se adéqua a qualquer costume que é sugerido. Num país muito movido a cerveja e futebol o resultado é visível e nada surpreendente. Conseguiram destruir a capacidade de se indignar com as aberrações humanas. Estas estão por todos os lados, agora toleradas e às vezes até aceitas como normais. O animalzinho chamado homem, ele desde que nasce é programado sem saber. Sua programação já começa na família onde é programado por quem já é. Depois, a sociedade completa sua programação. É quando o vemos sendo mais ou menos igual a todos e sendo parte da massa de manobras. Coitado daquele que conseguir se desprogramar. Esse seria um infeliz. Ver-se-ia entre tantos ignorantes, inclusive seus próprios familiares. Seria mais um dos considerados esquisitos sem ser. Esse acordar do pesadelo da programação, essa libertação talvez seja a tal de iluminação que, sem dúvida é para poucos. Resumindo, quase mais ninguém se é. Todos mais são pelo “o que se é dos outros e estes de outros”. Com a liberdade de ser prisioneiro das comunicações, principalmente das inúteis, com elas mais o povo convive com o que não se relaciona com as necessidades de sua vida. Filtrar o que interessa já se tornou ficção. Entretanto, para aqueles com cérebros desusados devemos sentir orgulho, pois, para eleições são bem preparados.

Altino Olimpio

Saudades das visitas

Antigamente, as famílias se visitavam. Era muito divertido, ainda não existia televisão. Os adultos ficavam na cozinha conversando e as crianças ficavam brincando em outro cômodo. Era uma farra, um atirava coisas no outro e de vez em quando vinha à bronca: Parem com isso, não façam bagunça! E a bagunça continuava. Mas também, os adultos só ficavam falando dos outros. A gente escutava: “Você viu aquela sem vergonha? Bem feito! Ela agora está barriguda. Também pudera a mãe lhe dá muita liberdade. Às vezes ela saia e deixava a moça sozinha com o namorado. Tinha mesmo que dar no que deu. O namoro dos dois era um escândalo, se beijavam em qualquer lugar, parecia que tinham fogo no rabo. Mas viu, e o marido ele não proíbe nada? Que? O marido? Então você não sabe? Ele anda com aquela biscate lá do escritório. Cala-te boca, não é que gosto de fazer fofoca, mas, sei de cada coisa. Sabe a fulana? Sempre num dia da semana ela se arruma e vai pra São Paulo. Pra mim ela tem um macho por lá. Ah é? Faz ela muito bem. Tendo marido chato como ela tem até eu faria isso. Não faço porque meu marido é um santo. Olha, por falar em santo, a outra lá meio parenta nossa aquela sim é que é santa, só trabalha e o marido dela é um bodão. Todo mundo sabe menos ela. Ela sim é que devia botar um chifre nele”. Eram mais ou menos assim as visitas e como crianças não podiam participar das conversas, elas ficavam brincando. Brincar de médico era uma delícia. Fingia-se estar com um estetoscópio e colocavam-se os dedos de uma das mãos nas tetinhas das meninas para ouvir seus corações. Bom era quando a prima falava: Doutor, minha dor é aqui na coxa. Ai que bom! Levantava-se o vestidinho dela, e se dizia: Aqui não precisa de remédio. Deite-se na cama para uma massagem. Que massagem saudosa! Às vezes coincidia o apito da fábrica de papel anunciar vinte e duas horas e as “consultas” ainda não tinham terminado. É bom parar por aqui, mas, esse “voltar ao passado”, foi tão bom. Atualmente parece que mais ninguém se visita. Brincar de médico então, nem pensar. Talvez só em outra reencarnação.

Altino Olimpio

domingo, 12 de setembro de 2010

Amizade ou tolerância?

Amizade! Muito desejável não é mesmo? Mas, não dizem que as boas amizades são quando as pessoas têm o mesmo jeito de ser? Isso hoje é difícil. Cada um tem sua loucura. Uma pessoa que em nada acredita pode se entender com outra que acredita em quase tudo? Se for uma amizade para ambos ficarem calados até que pode dar certo. Quando uma delas começa a falar no que acredita, haja saco para agüentar. Pior é quando uma quer levar a outra onde acredita que é bom. Se a outra recusa a amizade já começa a declinar. Deve ser desgastante ter amizade com quem convive com mentiras e não se consegue lhe abrir os olhos. Alguém já disse: “As pessoas acreditam no que elas querem acreditar”. Nada melhor do que ter amizade com uma pessoa totalmente vazia de conceitos duvidosos, esses que proliferam pelas cabeças ocas da maioria. Quem acredita neles e insiste em exteriorizá-los não é agradável numa conversa com quem é mais realista. Quando é assim, a “amizade” é apenas o “um tolerar o outro”.

Altino Olimpio

Adeus as ilusões

Hei senhor! Como tem passado? Como te estão sendo os dias nessa tua idade já bem avançada? O tempo passou depressa demais. Hoje o senhor já deve ter se livrado de muitas ilusões. Deve ter percebido que tanto falatório, discussões e tantas opiniões lá no passado não serviram pra nada, não é? Já percebeu ou desconfiou que muitas das tuas verdades e as dos outros não eram consistentes. Verdades, pra que servem quando se envelhece e se depara com a realidade que é a proximidade da morte? Já se conscientizou que o senhor não mais faz falta em lugar nenhum? Conseqüência da tua idade e parece que já se habituou a isso. Na tua família, não parece que os filhos vivem em outro mundo? O mundo em que eles vivem é o mesmo em que o senhor já viveu. O mundo das ilusões, das trivialidades, banalidades. Já observou como os animais reagem diante da velhice? Eles não procuram “sarna pra se coçar” como faz os seres humanos. Eles se alimentam, dormem e quase mais nada. Nós é que criamos tanta coisa para pensar, para fazer. Tudo é um passa tempo para esquecer que a morte está se aproximando. Alguns se envolvem e entram nas “ondas dos outros” em práticas que não condizem com suas idades e podem ser um “cair em ridículo” sem saber. Contudo, a velhice traz uma vantagem. É não ter mais saco para ouvir conversa mole dos mais jovens, como se, nada de interesse pudesse vir deles. O sossego deveria estar aliado à idade avançada, mas, vemos que não está nesta época farta de tantas complicações. Dívidas, preocupações, dores, doenças, violência, problemas com familiares e etc. Descubra por si mesmo que na tua idade o melhor é em mais nada se envolver e desfrutar de uma paz que só pode existir dentro de ti mesmo. Como se faz isso? Boa pergunta. Talvez não tenha respostas. Tem coisas que não se consegue responder se quem pergunta preparado não está para entender.

