sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O mundo parou

Foi necessário muito tempo de preparo para o grande dia. Os “guardas” da portaria de entrada do território particular da Indústria Melhoramentos de Caieiras tiveram trabalho dobrado ao dar acesso a tantos veículos com pessoas estranhas para eles. Todas se dirigiram para o extinto Bairro da Fábrica onde, além dela, só a antiga escola permanece intacta. O primeiro a chegar foi o Oswaldo Correa Miranda, ele esteve a recepcionar todos, pois, foi o organizador do evento, como também, tem na internet na sua página do Orkut uma comunidade chamada “Eu morei no Bairro da Fábrica”, já “visitada” por muitos nativos de outrora. Entretanto, na escola, os espaços foram insuficientes para conter o acúmulo de tantas pessoas. Todas conversaram entre si naquele se rever e mesmo naquele se reconhecer, pois, o tempo esteve modificando as fisionomias. Muito se ouvia “você se lembra daquela vez, lembra daquela briga no recreio, daquela professora, do diretor, das auxiliares que cuidavam da escola, e etc.” Ri quando alguém falou pra outro: aqui era o “pau da bandeira”. Até se lembraram daquele abrigo ou coreto onde eram distribuídas aquelas “bolinha de óleo” que causavam diarréia (risos). Ninguém esteve em suas situações presentes, todos estiveram em seus passados. Nomes e mais nomes foram lembrados, bem como, aqueles que infelizmente já partiram e muitos só então souberam. Como num contágio a harmonia entre todos foi tomando conta naquele encontro de ex-alunos e de ex-moradores que há muito tempo não se viam. Eles vieram acompanhados de cônjuges, filhos e netos e logo todos se tornaram íntimos como se fosse uma única família. Alguns compareceram mesmo estando com dificuldade de locomoção devido a problemas com a saúde. Os mais descontraídos brincavam entre si ao se observarem barrigudos, com cabelos brancos ou carecas. Circulando entre eles suas fisionomias era um provocar na lembrança a imagem de seus pais. Às vezes num estado absorto e alheio aos presentes vinham “doces” recordações das que foram namoradinhas mesmo sem elas saberem. As portas da escola se abriram e todos foram se recordar nas salas de aulas. Ao todo são quatro e, curioso, quando criança elas pareciam ser mais amplas. Surpresa! Todas as paredes estavam repletas de fotos de alunos e de todas as suas professoras de ambas as escolas da região --como o Oswaldo teria conseguido isso? Noutra sala fotos das antigas vilas que compunham aquela Caieiras do passado, existente agora só na lembrança: Vila Pansutti, Ponte Seca, Vila do Escritório, Bairro Chique onde está a escola, Vila Pereira, Vila Nova, Ilha das Cobras, Vila Leão, Vila Eduardo, Tico-tico, Monjolinho, Tanquinho, Sobradinho, Olaria, Horto, Aldeia, Vila do Tancão, Vila Florestal, Calcária, Bonsucesso, Cerâmica, Vila da Linha da Maquininha, Vila Kohl, Charco Fundo, Rua dos Coqueiros, Barreiro, Barreirinho. Locais não tendo fotos foram eles extraídos da memória e reproduzidos por pintura pelas conterrâneas, Zenaide da Rocha Massimelli da Silva e Cynira Nicola Lopes, até mesmo o pau-de-amarrá-égua, local este de encontro entre amigos para depois se dirigirem para outros lugares previamente combinado. Sobre uma escrivaninha antiga estavam expostos antigos materiais escolares: Lápis, apontador, borracha, régua (aquela comprida das professoras usada às vezes para palmatória não vi), livros de história, de geografia, de ciências, de matemática, de gramática. Vidros de tinta e penas para escrever com ela, aquelas de metal que se encaixavam num suporte de madeira. Mataborrão, este nome por si só se explicava pra que servia e isso, antes das canetas esferográficas “bic” que vieram a existir. Emocionou mesmo rever a cartilha do primeiro ano escolar. Do A ao Z cada letra do alfabeto tinha destaque no início da página e a seguir palavras iniciadas por elas. Rapidamente a memória trouxe a emoção contida naquele quando criança folhear suas páginas. Depois, um olhar pela sala de aula procurando o passado, ele reapareceu dispondo as carteiras em seus lugares e nelas os alunos e alunas de então, no como eram quando crianças na pureza e ingenuidade que foram. Naquela emoção de todos ao se reverem e reviver o passado, um odor invadindo as narinas trouxe na mente as festas de “primeiro de maio”, dia do trabalho. E não era pra menos, o aroma convidativo era proveniente de uma barraca instalada num espaço fora da escola. O paladar que também tem suas memórias pode, depois de muitos anos, novamente degustar sanduíches de salsicha, tipo “Santo Amaro” fabricadas especialmente para a ocasião. Nessa outra surpresa, entre chopes e conversas relativas ao que as “salsichas” trouxeram à recordação, todos, defronte à barraca e aos arredores mais se irmanaram. Os espaços externos da escola foram ocupados pelos presentes, que, sentados ao chão trocaram quitutes que trouxeram, bem como, iam e vinham da barraca saboreando churrasco. Todos se fotografaram juntos e foram registrados em vídeo. Assinaram um livro de presença e escrito deixaram uma mensagem sobre o evento. Ninguém queria se retirar do local quando o mundo pareceu estar parado e esquecido das contradições a que estamos expostos diariamente. Com o sol já se escondendo no oeste, o silêncio esteve sendo o vazio deixado por todos que compareceram e aos poucos se retiraram. O Oswaldo e sua família foram os últimos a deixar o local. Uma melancolia já estava a substituir aqueles anteriores momentos tão venturosos e fugazes. A terna melancolia posterior que teria existido se tivesse mesmo existido esse evento de reaproximação entre todos, ingressos agora na escola da vida. O tal “encontro” aqui narrado foi uma ficção. Apenas foi um atrair para as origens e momentaneamente “ver” lugares e pessoas com quem no passado convivemos.