Altino Olimpio

domingo, 29 de agosto de 2010

Crianças obedientes

Quando se era criança se fazia o que os adultos queriam. Antigamente eles ensinavam a pedir bênção a todos os tios e avôs. “Benção tio, benção avô”. As mães exigiam: Filho peça a bênção para o tio. Sem saber o que era isso a criança pedia a tal de bênção e nenhum tio a tinha para dar. Deus te abençoe, eles respondiam. Coitado de Deus, já tão velhinho lá no céu cochilando, ao escutar “Deus te abençoe” tinha Ele que descer aqui na terra e dar a bênção pra criança. Cada coisa não? Quando criança sempre eu pedia bênção para um tio e ele também, como sempre, transferia o pedido para Deus: “Deus te abençoe”. Só que, ele era ateu e o coitado pra me agradar mentia como se ateu não fosse. Na presença de outro tio a ordem era a mesma: Filhinho pede bênção pro tio. Puxa-vida, o tio era bêbado e não saia da zona e devia mesmo ter muita bênção para dar. Pior de tudo é que era costume ao pedir a bênção ter que beijar a mão deles. Naqueles tempos idos, em Caieiras onde nasci à maioria das pessoas só tomava banho uma vez por semana, comumente aos sábados. Talvez, por isso, os homens viviam coçando o saco quando colocavam a mão no bolso da calça e este sempre estava furado. Nessa condição contagiosa é que os sobrinhos beijavam-lhes a mão ao pedir-lhes a bênção. Uma vez eu fiquei bravo e falei: Olha aqui mãe, eu não peço mais benção pros tios porque nunca eles dão. Sempre falam a mesma coisa “Deus te abençoe”. Fala ai onde Deus está que vou pedir direto pra Ele. Entretanto, depois de tantas vezes pedir bênção para os tios, não é que graças a eles hoje sou abençoado, juro por Deus. Nunca se deve duvidar do que os adultos sabem e ensinam para as crianças. Crianças com crianças sempre se entenderam bem.

Altino Olimpio

domingo, 22 de agosto de 2010

Mensagem entre amigos

Rapaz, se alguém diz por ai que sou louco devo pensar que tem razão sim. Com todo o interesse reli o texto "Vazio da Existência" do Schopenhauer e não é que me deu ataque de riso. Não devia ter tido essa reação ao ler algo tão sério e que se refere a nossa existência. Mas, o filósofo me faz olhar para as pessoas como se todas fossem doidas (risos). A vida, na verdade ela é uma "pegadinha". Platão pergunta: "tornar-se continuamente e nunca ser, isso é a vida?" É mesmo, as pessoas procuram evoluir para um estado de ser só para continuar a nada ser (risos). Para as pessoas, os presentes são os preparos para o que se quer ser num futuro como se ele estivesse demarcado em algum lugar do tempo. Que nada, esse futuro imaginário quando chegar ele também poderá ser um presente ainda preparatório para outro futuro mais distante e assim sucessivamente (risos). Vivendo-se o presente pensando no futuro não se vive o presente. Mais aconselhável é sempre se viver no presente, mas, ele não é estático. Tudo o que nele ocorre imediatamente se transforma em passado. Os presentes são apenas momentos ininterruptos de percepção da consciência e a seguir deixam de existir igual às coisas que não existem. O que passou, passou, e fica somente na memória. Não existe mais. Mesmo assim flui no pensamento distraindo o homem do seu presente até tornando-o alheio as circunstâncias a sua volta. Sendo assim, pode-se dizer que ele não tem alguns momentos conscientes de seus presentes. O homem é prisioneiro das coisas que não existem a interferir com as que existem. "Todos dormem" disse o Gurdjieff. “A vida é um beco sem saída” (Pedro Nava). Bem, vou parar por aqui. Vou ficar na janela “olhando” o presente e tentar não me separar dele, se é que isso é possível (risos). Bem, dormir, comer, fazer cocô e dar risada, só mesmo essas coisas são sem as divisões do tempo. Existiram no passado, existem no presente e existirão no futuro e sempre sendo iguais (risos). Então, o resto é só o resto.

Altino Olimpio

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Viagem ao passado

Hei! Vem comigo, não tenha medo. Deixe teu corpo dormindo ai. Vou te levar para uma aventura. Segure-se na minha mão, pois, precisamos ambos estar num mesmo lugar, no mesmo dia e na mesma hora. Estamos chegando, você está ouvindo música? Pronto, chegamos. Olhe, estamos no passado e olhe só aonde viemos parar. Nossa, que cheiro de pipoca. Voltamos uns 50 anos ao passado. Aqui é Caieiras e estamos numa festa de igreja. A música que estivemos ouvindo antes de chegar vinha daquele coreto. É da Banda que anima a festa. Quanta gente não? Conheço a maioria dos que estão aqui. Vamos nos misturar entre eles, pois, ninguém pode nos ver. Observe, as famílias comparecem com seus filhos. São uma das razões de termos muitas moças e rapazes nesse vai-e-vem de pessoas, até parece que todos estão num flerte para encontrar a contraparte (risos). Está percebendo a simplicidade desse povo. Essa simplicidade e união entre eles vão perder, mas nem desconfiam disso. Essa descontração vai desaparecer. Televisão, automóvel, telefone celular, corrupção no país, violência e a internet, tudo isso e mais estarão a separá-los no cada um na sua e em suas casas. Chegue-se aqui na barraca da quermesse. Veja aquele rapaz ali. Muito educado, sorridente e brincalhão ele é uma simpatia. Daqui não há muito tempo ele vai morrer afogado. Bem, dessas pessoas que são de uma geração anterior a minha a maioria não mais estará entre nós na época em que vivemos no inicio do século 21. Estou aqui vendo esses rostos que nunca mais vi. É uma mistura de alegria, de tristeza e de saudade. Olha o padre também está ai. Padre muito querido e famoso. Muito comentado dizem que é o amor de várias mulheres daqui que são casadas. Veja essa jovem aqui perto da barraca de ofertar música. Ela vai se casar e tristemente logo ela vai ficar viúva. A outra ao lado dela não vai ficar viúva, mas, vai sofrer com o marido porque ele vai ser um alcoólatra. Aquele casal se distraindo na barraca de pesca vai perder um filho a ser atropelado pelo trem. Aquele rapaz ali parado pensativo, ele vai dar um tiro numa moça e depois com a mesma arma vai se matar. Por aqui tivemos muitas tristezas também. Alguns destinados a tê-las nunca mais foram os mesmos. Neste instante estamos vendo-os sem suas feridas e quando eles nem imaginam o que os espera. Não vou mais te contar o que vai acontecer com outros que aqui estão. Não podemos nos emocionar porque senão nossos corpos nos puxam de volta para eles. Estando aqui você não percebe as tão boas vibrações dessa gente ainda tão simples e honesta? Percebe como são saudáveis? Ainda não existem os tais de fast food, alimentos industrializados. Lá na nossa época como você sabe muitas pessoas são vítimas de doenças e até parece que, a preocupação dos “combatentes” delas é o manter delas e não as suas curas. Vamos voltar pra barraca de música. Essa jovem está escolhendo uma música para alguém. Mas ela vai pedir à música que nós queremos que ela peça. Que? Ah isso é fácil conseguir. Fique vendo, vou entrar no corpo dela e fazer com que ela escolha a música siboney. Pronto, agora é só esperar o locutor ai anunciar. Escute! “O serviço de som anuncia: A moça que está de saia branca plissada e de blusa vermelha oferece a música Siboney para o rapaz que está de jaqueta cinza e calça preta”. Viu, viu como foi fácil. Escutemos a música também. Sabe por que te trouxe aqui nesta época do passado quando de verdade mais as pessoas eram simples? Essa gente aqui da festa da igreja é mais autêntica no viver sem ainda a ambição de adquirir conhecimento. Não estão contaminadas pelas tantas mentiras lá do nosso tempo. Charlatões abundam por lá. São tantas instituições filosóficas, psicológicas, filantrópicas, sociedades secretas, religiões e etc. Disseminam o impossível, o impraticável, tudo a troco de tirar dinheiro dos ingênuos. Alguns espertalhões enriquecem muito. Muitos perdem seus tempos com coisas impossíveis de existir. Diferente dos animais o ser humano não sabe a medida de suas necessidades. Sempre está a procura de desnecessidades e com elas se envolve para se confundir e atrapalhar suas necessidades reais. Estão na senda da iluminação (risos). Grande Fraternidade Branca, mestres invisíveis, ler pensamento, telepatia, levitar e etc. Nada disso existe. Para cada tipo de gente tem um tipo de rede para pescá-lo. Alguns até que descobrem que estiveram envolvidos com ilusão. Sendo assim escapam dela para depois cair em outra. O ser humano adora ter bengalas para se apoiar. Mas, estamos aqui nesta festa do passado. Puxa-vida a barraca de som está ótima com as músicas desta época. Lá na nossa nem mais ouvimos músicas agradáveis como estamos ouvindo aqui. O que? Ah, você está pensando ai “mas que contradição, desacreditou tudo e ao mesmo tempo discorreu sobre uma viajem ao passado através de uma projeção astral. Que incoerência!” Incoerência? Nada disso. A explicação é bem simples. Isto tudo foi apenas um programa de rádio. Estive brincando com a tua imaginação. Iniciei te ordenando “vem comigo” e você como bom ouvinte que é e como sei que tu tens muitas lembranças me foi fácil conduzi-lo por elas. Você ouviu a banda, “viu” a festa de igreja e tudo conforme já viu no passado. Você reviu na mente, pessoas que não mais existem. Viu pessoas antes de suas fatalidades. Nós somos o que nós fomos. Tudo ficou registrado, basta apenas um estímulo como este de hoje para certas lembranças retornarem. Bem, agora que tudo está explicado não precisarei fazê-lo retornar ao seu corpo. Sorte sua porque por sacanagem eu poderia te retornar no corpo de outro e você não iria gostar (risos). Té mais ver e tenha um bom fim de semana. “O tempo passa e nós somos a Rádio de Caieiras, 87.5 FM. Este programa se chama Caieiras de Sempre, que, é levado ao ar às sextas-feiras a partir das vinte e duas horas. Também transmitimos pela internet cujo site é WWW.radioondafm.net Música e na sequência voltamos.

Altino Olimpio

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A VIDA

Então a vida é isso? Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Tudo o que vivemos e que está na memória se apaga? Por que então tanta agitação, tanta preocupação se voltaremos a ser o que éramos antes de nascer, “nada”. Entretanto, dizem que a vida se resume em viver seus momentos. Bem, de verdade vivemos sim bons momentos. Foram quando estivemos alegres e sentindo felizes. Os bons momentos passam e eles nunca se repetem da mesma maneira como foram. Também fomos felizes com pessoas e elas também deixaram de serem as mesmas, ou, nós mesmos é que deixamos de sermos os mesmos para com elas. É assim, na vida tudo muda. Vida é mudança. Nada que aconteça numa vez será igual na próxima vez. Quando mais jovens ansiamos por algo e mais tarde quando o temos, o mesmo parece que perdeu o encanto. O desejar é mais estimulante do que o conseguir. Na velhice o enfraquecimento do desejar fica a dizer que a vida está vazia. O participar da vida torna-se o assistir dela a passar. Sim, a vida se torna uma rotina às vezes até enfadonha. O passar dos dias faz com que eles pareçam ser iguais sem se diferenciarem. Os pensamentos sobre como nós fomos, ficam se comparando com o que somos agora, em nada sermos como outrora. Pessoas queridas tendo partido para sempre e não sendo substituídas nos deixam um sentimento de estarmos cada vez mais só. Nosso passado foi como termos sido protagonistas de um filme e faz tempo que ele saiu do cartaz. Nunca teremos reprise dele. A vida é mesmo assim. Agora nossos olhos ficam a filmar a vida a passar como se não mais estivéssemos contidos em seu enredo.

Altino Olimpio

domingo, 13 de junho de 2010

Quem sou eu?