Altino Olimpio

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Foram dádivas

A claridade da manhã, cacarejar das galinhas e canto de pássaros eram o despertar da inocência infantil antes entregue ao silêncio do escuro da noite tão aconchegante. O cheiro de café se alastrava pelos recintos da casa e a mãe já tinha fritado ovo que, com “pão de ontem” seria o lanche para a hora do recreio na escola. O caminhar até ela sob o brilho do sol envolvido com a fragrância da vegetação se desvestindo do frescor do orvalho e sob a amplidão celeste eram dádivas da natureza. Dando vez a outras sensações, no páteo defronte a escola, meninos e meninas pertencentes à mesma sala de aula, dois a dois e em fila aguardavam a ordem para adentrarem. Dada a ordem ou pelo soar da campainha, uma a uma, conduzidas por suas respectivas professoras, as filas penetravam naquele ambiente de real aprendizado. Professoras, que notoriedade elas eram! Seus semblantes permanecem inalteráveis. Em criança no ainda prematuro pensar em comparações, considerava-as serem especiais contrapondo-se com a local feminina simplicidade mental. Não sendo do lugar, elas vinham de outros e, nada se sabia de suas vidas particulares, a não ser o fato de serem “normalistas”. Nome este já esquecido hoje de quem freqüentava ou tinha o curso de escola normal. Dedicação era o dogma daquelas designadas para a instrução formal infantil daqueles tempos idos. Dona Maria Inês foi professora do primeiro ano. Dona Elisabeth do segundo, a que mais me bateu e não era pra menos (risos). No terceiro ano tivemos um professor e seu nome não vem à memória, talvez porque, o mesmo sempre interrompia as aulas para os alunos despertarem seus dons artísticos e com isso tivemos um aprendizado “fraco”. Éramos escalados para, ao lado dele, ficarmos de frente aos demais alunos e lá tínhamos que representar algo artístico ou, mais comum, era cantar. Ficou na memória o então aluno Vivaldi Nane cantando “Coração Materno”, música esta, um sucesso da época do cantor Vicente Celestino. Bem, o terceiro ano escolar mais foi diversão. No quarto ano escolar a Dona Silvia Brondy tinha um “não sei o que” de especial e quando ao “voltar ao passado”, ela é a mais lembrada com sua voz, seus trejeitos e sua postura física diante dos alunos. Inesquecível, no último dia de aula ela proferiu um discurso quando, mesclado com despedida estava uma antecipada saudade e um carinho até então parecido estar escondido. O discurso foi sobre sempre mantermos o cérebro em atividade para não esquecermos o que aprendemos. Isto, mais para aqueles que, pressentia ela, não iria dar continuidade aos estudos posteriores. Assim, a partir dos onze anos de idade nunca mais vi a Dona Maria Inês, a Dona Elisabeth e a Dona Silvia. Muito tempo passou e as três queridas “normalistas” ainda estão em mim mesmo não mais estando por aqui neste mundo onde quem desaparece deixa sua imagem que permanece.

Altino Olimpio

Somos estranhos

Momentos existentes num período de tempo significam o que entendemos ser a vida. No período do nascer ao morrer gradualmente nos programamos, isto é, nos condicionamos conforme nossa hereditariedade, convívio familiar, escolar e pelas influências sociais do lugar donde nascemos se nele morando permanecermos. Quando pensamos sobre nós mesmos aparece na mente o quem somos entre os familiares, onde moramos e o que exercermos na e para a sociedade. Nossa formação profissional implica muito no pensar sermos o que ela significa. Nos “vemos” sendo quem somos nos bens materiais possuídos e até nos entretenimentos preferidos. No observar de outros, eles também nos consideram como sendo “quem somos”, devido ao que temos, exercemos, nos entretemos, com o que e com quem nos relacionamos. Qualquer pessoa se perguntada sobre quem é alguém, pra responder, ela recompõe na mente circunstâncias existenciais já citadas acima para descrever quem o alguém é. Comum para todos é considerar as situações, circunstâncias e atividades como elas sendo quem são as pessoas. Comumente o ser humano traz consigo “o ter e o seu fazer” para compor o que pensa ser o quem ele é. Se destituído de todas as caracterizações, como, descendência, família, bens, desejos, profissão, religião, entretenimentos e etc., ele não ficaria confuso no estabelecer quem é? Sem o que e sem quem vive à sua volta o homem fica sem referência para identificar sua individualidade. Pergunte-se: quem sou eu? Você não terá resposta diferente das dos demais, como: Sou filho de fulano, pai de sicrano, trabalho com beltrano e... Pare! Você está sendo associações. Sem elas quem é você? Ah, você na sabe e... Alguém sabe? Tente se perguntar, mas, a resposta não lhe surgirá. “O homem é o eterno desconhecido de si mesmo” conforme assim já dito por outros. Aquele “autêntico quem é” que se pensa estar por trás das ações de cada um, ainda é improvável que exista como uma entidade oculta dentro dele. A crença nesse “quem é” interior facilitou a propagação das hipóteses e dos delírios sobre sua responsabilidade no aqui e no depois na sua hipotética existência incorpórea, lá no não se sabe onde e para que. Contudo, enquanto aqui vivemos, o “quem se é” não se livra de ser o “eu sou o que possuo, eu sou o que faço, eu sou o que penso”. Parece que só existimos no que nos existe. Sem o que e sem quem nos exista, aquele “quem é” espiritual de cada um parece ser ilusão. Por ser temporária e transitória essa particularidade, a morte liquida com ela. Nisso está o retorno para ser o que se era antes do nascer: nada. Prova ao contrário não existe. Entretanto, enquanto existimos, características humanas próprias como nome, impressão digital, fisionomia e etc. nos distingue dos outros. Para eles, mais o nosso corpo nos representa como sendo o quem é. Pois, é ele o nosso primeiro meio de identificação seguido pelo agregado de conceitos adquiridos até então na vida, com os quais, exteriorizados refletem uma noção de quem somos. O nosso “eu sou” é aquele que veio se constituindo através da consciência e com ela interage até que ela se desfaça por ocasião da morte, ou antes, quando o cérebro se torna danificado, isso, sendo a razão de muitos perderem a referência sobre quem são e quem são os outros com quem convive.