Que mundo é este? Que vida é esta? Sem saber e sem querer apareci neste mundo. Aqui estou e só sei que preciso viver, não há como evitar. Que loucura, viver é não saber o que vai acontecer. Sei que vou morrer, mas, nunca vou saber quando e não depende de minha vontade. Posso morrer quando menos quero. Então, o que quero e o que não quero não são importantes? Não sou dono da minha vida? Que faço aqui então? Tenho na vida momentos felizes e momentos tristes. Tudo isso desfila pelos meus pensamentos. Serei eu um acúmulo de fatos existidos? Por que filósofos do passado disseram que a vida é uma ilusão? Nós por nós mesmos podemos não ter a importância que pensamos ter. A vida existe! Ela se introduz em corpos até quando eles têm condição de mantê-la atuante, isso, antes deles deixarem de existir. Tais corpos são aqueles que nascem, crescem e se reproduzem como os homens, os animais, aves, peixes, insetos, árvores, vegetais e etc. Claro que, a vida se manifesta conforme sejam os corpos onde ela está presente. Pra se manifestar através do homem, ela encontra um corpo melhor desenvolvido, onde pode se expressar como racionalidade e inteligência. Isso faz com que o homem se julgue uma individualidade, uma personalidade independente tendo a vida. Não seria ao contrário? Ao invés do homem ter a vida, não seria ela que o tem? A vida que existe, existe em todos os lugares, continua existindo e o homem deixa de existir, ele morre. A eletricidade e o magnetismo existem, mas ninguém os vê. Todos percebem a manifestação da energia elétrica nos aparelhos elétricos quando eles são ligados. Quando uma lâmpada se queima, isto é, quando ela deixou de iluminar, ela “morreu”. Entretanto, igual à vida, a eletricidade continua existindo, a lâmpada é que deixou de acender. Lâmpadas são substituídas, seres humanos também. Talvez tenhamos decifrado porque os filósofos disseram que a vida é uma ilusão. Ou melhor, a vida não é ilusão. A vida, ela é. O homem, como uma lâmpada tem um tempo de existência e nesse tempo a vida flui através dele até quando ele se “apagar”. No mundo tudo é assim. Tudo o que tem a energia de vida morre. A vida ainda é um mistério. Sabemos que ela anima corpos onde ela está introduzida. Além disso, nada sabemos. Especulações, adivinhações, imaginações sobre o que e para que é a vida temos de sobra. Somos constituídos material e mentalmente para sós termos percepção deste mundo onde existimos. Conceitos humanos para além deste mundo são abstrações até que, alguém prove o contrário. A ilusão dita pelos filósofos do passado está em o homem pensar que ele está na vida quando é a vida que está nele enquanto ele perdurar. Então, o homem está a realizar o que nele a vida requer. Embora pense que é ele que faz da vida como quer, ao contrário, e a vida que o faz como ela quer. Ele nunca sabe o que o espera no dia seguinte, coisas boas ou más podem lhe acontecer. Hoje ele pode estar alegre e amanhã pode acordar mau humorado sem qualquer motivo aparente para isso. A energia vida o que mais ela quer é o manter e a reprodução da espécie. Para isso se utiliza do instinto animal e a este o homem obedece mesmo sem saber. A ilusão está no homem pensar que é o dono de sua vida, quando, pode ser apenas uma marionete dela. A morte lhe vem e com ela expira tudo o que como homem ele foi. Isto está a entender que nada dele permanece e sendo assim ele é um ator temporário pelo qual a vida produz o seu teatro.

Altino Olimpio

Acontecia em bailes

Hei amigo, está gostando do baile abrilhantado por essa orquestra? É um espetáculo, não é? O que? Ah, você quer tirar a fulana pra dançar? Ah, não dá tempo? É rapaz quando a musica começa “esses caras” ai parecem uns desesperados correndo pelo salão para tirar as donzelas para dançar. Faça como eu. Tire-as de longe com um aceno de cabeça. Ela não te olha? Então desista, ela não se simpatiza com você ou pensa que você não é bom de baile. Sei não! Se você for lá tirá-la pra dançar talvez ela te dê taba. Por falar em dar taba, em bailes daqui sempre um rapaz levava uma de uma moça. Mas num dia... Ele foi tirá-la pra dançar e novamente ela recusou. Isso era horrível. A gente ficava com cara de tacho diante das pessoas que estavam próximas e a isso assistiam. O sangue subia, a gente ficava vermelho e perdia o rebolado. Voltando ao rapaz que levou taba, já prevendo isso, naquele dia assim que ela o recusou, ele jogou um punhado de mato no colo dela e falou: já que não quer dançar coma capim então (risos). Rapaz criativo não é mesmo? Também, quando uma moça dava taba em alguém e saia dançando com outro, isso às vezes acabava em briga, eram tapas e socos por todos os lados, principalmente se o “outro” era um sujeito de fora. Orra meu! Olha que cantora gostosa hummmm. Vai rapaz, desembucha, vai tirar a fulana pra dançar. Mas você já viu? Ela com quem dança sempre lhe coloca a mão no ombro para empurrá-lo se ele quiser se encostar muito. O que? Não ouvi, fala mais alto. Ah, entendi. Você disse que ela parece que tem o rei na barriga? (risos) Não penso assim antes de conhecer uma pessoa. Muitas vezes a gente se engana do que possa pensar sobre ela. Bem, eu não vim aqui para conversar com homem. Temos fartura de mulher por aqui, então, vou dançar. Ah, que saco! Quem eu ia tirar já saiu pra dançar. Vem, vamos até o bar, te pago um Martine. Depois voltamos aqui.

A vida é uma dança, sentimos no viver a sua semelhança
Já tivemos ritmos alegres quando muito rimos
Nas perdas vivemos como se tivéssemos perdido seus compassos
Uma melodia a despertar uma saudade ela doía
A vida nos dá um baile quando tira os nossos pares
Como o destino está a nos orquestrar temos que dançar
Que rufem os tambores e afastem os dissabores
Que o repicar da bateria devolva a minha alegria
Ah trompete, nos carnavais fui feliz entre confete
Violinos pareciam sempre estar em meu caminho
Agora, com acordes dissonantes nada mais é como era antes
Com acordes diferentes me vejo descontente.

Altino Olimpio

Onde estão as crianças?

Por que não mais se vê crianças pelas ruas? Antigamente elas estavam em todos os lugares. Brincavam na rua, jogavam bola, rodavam pião, jogavam bolinhas de gude, empinavam papagaio no morro, nadavam em lagoa, colhiam amoras silvestres na mata, pinhão. Crianças iam para as suas mães no armazém. Levar marmita para seus pais no trabalho deles. Sozinhas iam pra escola e na saída, aqueles alaridos ressoavam por todos os lugares por onde passavam de volta para suas casas. Depois, o restante do dia estava à disposição delas para poderem brincar. Já há quem escreveu que hoje as crianças com dez anos já são velhas. Sim, são receptivas, estão sujeitas a muitas informações que não condizem com suas idades. Hoje existem mães exageradas no cuidado com seus filhos: “não fique descalço, não fique no vento, não fique na chuva” e outras coisas que elas proíbem para seus filhos. Nos bons tempos mais as crianças ficavam descalças. Às vezes chutavam pedra e voltavam pra casa com o dedo do pé sangrando, ou, caiam e ai eram os joelhos que se machucavam. E daí? No dia seguinte já estavam prontas pra outras proezas iguais. Que pena, as crianças desta época não têm infância. Hoje, crianças têm essa coisa chamada de vídeo game. Que bom, ficam horas e horas entretidas nisso e muitas mamães ficam felizes aos vê-las sendo condicionadas assim, aprisionadas em casa e livres dos perigos existentes nas ruas. Crianças perderam seus espaços pelo contato com a natureza e tem aquelas que nunca viram uma bananeira. Nunca viram filhotes de pássaros em seus ninhos e outras coisas que mais corroboram para o despertar de suas sensibilidades.
Altino Olimpio

Mulheres difíceis

Hoje se contarmos como eram as mulheres de um passado não tão remoto parece que estamos contando mentiras. O foco de nossas lembranças não poderia ser outro senão Caieiras, local este, onde todos entre si eram conhecidos até parecendo ser uma grande família. A educação, a honestidade, a consideração e o respeito ao próximo eram fatos constantes. Mas, vamos ao que interessa. As moças e os rapazes antes de iniciarem seus namoros, primeiro eles “tiravam linha”. Isto é, ficavam algum tempo trocando olhares onde se encontravam e nisso já se sabia “quem era de quem”. Sim, se apaixonavam antes mesmo de se aproximarem. Depois que isso acontecia um namoro tinha início. No mais das vezes a moça nunca ficava a sós com o rapaz, sempre tinha alguma irmã menor ou uma colega por perto. Acompanhar, levar a moça até o portão da casa dela já era um sinal de boas intenções. Nisso, andar de mãos dadas era a tão deliciosa primeira intimidade. O beijo nos lábios demorava em acontecer, às vezes até mesmo por vários meses. Logo os pais da moça exigiam que ela convidasse o rapaz para o “namoro em casa”, mas, para isso ele teria que pedir o consentimento deles e no ato declarar suas “boas intenções”, no caso, a de se casar com ela. Mais ou menos igual para todos os namoros, o costume era o consentimento de terem um tempo para ficarem a sós na área externa da casa para se despedirem. Só então intimidades mais ousadas eram possíveis. A seguir o rapaz e a moça ficavam noivos de aliança e até com data marcada para o casamento. Em sua maioria as moças em seus namoros daqueles tempos eram bem resguardadas, cautelosas e, se permitiam liberdade sensual, esta, só ia até onde se podia, mas, quase nunca até o desfazer da virgindade delas. Algumas ficavam na “boca do povo” quando os rapazes davam com a “língua nos dentes” sobre suas sensualidades com elas. Nem sempre eram verdades e se eram podiam conter exageros. Como conseqüência tais moças ganhavam o adjetivo de leviana, “deixa marretá” e etc. Aqui está o porquê as moças eram tão precavidas. Aquela até então tradição mantida de “tirar linha”, namorar, noivar e casar proporcionou casamentos duradouros. Muitos casais daquela época ainda estão unidos nestes tempos quando os tempos de outrora ficaram na memória como tivessem sido apenas o enredo de uma história ou um filme de romance que teve fim. Outro filme para continuá-lo nunca mais teve e nem teremos.

Altino Olimpio

Lembrando das procissões

Caieiras no passado foi muito famosa pelas suas procissões, quase todo o povo comparecia. A procissão percorria por várias ruas locais. Um homem ia à frente dela soltando rojões sendo um aviso que a procissão estava chegando. Assim, pessoas que permaneciam em suas casas, de suas janelas podiam assistir a passagem dela. Os rojões subiam lá para o céu e estouravam: Pum... Pum... Pum. Emocionante, em todas as procissões indo logo à frente dela havia um homem soltando pum. O cheiro do pum que o homem soltava era de pólvora. Os rojões eram compridos feitos com vara de picão porque eram leves, retas e sendo assim os rojões subiam a pique, isto é, subiam em linha reta. Eram muitas varas de rojão, mas, o homem que soltava pum na procissão sempre tinha como auxiliar uns garotos que levavam varas do homem. Aquelas varas de picão muito existiam nas matas. Alguém entrava na mata, se esbarrava num pé de picão e pronto, voltava pra casa com picão grudado nas pernas, nas coxas e até com picão na bunda. E, o picão quando encosta-se à carne ele faz cócegas. Era preciso tirar a roupa para ver onde o picão estava grudado. E as donas de casa reclamavam: Eu não quero ver picão aqui na cozinha, não quero picão no quarto e nem na sala. Chacoalhar o picão só lá no banheiro. Se livrar do picão não era fácil. Voltando à procissão, depois de percorrer pelas ruas locais ela retornava à igreja e era quando recomeçava a festa que perdurava até altas horas da noite. A banda no coreto muito animava os participantes. Havia várias barracas como a de quermesse, a de tiro ao alvo, a de pesca, local pra venda de doces e salgados, a barraca do coelhinho que entrava numa das muitas casinhas ao redor dele e a barraca das argolas. As moças eram melhores para encaixar argola. Por isso saiam da festa com mais prêmios que os rapazes. Entretanto, muitos, mais iam às festas para “paquerar” naquele vai-e-vem de pessoas circulando pelos pátios da igreja. Procissões e festas iguais hoje não têm mais.

Altino Olimpio

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O fim do baile

O baile do Clube Recreativo Melhoramentos do Bairro da Fábrica de Papel de Caieiras terminava lá pelas quatro horas da madrugada. Na volta pra casa a preferência era de caminhar sozinho desfrutando ainda dos bons momentos de romantismo. Mas eram um intercalar desses pensamentos com o ouvir as vozes de alguns amigos que comentavam sobre o baile. Mesmo com a instropecção dificultada, visões anteriores, sons de música e o rosto de alguém passeavam pela mente no escuro e frescor da noite antecedendo o dia. Já no silêncio do leito, em pensamento o baile se repetia. O tirá-la pra dançar, o caminhar dela ao meu encontro, o se abraçar e juntos deslizar pelo salão ao compasso da melodia lenta. Aos poucos uma aura sublime foi nos envolvendo. O coração em ritmo mais rápido e mais forte pareceu estar querendo falar o que a boca, por timidez, calava. Aquela mão feminina colocada na minha, quente eu a sentia, eu a apertava para me certificar que com ela estava e não sonhava. Com rostos tão próximos, num “sem querer” eles se esfregavam. Outros tantos “sem querer” se repetiram, nossos rostos se roçavam, se colavam impulsionando o fluir de um tão profundo sentimento proveniente do âmago e sem palavras para defini-lo. O odor do perfume dela, seu corpo, a música e o baile eram como uma rica moldura ornamentando tanta emoção. A juventude parecia significar um estar incompleto. Em momentos solitários, como se olhando para dentro os olhos liam os pensamentos. Eles clamavam que o se completar só estaria no encontrar aquela que tanto se iria gostar como tanto ela também iria. Era a época do tanto um gostar do outro que não mais se existia para os outros. Na juventude de futuro indefinido era impensável seguir até ele sozinho. Uma mulher teria que ser destinada como parceira. Quem e como seria ela? Latente no íntimo isso era a compulsão para a busca por alguém sem saber quem. Mas, no baile, aquele idílio continuou em outras seleções musicais. Às vezes um errar dos passos provocava uma parada da dança e sorrisos mútuos eram trocados dando oportunidade para olhares mais demorados. Era quando muito se queria o que não se podia: envolver aquele rosto com ambas as mãos e beijar aqueles lábios tão desejados. O mútuo encantamento prosseguiu num nada parecer existir além de nós como num sonho de um ter o outro para sempre. Entretanto, impiedoso o tempo passou e o baile terminou. No escuro do quarto com as cenas do baile recente se reproduzindo na mente antes do sono chegar e tudo apagar, a imagem dela aparecia como para ser o completar que meu íntimo estava a buscar. Noutras vezes e noutros bailes, outras também foram paixões não sabidas serem elas apenas momentâneas. Foram um “doce” iludir e não iriam estar no meu porvir. Em Caieiras muitos bons bailes com boas orquestras, aqueles realizados mais ou menos a cada três meses e pensados como inesquecíveis, no entanto, por outros esquecidos foram como se não tivessem existido. Muitos namoros que terminaram em casamento tiveram início naqueles bailes familiares. Neste agora tão diferente de outrora parece que a saudade chora querendo reaver aquela efusão de emoções entre músicas românticas, gente bem vestida e as namoradas que muito encantaram a nossa presença naqueles bailes. Namoradas! Que pesar. Quase todas morreram. Aquela deste “O fim do baile” já morreu também. Assim é a vida. Uma dança triste provocando ferida ao nos lembrar da partida de pessoas que nos foram tão queridas.