Altino Olimpio

domingo, 15 de novembro de 2009

Tudo terminou

Outrora não era como é agora. Hoje estamos a lembrar e a contar a história de uma existência parecida com uma lenda, presente ainda na consciência, igual a uma música que tanto emocionou e no passado ficou. O lugar parecia abrigar a paz contida numa feliz profecia e hoje que a vida parece tão vazia lembrar dá tristeza e alegria. O apito da fábrica anunciava as horas e elas com minutos mais lentos, naqueles tempos não havia tanto agito no nosso viver sem tormentos. Os dias eram calmos numa guarida para mais se sentir a vida. Nas ruas, crianças nas suas inocentes algazarras tinham o coral do canto das cigarras. As borboletas com seus bate-cores eram o símbolo da vida sem temores. As calmas e longas noites tinham os encantos dos piscas-piscas dos pirilampos. O rádio era o entretenimento onde havia poucas opções de divertimento, mas, naquele costume de receber visitas em casa, elas é que eram as artistas. Aquela gente daquele lugar era mais móvel, mais se via, mais se encontrava, mais se unia mesmo quando não possuía automóvel. Aqui estamos “falando” da antiga Caieiras, lugar este de um povo feliz onde a honestidade e a sinceridade das amizades eram corriqueiras. Aquela Caieiras agora é deserta de moradores mantendo em si apenas as indústrias de papel e suas extensas matas pelos arredores. A maioria daqueles seus habitantes dada ao cultivo da honestidade e amizade já é falecida deixando a doer como uma ferida, a lembrança de que nunca mais seremos como antes. Sendo município desde mil, novecentos e cinqüenta e oito e mantendo seu nome teve como princípio a antiga Vila Cresciuma vir a ser o Centro de Caieiras, onde, devido a sua acidentada topografia não bem a agora cidade se acostuma. Dispersos por este e outros lugares da região, muitos de outrora parecem ser solidão, pois, como antes não se encontram como se encontravam a toda hora, conformados ou inconformados mais vivem isolados. Seus descendentes e mesmo aqueles de parentes existem como se fossem ausentes porque tudo mudou neste agora de amizades apenas aparentes ou convenientes. É, nesta vida tudo passa e é comum entre aqueles dos bons tempos passados o reagirem sobre estes os considerando sem graça.

Altino Olimpio

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Iguais até o fim

Longa fase da vida é o ficar exposto às necessidades que ela impõe como suprir o sustento da família, moradia, educação para os filhos e etc. Nesse longo período de vida o homem entretém na mente tudo o que é pertinente à suas realizações. Contudo, se condiciona a isso e na velhice poucos conseguem se descondicionar, desconciliar suas mentes das realizações obtidas no passado, período em que elas lhes eram mais prementes. Na idade bem avançada o homem “no quem e no como é” ele se vê sendo o que possui ou não, e, na extensão dos seus familiares a partir dele. Mesmo com a morte por perto, ele ainda se pensa dono de tudo o que lhe pertence. O mais comum é ouvi-lo expondo suas ainda importâncias existenciais incompatíveis com a sua situação atual. Demonstrando já muita exaurida suas energias vitais, mesmo assim, permanece ele conectado com fatos e feitos, alheios à necessidade e importância de sua condição atual a caminho do final. Todos chegarão a essa circunstância, contudo, só os mais esclarecidos poderão aliviar suas mentes dessa carga inútil de fatos, de posses e mesmo de desejos, cujas preocupações não condizem com suas maturidades ultrapassadas. Estes, optando na alternativa para suas reflexões, mais do que outros sentirão o fluir da vida dando assim, menos chance ao surgimento dos desagrados.