Altino Olimpio

O Papa adormecido

Nesta penúltima semana de abril deste ano de dois mil e dez, um fato inacreditável foi televisionado para todo o Brasil. Nosso Papa atual dormindo durante uma missa. Foi visto quando alguém por trás dele deu-lhe tapinha em suas costas e o fez acordar. Se for verdade que quem tem problemas de consciência não consegue dormir sossegado, então, esse Papa nenhum problema de consciência tem. Dorme em qualquer lugar, mesmo onde pensam que não deve e a fraqueza do corpo é uma força que o espírito contra ela nada pode. Repetindo uma daquelas frases famosas “o espírito é forte, mas a carne é fraca”, talvez, no fato a seguir devêssemos entendê-la ao contrário. A força da carne esteve a comprovar sua superioridade sobre o espírito durante as sessões discretas de orgia sexual entre padres e garotos. Imbuído dos dogmas da fé, do saber sobre o certo e o errado, o espírito dos fracos de espírito, nessas ocasiões sensuais perde seu poder sob a preponderância do prazer carnal. Isso é novidade? Claro que não! Existem broncos neste mundo que gostam de “tapar o sol com peneira” para que suas crenças não sejam consideradas duvidosas, mesmo para si mesmos. Diante de tal escândalo nada muda em seus raciocínios (se é que isso ainda existe) sobre suas crenças, as mesmas difundidas pelos “nomeados por Deus” para exercerem as funções de levar a outros o viver espiritual que se manifesta no moral viver. Quantos aos garotos, quantos deles não terão gostado da experiência homossexual? Alguns não foram “molestados” repetidas vezes? Depois da primeira vez por que não deixaram de comparecer ao local onde foram humilhados? Será que “todos” foram mesmo enganados e forçados contra suas vontades? Nesta época de cada vez mais homens preferindo homens e mulheres preferindo mulheres, muitos homens não gostariam de ter estado no lugar daqueles garotos assediados? Desculpem não se deve falar a verdade publicamente. Como contido em alguns escritos e se for mesmo verdade, antigamente a relação sexual mais era entre os homens. As mulheres ficavam “para segundo plano”, isto é, eram utilizadas para a necessidade da reprodução. Até um dos mais famosos filósofos da Grécia mantinha um jovem em sua casa, pra que não se sabe (risos). Essa cumplicidade estaria a ser num futuro próximo um padrão de existência “familiar” aceitável por todos e nada deplorável? Pois, cada vez mais aumenta o número de adeptos a tais movimentos chamados gays. Algumas igrejas fazem casamento entre eles e até leis estão sendo pensadas para o viver conjugal deles. Quanto aos padres envolvidos em escândalos, tendo deveres para com o celibato, eles foram perjuros, sim. Mas, coitados, o que podiam fazer contra os pênis duros? Estes, não foram espiritualizados como foram seus donos. Contudo, a televisão mostrou o Papa dormindo durante a missa mostrando como é o sono dos justos. Malvada tapinha em suas costas fez retornar sua consciência ao mundo dos homens, o mundo humano das representações. Assim é a vida, quanto mais velhos ficamos mais nos vemos dormindo acordados diante da vida que parece mesmo ser um sono de difícil despertar. Tal despertar não deve mesmo acontecer porque se existissem muitos despertos como iriam sobreviver os espertos?

Altino Olimpio

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Demônios no santuário

No reino donde Deus tem seus principais e formais intermediários o amor entre homens e meninos num acasalamento sem casamento está a agitar o céu como se ele fosse de papel. Sexo antes do casamento não é mistério que isso é adultério. Na hora que algo fica duro como cano só se pensa no vai-te cano, vai-te cano e isso entre homens e meninos veio a ser público como se fosse um mano-a-mano. Nessa crise mundial faltou salitre para evitar endurecite. O homem tem cabeça, mas, mais é o pênis a provocar o que lhe aconteça. Depois de um bom vinho então... Se ninguém vê ninguém se opõe contra o brincar de papai e mamãe. Claro está que o instinto tem soberania sobre a razão e contra ele não existe moral e nem sermão. Coitados daqueles que não podem pecar e nem se casar e não tendo com quem agradar e se agradar só encontram crianças a concordar. Crianças sempre foram consideradas como anjos e não poucas foram bem “tratadas” por alguns marmanjos. Muitas das que cresceram, dentre elas algumas agora sendo decentes deram com a “língua nos dentes” pro mundo inteiro e num processo judicial agora querem dinheiro. Lembrando, foi o demônio que inventou o sexo (risos), por isso é que ele é tão gostoso e impossível de evitá-lo mesmo se estando sós. Sabendo-se disso, nem marido e mulher deveriam praticá-lo já que se casam por amor e não por sexo (até parece). Sexuai-vos um ao outro até que a morte os separe é um lema humano e se for um desengano um dos dois fica no abandono. Entretanto, estão a dizer que o demônio entrou onde jamais se supunha que ele conseguisse entrar. Nossa como ele é poderoso para provocar atos indecorosos. EXORCISMO NELE, AGORA E JÁ! Uma música veio à lembrança agora: “Criança feliz que vive a cantar alegre a embalar seu sonho infantil, ó meu bom Jesus que a todos conduz olhai as crianças do nosso Brasil, tam, tam, tam”.