Altino Olimpio

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Resposta a um amigo

Bem, amigo, com certeza enviando o parecer sobre a vida escrito por Schopenhauer para a moça, coitadinha, isto a despertará de seu sonho ou (mais viável) continuar sonhando lhe será mais conveniente. Sinto-a necessitada de expor suas idéias ou conclusões sobre a vida, ainda mais que reencontrou um amigo da adolescência. A leitura do filósofo já me era conhecida. Esse nosso filósofo parece mesmo que não deixou nada de lado. No dele decorrer das situações da vida me vi espelhado nelas e com as mesmas, não tendo como evitar tive as mesmas conclusões. Como seria bom podermos aconselhar nossos filhos a permanecerem quietos como "fiquem sentados, comam e durmam, pois, nada, além disso, interessa (risos)", mas, sendo como nós, prisioneiros das contingências da vida e o pior, do sistema imposto pela sociedade, o conselho mais usual é "estudem para melhor poderem se proteger dentre as competições para sobreviver. "Entretanto, nestes tempos de tantos adoecidos mentais, ao pensar que alguém ouve alguém é utopia. Cada um está inserido na facilidade e mesmo na "inevitabilidade" com que o condicionamento das massas o educa, ou melhor, caduca. Adoecidos mentais aqui estão a significar a maioria dos seres humanos irrefletidos, entretidos que estão no que da vida não é. Entabular conversa com um ser humano tornou-se um tormento. Parece que nenhum se salva das idiotices a que estão expostos e os "bem intencionados" (coitados) nos querem tornar coniventes com elas. Enfim, todos os enganos e engodos lhes servem para se distraírem na vida traídos pelo improvável da pós-vida. Tais assuntos sempre são oriundos de pessoas desprotegidas da capacidade de perceber as irrealidades de suas crenças ou imaginações. Não há mais o receio de se colocar em ridículo. Como sempre, mas, hoje mais, o mundo conta com inumeráveis organizações em prol dos desvios da realidade. Nisso a maioria dos seres humanos se locupletam. Então, o esvair-se em imponderáveis não é ridículo entre eles e nem entre outros de pensar diferente deles. Sendo assim, coitado daquele que por "azar" é consciente dos tantos disparates acreditados e propalados, ele tem mesmo que se isolar, ou então, fingir ser como os outros se é necessitado de dar e receber aquele "amor ao próximo". Isto existe sim, diariamente se observa na cada vez maior incidência de honestidade e despretensões entre as pessoas, pelo menos, em nosso país tido até como exemplo.

Altino Olimpio

domingo, 1 de novembro de 2009

Mais um do Zé

Que tempos bons aqueles de criança de antigamente. Diferentes dos de hoje, as crianças se divertiam muito mais. Indo direto a uma das brincadeiras daqueles tempos, eu e o conhecido Zé Polatto tivemos a mania de separar as palavras em sílabas, cada um pronunciava uma delas nas suas sequencias. Ao vermos um cavalo eu começava a soletrar “Ca”, ele “va” e eu terminava “lo”. Vendo a ponte de madeira o Zé começava “pon”, eu continuava “te”, a seguir ele “de” depois eu “ma” ele outra vez “dei” e eu terminava “ra”. Assim nos divertíamos até com os nomes das pessoas que encontrávamos pronunciando as sílabas de seus nomes em alta voz. Uma vez, estávamos nós na estaçãozinha da maquininha e a mesma estava repleta de pessoas aguardando-a chegar para embarcarem do Bairro da Fábrica de Papel para Caieiras. Haviam muitas pessoas sentadas nos bancos e outras de pé na plataforma. Eu e o Zé estávamos sentados num dos últimos bancos quando chegou o Seu Curitiba, apelido este de um homem muito conhecido naquele lugar. Com uma cotovelada apontei-o para o Zé intimando-o: Vai Zé é a tua vez comece bem alto. O Zé não deixou por menos e gritou: Cuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Eu fiquei calado e o Zé me dando cotoveladas disse: Vai logo é a tua vez, fala “ri” logo. Mas, permaneci calado. Nisso, algumas pessoas dos bancos à nossa frente olharam para trás e eu vi o Zé ficar todo vermelho de vergonha e foi quando eu cai na risada. Que teriam pensado daquele menino gritando um palavrão em público? Menino malcriado sem educação. Quando o Zé se deu conta daquela “pegadinha” reagiu me ameaçando “você me paga, eu vou me vingar, você vai ver”. Vendo-o com aquela cara de zangado meu ataque de riso não terminava. O Seu Curitiba, coitado, só ficou com a primeira sílaba do seu apelido. Contudo, a chegada da maquininha e o retorno dela pra Caieiras deixaram o silêncio, eu e o Zé na estaçãozinha, local este das boas lembranças tidas hoje.

Altino Olimpio

Ficou na saudade

Desprendido corporalmente e inconsciente quanto a tempo e espaço depois de uma viagem espiralada e infindável e agora com o corpo psíquico num púlpito perante divindades conscientizo estar no meu julgamento final. Atendendo a uma ordem telepática enviada por uma das autoridades celestiais inicio meu relato:

“Até onde me lembro, num dia do mês de agosto, meu espírito, talvez predestinado, pairou sobre uma modesta casa e no momento propicio, encarnou no seio de uma família simples.

Na casa, incrustada na parede externa, havia até uma placa alusiva ao ano de sua construção, o mesmo que nasci 1942.

A Natureza recebeu-me em seus braços, propiciando-me um enorme panorama e integrou-me nele tendo a mata, o rio, os pássaros com seus cantos, o zumbido das abelhas e os beija-flores coloridos confundidos com as flores silvestres.

Foram dias quentes ensolarados com a sinfonia das cigarras e a coreografia hipnótica das borboletas se intercalando com o frescor proveniente das fortes chuvas de verão com se posterior aroma peculiar.
Da infância à puberdade, habitualmente descalço como era costume nadei em lagoas. Percorri por entre as paisagens verdes arborizadas degustando seus frutos e no resvalar suas vegetações, tantas vazes roubei-lhes o orvalho.

O paraíso particular que descrevo pertenceu a um imenso coração alemão pulsando a mais de cem anos sendo seu nome, Indústria Melhoramentos de Papel.

Aquele meu pequeno mundo chamava-se Bairro da Fábrica e ladeado por outros bairros e vilas, incorporava o antigo distrito de Caieiras, cujo nome deu origem ao então de hoje Município de Caieiras do Estado de São Paulo. Seus moradores formaram uma única e grande família e tinham seus clubes para entretenimento.
Seus bailes, seus carnavais familiares e suas festas de 1º de maio --feriado do dia do trabalho-- permanecem nas lembranças dos seus remanescentes.

A descontração daquele povo era revelada nos incontáveis apelidos que identificavam sua gente. Havia até um local de encontro chamado “Pau de Amarrá Égua”.

Em muitos, meu olhar percorreu os zigue-zagues de suas rugas, pousou nos seus cabelos brancos e os acompanhou quando seus passos foram se tornando lentos até que a vida os abandonou. A morte muitas vezes enlutou todos! Por isso, vi lágrimas nos pais, nos filhos, nos parentes e muito me condoí dos seus desesperos.
Minhas lágrimas também umedeceram aquele solo querido quando acidentalmente e precocemente alguns desencarnaram.

Desculpem... ... Viajei pelas lembranças e me esqueci do porque estou aqui.
Sei que devo discorrer sobre minha vida!
As ambições de jovem inexperiente em busca de novas experiências, como também, aprimoramento profissional e intelectual causaram minha queda daquele paraíso. Depois, muitos dos caminhos que percorri, estavam repletos de espinhos... ... Mesmo caminhando por eles... ... ...

Por favor! Se for permitido prefiro protelar os detalhes sobre a minha vida. Inexpressivo como fui, seria monotonia.

Fui feliz onde nasci e com aquele pessoal. Se havia alguma missão a cumprir... Esqueci, pois, apaixonei-me por eles.

Portador de emoções humanas como o orgulho e a vaidade e por relutar em desvencilhar-me delas devo ter fracassado na existência incorporada.

Ultimamente sentia-me cansado por ouvir tantas conversas inúteis e conviver nas atuais circunstâncias ouvindo os insensíveis e observando os valores da vida sendo distorcidos.

Meus passos também estavam se tornando lentos e no espelho, meus olhos já brincavam de labirinto, através dos sulcos do meu rosto.

Merecedor ou não, recuso recompensas e dispenso também a música das esferas.
QUERO! Gostaria! Preciso tanto ouvir badalar de sinos.

Desejo muito rever aquele pessoal de Caieiras, aqueles já falecidos. Em vida, eles invadiram-me pelas pupilas... Seus sorrisos e fisionomia enriqueceram-me subjetivamente... ... Eles... MEU DEUS! Estão surgindo todos! Não consigo mais me controlar! As lágrimas...

Amigos, amigos! Quantas saudades! Quantas saudades!”

BLEM... BLEM... BLEM… BLEM-BLEM… BLEM… BLEM… BLEM… BLEM-BLEM… BLEM… BLEM… BLEMMMMMMM.

Altino Olimpio

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Rafael e Ricardo

Em meados da década de cinqüenta do século passado, lá no hoje extinto Bairro da Fábrica, Caieiras, dois irmãos, o Rafael e o Ricardo Masini de Grande eram muito peraltas. Onde estivessem brincando trocavam insultos e brigavam entre si com socos e pontapés, mesmo na presença de outros garotos. Hoje diríamos que os dois eram uns “porra-loucas” de tanto que “aprontavam” naquele lugar de tantos folguedos infantis. Certa vez lá na Vila Nova onde morava, o Rafael atirou uma lata vazia na rua no momento em que cavalgando estava passando o Ditão (Benedito Molinari). O cavalo se assustou e derrubou-o ao chão e em consequência da queda o Ditão quebrou os dois braços. Também o Rafael uma vez quebrou o braço e até parecia que não, pois, quando ia nadar na lagoa lá na Vila da Ponte Seca, ele tirava o gesso e recolocava-o depois. Quando o pai desses dois irmãos ficava sabendo das suas molecagens, eles “apanhavam de cinta” e muito. Lá na Vila Nova tinha um campinho de futebol e ao lado a partir dele existia uma roça de milho. Um morador dali, o Eduardo (Ede) Satrapa, num dia viu os dois irmãos saindo abraçados daquela roça e cantando “aprendemo batê punheta, aprendemo batê punheta” (risos). Pra quem viveu naquele lugar e se lembra dos dois irmãos, até dá pra “ver” essa cena tão engraçada, também porque, a palavra masturbação era desconhecida entre os garotos. Filhos do Senhor Armando de Grande e da Dona Ester, a irmã caçula do Rafael e do Ricardo é a Cecília. Eles se mudaram de lá para o Bairro da Lapa, São Paulo, e poucas ou nenhuma vez foram vistos depois. Passados cerca de cinqüenta anos, um telefonema para o Rafael a solicitar-lhe permissão para que estas lembranças pudessem ser contadas aqui, --o que, ele permitiu-- durante a conversa informou contar sessenta e oito anos de idade, morar próximo ao Bairro da Penha e que seu irmão, o Ricardo, um ano mais novo, já é falecido. A irmã Cecília continua morando no Bairro da Lapa. O “bate-papo” com o Rafael foi muito agradável e ele enalteceu muito a feliz infância vivida entre seus amiguinhos de outrora num lugar que não mais existe e que ficou na história.