Altino Olimpio

quarta-feira, 17 de março de 2010

Deslumbramento fatal

Pessoas deslumbradas com “corriqueirices” são comum nesta época da já propalada “Nova Ordem Mundial”, um tido tipo de domínio articulado que está a endoidecer o povo causando-lhe desequilíbrio mental, mais naqueles de ignorância congênita. O homem contemporâneo, no mais das vezes ingênuo ainda, com facilidade se encanta com trivialidades decorrentes e sempre é receptivo a outras banalidades que são novidades. Nisso tornou-se joguete de intenções que nem sequer desconfia. Vive numa espécie de hipnose e iguala-se a animais irracionais para ser obediente ao padrão de existência imposto pelo sistema que lhe quer cada vez mais vulgar, sendo assim mais fácil levá-lo a consumir e a reagir conforme sua vulgaridade o inspira. Tal sistema está a idiotizar o povo impedindo-o de pensar, massacrado que é pela comunicação ininterrupta e irrestrita. O sistema utiliza-se também de cretinos muito bem pagos para torná-los ídolos famosos. Estes felizes iludidos, prostitutos do sistema estão por ai para serem admirados pelo povinho que é ou se faz de incapaz para perceber neles a ignorância alastrante. Temos nas revistas e na televisão, bonitas como nunca, muitas cabeças ocas providas de fascínio sensual a serem imitadas nas suas leviandades por muitas outras de mentes afins. “Amar ao esporte sobre todas as coisas” é o lema da atualidade. Quando se vê e se ouve um traiçoeiro falar pela televisão “Deus pediu para eu falar pra vocês comprarem esta revista porque nela encontrarão...”, logo se percebe que os mais coitadinhos estão desprotegidos pela lei que protege muitos traiçoeiros, a lei da liberdade de expressão, utilizada também nas divulgações das já vistas aberrações comportamentais. Estas poucas citações já são suficientes para demonstrar que uma população pode estar à mercê de difusões perniciosas a embotar suas consciências. Se delas não se livram é por viverem deslumbrados por elas. Quem facilmente se torna deslumbrado facilmente é manipulado. Alguém já escreveu: Quem tem nas mãos os meios de comunicação manda no mundo. Malditos sejam os canalhas responsáveis pela deturpação mental do povo e principalmente de nossos descendentes. Só resta este ineficaz desabafo, outro não há neste mundo, onde, deturpados e deturpadores mais parecem viver irmanados. Como exclama uma minoria tida como mais consciente, a tal de “Nova Ordem Mundial” se está mesmo em vigor com seus objetivos alienantes, não estão eles para os “quaisquer uns da vida” perceber. Esses mais são dados a adorar o inimigo, visto que, assim estão condicionados. Esta frase de Spinoza “Uma vez afastada a ignorância cessa o deslumbramento” estaria a ser uma luz para a escuridão mental desta época. A frase não carece de explicação para os inteligentes. Para os outros, talvez numa próxima “reencarnação” venham eles a entendê-la.

Altino Olimpio

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tempo perdido

De um modo geral as pessoas vivem dispersas do nascer ao morrer. Vivem conforme um padrão de existência já estabelecido pela sociedade. Entretidas com os compromissos pela sobrevivência, elas por anos e anos se aprisionam a eles como não tendo alternativas. Parece não ter mesmo, pois, viver implica em suprir suas necessidades e nisso está o se sujeitar como outros se sujeitam a um trabalho para seus sustentos. Todos se rendem ao paradigma proposto pela sociedade no como cada um deve encontrar os meios de se prover, pelo menos, o básico para poder se manter independente de auxílio alheio que é humilhante. Nessa dependência obrigatória a maioria despende muito anos de suas vidas. Não poucos vivem assim até o fim. Envolvidos nessas responsabilidades diárias e acomodados nelas num esquecer-se de si mesmos, todos parecem não querer lembrar que vão morrer. Se lembrassem iriam refletir se a situação em que se encontram é aquela que melhor convém. Entretanto, sair, fugir, escapar dessa situação de aprisionados é quase impossível. Se alguém “acorda” desse pesadelo de não poder ser o que e como quer ser e pensa “chega vou abandonar tudo e ir embora” já é tarde. Para si mesmo criou armadilhas das quais não consegue se desvencilhar. Sim, levado a atender o padrão de vida proposto e imposto pela sociedade, isso é sobrecarregado de deveres e responsabilidades inevitáveis e escravizantes. Tendo formado família então, os deveres para com ela, problemas e preocupações pertinentes causam ainda mais o enfraquecer da individualidade. Esta fica sem sua prioridade para atender a de outros. Tudo a corroborar com a perda da decisão para se safar de uma existência se ela é percebida como alienada. Para os conformados sendo eles a maioria, a vida se resume nisso e nem pensam se ela pode ser de outra forma. Temos um período de vida e nele os conformados só se entretêm deixando-o mais ser como ele está a acontecer. Nos já perto do fim de seus períodos de vida sente-se neles só o acúmulo mental do que a sociedade lhes quis em seus existir, o banal e o óbvio. Nisso viveram por tempos perdidos. Do nascer ao morrer cada um tem um tempo de vida a decorrer e nesse tempo sem perceber está a vir a ser conforme o sistema que veio a se estabelecer e disso pode ser prisioneiro até morrer. Que bonita é a democracia do livre viver alienado.

Altino Olimpio

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Desconfortos

A natureza sorri quando o ser humano invoca uma entidade que é inexistente para evitar calamidades que com todos a ver não querem perceber.

Entre bandidos, pseudo-religião e política o povo desentendido de uma nação se vê numa situação apocalíptica.

Pouco a pouco vão desaparecendo os nossos conhecidos e nós ainda não perecidos vamos vivendo perdidos entre os desconhecidos.

São nos asilos que aqueles que também foram filhos são para os mais novos considerados despojos.

Com bandidos por qualquer rua não mais podemos nos distrair olhando a lua.

O tempo e o clima são professores que a ninguém ensina porque os homens os subestima mesmo quando uma catástrofe os vitima.

Desde sempre o homem comum foi programado, mas está ai a pensar que é por si mesmo que é capaz no que pensa e no que faz e sem saber se satisfaz.

A internet está sendo eficiente para os cretinos repassarem idiotices tentando serem-nos atraentes e nem imaginam que são considerados dementes.

A velhice nada mais é do que um refúgio para aqueles que se afastaram das doidices.

O homem pensando que é o preferido de Deus está com isso querendo dizer que Ele é incapaz para preferências.

O lazer mais está pra quem não tem o que fazer.

Os que dizem ter vida espiritual são vítimas de uma ilusão intelectual.

Nascemos sem saber, temos que viver sem saber o que pode nos acontecer e até antes de morrer só sabemos que não sabemos porque e para que vivemos.

Carnaval é para os adultos voltarem a serem crianças como se alguma vez tivessem deixado de ser.

Quem leva a vida muito a sério não deve ser muito sério.

Parece que mais os bandidos obedeceram ao crescei-vos e multiplicai-vos, pois, livres vivem por todos os lugares sem deles mesmo ter medo como nós deles temos.

É proibido andar armado e só faltam os bandidos a serem informados.