Altino Olimpio

Somos até não sermos

Nosso olhar para os nossos entes queridos já são a lenta despedida deles. Nossas rugas, cabelos brancos e outras deficiências sentidas são os trajes para o dia da última presença. Já perpassa pela mente o pensamento da proximidade da ausência e com essa introspecção o brilho triste de nosso olhar é todo carinho do sentimento envolvendo nossos queridos e eles são a inconsciência momentânea do nosso amor e da nossa já saudade deles mesmo antes de não mais estarmos entre eles.

Antes de nascer, parece que eu estava atrás do mundo e quando aqui entrei, um ser me tornei. Fui criança feliz, fui jovem, me diverti, trabalhei, namorei e me apaixonei, filhos criei depois que me casei. Como num longo caminhar, as situações se vão substituindo e ficando para trás, as fazes da vida se sucedem sem retornar e a última chama-se recordação. Este presente quase não se sente, parece ser ausente de situações como sendo uma trégua para as lembranças das situações anteriores. Lembranças... Recordações... Foram fatos acontecidos acomodados em memórias a invadir os pensamentos para o mental reviver neles. Pensamento é o artificial reviver psicológico com o que não mais existe.

Sabemos dos dois principais marcos da existência, o de quando nascemos e outro de quando morremos. Entre eles nos sentimos vivos e é o nosso período de vida. Antes do marco inicial não tínhamos consciência e enquanto vivos nada temos na consciência do nada ser do antes de nascer. No nosso período de vida mais somos dúvidas e incertezas. Às vezes costumamos delegar ao destino os acontecimentos inesperados, tristes ou alegres. Vivemos na incógnita de qual seja o propósito da vida. Nós nos embaraçamos nas filosofias e nas religiões distraídos da ocorrência da morte. Pensamo-la sendo apenas uma transição de nossa consciência para outra existência e no manter dela. Nós não queremos desaparecer como tudo que aparece e desaparece, pois, nos consideramos singularidades de um regente. Até onde sabemos, o propósito da consciência humana é a sua manifestação enquanto aqui estamos e não no além que está além do que sabemos. O que ainda não sabemos não nos existe. Compreendemos que antes de nascermos nada éramos e a mesma compreensão mais se destaca no mesmo nada ser depois de morrer. Implicâncias contra essa realidade o homem subjetivamente, apenas subjetivamente tem criado desde seus primórdios, mas, jamais ela será alterada. O homem, de real mesmo, só chegou até ao conhecimento que a consciência lhe é o principal atributo enquanto aqui viver. A sobrevivência dela depois da morte só pode ser explicada por “especialistas experientes” e estes abundam entre nós. O “somos até não sermos” implica no viver com o que se possa saber e não no viver com o que a realidade não possa conter.

Altino Olimpio

sábado, 17 de outubro de 2009

Aguenta ai irmão

Com tanta chuva, enchentes e com tanta água por aqui estão procurando água na lua. Desconfio que os cientistas sejam loucos rsrsrsrs.

A lua já foi dos namorados e agora quem ainda namora só pode estar no mundo da lua.

Mandaram uma sonda pra Marte. Será que ele não está conseguindo mijar?

Descobriram outro anel em um dos planetas. Parece que ele ficou noivo outra vez e não contou pra ninguém.

Depois que fiquei sabendo do aquecimento global não deixei de sentir tanto frio aqui na terra.

Os rebanhos soltam gás metano que vai pra atmosfera, mas, temos que agüentar o dos humanos quando menos se espera.

Brasileiro também tem maremoto, mar pra se refrescar e moto pra passear.

O clima está mudando, parece que vai morar em outro lugar mais agradável.

Chega de desmatamento, já é tempo de deshomemento com seus excrementos.

As estações do ano fazem troca-troca e a gente fica sem saber como se vestir para sair da toca.

Altino Olimpio

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Vamos ao circo

Viver é mesmo ser alegre e para isso a humanidade não dispensa atrações para nos divertir. Uma das comédias sempre em cartaz é a missão que cada um tem na vida. Infelizmente eu só conhecia duas, a do nascer pra morrer e a missão de conseguir sobreviver sem enlouquecer. Os atores dessa comédia representam muitas outras missões de acordo com o enredo que eles têm em suas cabeças sendo de autoria de outros e às vezes até mesmo de autoria própria. Felizmente “são raros” os inocentes a acreditar que a comédia possa ser uma realidade. Para estes, talvez, o Hitler teve a missão de se desfazer de muitos e estes tiveram a missão de ser desfeitos. Entretanto, se tinham outras missões e elas foram interrompidas, com que cara ficou quem destinou tais missões para eles (risos)? Coitado, teve o trabalho de selecionar essas missões e um louco qualquer as fez desaparecer. Às vezes, numa recaída, quando penso se tenho uma missão caio numa gargalhada. Que missãozinha ridícula me foi destinada, talvez, equivalente ao meu merecimento. Mas, “falando” sério, todos tem uma missão, a de morrer sem saber de qual e de nenhuma missão a ter. Por falar em morte, ela é o desarmar da lona do circo excluindo-nos das atrações cômicas do picadeiro da vida apresentadas por seres humanos autores de tantos humores.

Altino Olimpio

domingo, 4 de outubro de 2009

Discórdia familiar

Passados já muitos anos, o palco para uma cena familiar “engraçada” foi na casa de um amigo espanhol lá na Vila Guilherme, em São Paulo. Meu amigo, seu filho advogado e eu estávamos conversando na sala da casa. O filho insistia em falar sobre o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, pois, ele tinha se tornado um deles. Estranho isso, nenhuma descendência árabe tinha ele, porquanto, seus pais eram católicos. Senti alguma contrariedade no pai e isso foi confirmado quando a filha vinda do andar superior da casa descendo pela escada, aliás, muito gostosa, ela parou ao ouvir o irmão referir-se a ela. Disse ele que o modo como ela estava vestida não era digno de uma mulher de família. Mas, ela estava trajando uma blusa clara a cobrir todo o peito (infelizmente) e uma calça de jeans bem justa. Isso não é roupa para mulher continuou falando o irmão e ela, indiferente pela minha presença e encarando o irmão lhe disse: Ah, vai tomar no... Deu pra perceber que a harmonia daquela casa estava conturbada. Aquela filha terminando de descer a escada me cumprimentou acrescentando “aqui, mesmo na minha casa já não sou livre para me vestir como quero” e se afastou do local. O “clima” ficou meio esquisito até quando as conversas recomeçaram, mas, não se diferenciaram. O rapaz advogado persistia em enaltecer a profundidade da religião muçulmana. Quanto a isso, devido à imigração em massa e dos descendentes provenientes, essa religião está se alastrando pela Europa e até nos Estados Unidos. Daqui há umas dezenas de anos o cristianismo poderá ter perdido sua maior influência religiosa e sua existência poderá continuar em livros de história. Não há nenhuma novidade, porque, muitas religiões já foram substituídas por outras nesse transcorrer da humanidade. Entretanto, isto já é parte para outro texto.

Altino Olimpio

Preocupação com o clima?

Uma arma de destruição ou autodestruição em Massa pode já existir no “projeto” HAARP - High Frequency Active Auroral Research (Pesquisa de Ativação de Alta Freqüência Auroral).
Trata-se de um conjunto realmente grande de antenas localizado no Alaska, cujo objetivo oficial é estudar comunicações por rádio de faixas longas e estudar a ionosfera. Muitos cientistas que trabalharam no projeto ou o estudaram a fundo dizem se tratar de uma nova classe de Arma de Destruição em Massa. O que ela realmente pode fazer é um mistério, mas, esses especialistas disseram que esse grandioso dispositivo pode realizar feitos nunca imaginados e voltados para a destruição como:
1 - Destruir ou desarmar aeronaves, mísseis ou satélites.
2 - Interromper comunicações em grandes regiões do planeta. Com a grande potência do sinal gerado pelo HAARP poderiam simplesmente transmitir chiados e ninguém mais iria conseguir sintonizar qualquer sinal claro.
3 - Provocar e até mesmo controlar mudanças climáticas como tempestades, furações e tornados, pois, as ondas produzidas podem gerar alterações na temperatura da alta atmosfera que podem gerar mudanças climáticas.
4 - Interromper o pleno funcionamento do cérebro humano.
Talvez ele possa interferir nos pulsos elétricos gerados pelo cérebro impedindo-o de funcionar normalmente.
5 - Causar terremotos. Eles poderiam gerar uma grande alteração no campo magnético da Terra com o HAARP. Isso faria com que os metais fundidos do núcleo do planeta se movessem modificando seu campo magnético e esse movimento poderia gerar terremotos.
6 - Gerar emissão de Raios-X em regiões do planeta.
Talvez com o HAARP se possa provocar isso onde se queira suas conseqüências.
Como as simples antenas lado a lado podem fazer tudo isso? Elas são como as de um rádio telescópio, mas, que enviam sinais ao invés de só receber. Cada uma dessas antenas possui dois conjuntos diferentes de dipolo cruzado, uma superior e uma inferior, que, lhe garantem uma forma de pirocóptero duplo. Essas antenas podem direcionar seu sinal por meio de reflexões na alta atmosfera e a energia que elas poderão irradiar é da ordem de 1.7 Gigawatts! Sendo leigo, como saber o que isso significa?

Esse projeto HAARP traz para a mente a lembrança da lenda contada por Platão sobre a Atlântida cujo povo sucumbiu sob os “frutos” da sabedoria adquirida. Será que não estamos numa mesma trajetória? O homem, esse animal por demais pretensioso, com alguns de seus inventos não está ele também a por em risco a existência na terra? Talvez não, pois, Deus cuida bem deste planeta e castiga os cientistas impedindo-os de irem à igreja, em bailes, em carnaval, em futebol, de assistirem novelas, corridas de fórmula um e etc., pois, isso tudo é destinado aos inofensivos inconscientes do que lhes pode ser agressivo. Sendo invenção de Deus, o homem não faz mal ao homem (fazer o mal isso nunca se viu), apenas ele brinca de ser Deus ao querer dominar a natureza para benefício geral (até parece).
Oremos irmãos.

Altino Olimpio

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Há controvérsias

Os dias desaparecem no tempo, os amanhãs serão hojes se somando aos ontens e nessa rotina o homem nasce, cresce, envelhece e desaparece sem saber que nada e nem mesmo ele era dele.