Altino Olimpio

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nós, os clones

“Todos nós nascemos originais e morremos cópias” (Carl Gustav Jung)

Já disseram que ao nascer uma criança é como uma esponja limpa e os adultos disputam entre si quem mais vai sujá-la. Isso já se inicia no lar, na escola, no trabalho, pelos meios de comunicação escritos, auditivos e visuais e nos contatos com outros. Isto tudo implica em imitações. É ser sem saber igual como outros costumam ser. Somos uma individualidade acrescida pelas experiências de outras no que aceitamos, aprendemos e conceituamos através delas. Assim é e teve que ser no manter e no transpasse de conhecimentos para a continuidade deles de geração em geração. Nossa individualidade (nosso eu) consiste num acúmulo de conceitos já existentes e adquiridos ao longo de nossas vidas. Inconsciente, o subliminar introduzir-se deles em nossos pensamentos se traduz no como somos nós. Somos resultados de condicionamentos. Sem eles seríamos como uma criança ao nascer, com todas as áreas do cérebro vazias de conceitos, por isso, ainda sem consciência. O cérebro ao ir captando o som de vozes ao redor inicia assim seu preenchimento com conceitos (aprendizado), e que, memorizados são e dão o início da formação da consciência. Esta, em seu princípio “copia” de outros suas experiências. Isso nota-se no falar e nas imitações produzidas pelas crianças ao até nos provocarem graça. Quando adultas sendo “crianças grandes” como são em sua maioria, ainda tendo a tendência infantil de tudo imitarem, elas tornam-se joguetes de interesses alheios. Voltando à frase acima do Jung, nada temos de original. O “eu sou eu” melhor seria “eu sou o que outros são em mim”. Nisso todos os seres humanos são comuns. Incomuns foram somente os autênticos filósofos ao promulgarem seus próprios e outros conceitos de como melhor a existência poderia ser. Tudo em vão, seus escritos serviram de passa tempo para os “intelectuais”, mas, não para serem seguidos. Outros, por mais serem cópias são incapazes de assimilar conceitos outros que estejam além dos comuns, triviais e óbvios de seus cotidianos. Sendo maioria, os “cópias de cópias” estão por todos os lugares se espalhando. Triste é aturá-los, conquanto, sabe-se da regra humana de “aceitar ou outros como eles são”, regra esta sendo agora um sacrifício nestes dias de surdez e cegueira intelecto cultural.

Altino Olimpio

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A grande verdade

Em 1789 na época da Revolução Francesa, da Queda da Bastilha e da Monarquia eram voz corrente estas três palavras: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, palavras estas de autoria de Jean-Jacques Rousseau. Nesta época e na prática, temos visto a ineficácia, a hipocrisia e as mentiras contidas nessas palavras. Não existe liberdade, não existe igualdade, e fraternidade mais parece existir quando é por conveniência. Só sendo distraído para acreditar nessas utopias. Essas palavras estiveram em voga na conturbação política em que vivia a França e depois se espalhou pelo mundo. Quando alguém diz “eu sou um homem livre” deve-se entender que ele não está numa prisão cumprindo pena, mas, que, ele está sim aprisionado às regras da sociedade e o pior, ao sistema capitalista vigente que o escraviza. Mancomunada com o sistema está à mídia como sendo um pastor fornecendo ração pobre para suas ovelhas e levando-as a pastar onde e como ela quer. Aqui explícito está que o “ser livre” pelo menos parcialmente não é para todos. Igualdade? Não sendo aqui a de direitos, nela esbarramos na irredutível e perpétua desigualdade humana. Os homens se distanciam entre si conforme uns mentalmente evoluem mais que outros e tornam-se incomunicáveis, mesmo entre familiares. Não existe igualdade na percepção pelo que se vê e na compreensão pelo que se lê e se ouve. Nunca a mesma compreensão é mútua entre diferentes níveis intelectuais. Nisso os homens se desigualam até ao por isso se evitarem. Hoje quando consigo mesma mais as pessoas vivem isoladas, a tida fraternidade parece não existir. Foi substituída pela desconfiança entre os homens e pela individualidade do “cada um por si e Deus por todos”. A grande verdade é que as pessoas se perdem pelo que as palavras traduzem e se esquecem de refletir se são eficientes ou exequíveis na prática. Vale ressaltar que como muitas outras, as palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” são mesmo reais, procedentes e producentes num discurso político. Sobre a liberdade convém também repetir esta frase de Jean-Jacques Rousseau: Todo homem nasce livre e, por toda parte, encontra-se acorrentado.

Altino Olimpio

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cabeça podre

Na minha cidadezinha e não faz muito tempo, uma aberração dessas tornadas comuns entre os tapados mentais esteve a prejudicar uma senhora e seus filhos. Eles, notando na mãe um estado anormal de comportamento buscaram ajuda psicológica formal e profissional. A autoridade consultada logo chamou os filhos para saber mais sobre o que muito a mãe se queixava, isto é, o sumiço de sua santa. Sim, por muitos anos ela era devota da Santa Terezinha e mantinha em casa um altar com a imagem dela. Como a imagem sumiu e talvez por isso, a mulher começou a se comportar de modo estranho demonstrando anormalidade mental. Os filhos para facilitarem a mãe nos trabalhos caseiros contrataram uma “auxiliar” do lar. Esta, uma religiosa fanática vivia se importunando com a imagem da santa. Dizia e repetia que imagens são coisas do demônio, até que, em sua falta de lucidez, escondeu à santa, movida assim, pela sua idiotice inconsciente. A partir disso, aquela mãe iniciou a ter primeiro, demonstração de depressão e desta, outras conseqüências vieram para tornar aquele lar diferente do que até então tinha sido. A fé e devoção daquela mãe pela santa se, “guiava mesmo seus dias ou não”, isso era problema dela. Seus filhos nunca interferiram com isso. Coitada da empregada que se meteu onde não era chamada e até é digna de pena, pois, ela mesma foi o demônio causador de distúrbios na dona da imagem da santa. Sabe-se que cabeças podres existem dando ouvidos a outras cabeças podres, tudo para serem “salvos” e eternamente “viverem” no céu com tanta ignorância. Acreditam que Deus seja conivente com essas monstruosidades mentais que tanto afetam os desprovidos de discernimentos. A prestimosa empregada perdeu o emprego e para o “crime” dela não existe punição. Poderá então procurar outras vítimas. A mãe em questão é minha tia ou, talvez fosse, porque, talvez por causa desse fatídico episódio não mais me reconheça como sobrinho. Assim caminha a humanidade, idiotas e mais idiotas sempre estão a provocar absurdos e, de semelhante para semelhante, o entre si se suportar se torna cada vez mais difícil, cada vez mais destruindo o tão almejado que foi o amor ao próximo

Altino Olimpio