Se você de quase tudo e de quase todos se isolar verá como quase tudo e quase todos não lhe fazem tanta falta se você não for ignorante.

O amor é aquela doença mental a nos tornar tolerantes para suportar os desvarios das pessoas que amamos.

Nestes dias até que não é tão indesejável ser cego e surdo.

O desenvolvimento da consciência pode chegar até onde se venha, a saber, que a inconsciência é melhor, mas, quando já tardio é esse reconhecimento.

Somos como e o que somos porque somos à imagem e semelhança ao Criador, pois, se não fôssemos não seríamos tão santos, justos, morais, honestos, pacíficos, solidários, imparciais e desprendidos assim como somos.

Os conscientes mais estão a se passar por inconscientes ao contrário dos que como conscientes se passam os inconscientes e o mundo mais é destes.

As tragédias provocadas pelas transformações da natureza levando muitos à morte, inclusive crianças, isso, não descondiciona a mente dos seres humanos da crença em uma proteção invisível, pois, durante a tragédia e depois dela apelam por tal proteção sem mesmo lembrar que antes da tragédia proteção alguma existiu.

Se você chegou numa idade avançada e ainda acredita no que a maioria acredita, parabéns, você não envelheceu.

Nascer ou morrer, alguém já comprovou o que é melhor? Se quando vivo ninguém quer morrer será que não quererão mais nascer quando mortos?

Sofrendo injustiça na terra o homem almeja a justiça do céu depois da morte e lá “vivendo” naquele tédio da justiça “não vê a hora” de voltar para a terra.

O homem não morre, seu espírito troca de mundo e no outro que é o principal, se ele foi bom aqui, recebe recompensas, ou punição, se aqui foi um “espírito de porco”. Lá, espírito não tem sexo (nossa, que inferno), então, ninguém se casa e por isso ninguém se separa. Lá os espíritos andam pelados, não precisam comer e sendo assim, não tem desemprego porque ninguém precisa trabalhar. Tem lá a ala dos que vão reencarnar, são os políticos que tanto se sacrificaram pelo povo e não tiveram a chance de gozar os mesmos privilégios que concederam a ele, o povo, enquanto foram políticos. É este mundo daqui é apenas preparatório para o outro, por isso, cada vez mais esbarramos com pessoas cultas, evoluídas já preparadas para, sem máculas, serem espíritos lá no céu.

Altino Olimpio

domingo, 13 de setembro de 2009

Suplício oculto

Muito tempo passou desde quando se era cogitado entre as mulheres. Agora, pela vantagem de se estar na melhor idade (e que vantagem) a felicidade seria a alegria dessa circunstância “tão esperada” se o espírito tivesse desejos condizentes com a idade do corpo. Mas não, ele permanece jovem só gostando de jovem quando seu estado de idoso é repulsivo pra ela. Nisso, a chamada melhor idade é a melhor para a agonia. Pelo cotidiano, no se defrontar com uma jovem bonita e repleta de atributos desejáveis, nem o prazer de fitá-la demoradamente é permitido vivendo-se em sociedade, pois, ela pode reagir dizendo “nossa, que velho mal encarado, tarado”. Conversando com ela nem se pode olhar para a parte de seus seios a mostra e, acariciá-los, nem pensar! Só resta o fingir a indiferença por ela que favorece o despi-la todinha, mentalmente. E, muito mais, pois, enquanto muito atento (até parece) ao que a jovem está a dizer, como num sonho todas as carícias estão sendo “realizadas” numa relação íntima com ela. Depois, a realidade da vida naquele “por cada um em seu devido lugar” é o desespero dos inconformados. O se saber descartável para as mulheres jovens e bonitas não é nada aceitável. Disso se deduz que na idade avançada (neste caso, melhor idade só pode ser piada) temos desejos de prazer por quem não podemos ter e não queremos com quem podemos. Essa sina de quando mais os instintos se “inflamam” diante de mulheres jovens e bonitas se sabendo não poder tê-las, isso, é um tormento e o inferno na terra para os “homens de boa vontade”. Quando o idoso tem a possibilidade de se satisfazer com jovens “cheias de vida” ele não se lembra de se “salvar” para ir ao paraíso e muito menos se preocupa em saber o que seja isso. O paraíso mais é uma compensação intelectual para aqueles que não têm o paraíso aqui na terra.

Altino Olimpio

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Calamidade

Muitas pessoas se pensam atualizadas e bem informadas. Qual seria a vantagem dessa ânsia por tudo querer ver e ouvir? Os noticiários diariamente nos abarrotam com fatos que não nos dizem respeito. É a mesma coisa deixarmos a porta de nossa casa aberta para a entrada indesejável de porcos. Vivendo nesse mental absorver de tudo, os “atualizados” desta nossa época mais são bonecos robotizados, programados para serem protótipos da hipnose coletiva. Diante de tamanha profusão de cultura inútil, os mais informados mais são desinformados quanto aos reais interesses mútuos a serem compartilhados para a humanidade. Tudo se parece como um circo. No picadeiro a Mídia é a artista principal e na platéia fica o povo amestrado por ela e com ela tendo o “coçar o saco” de seus momentos inúteis da vida. Alguém já disse “se você ao tomar seu banho cantarolar uma música, você já é um hipnotizado”. Isto é um exagero, mas, não existem entre nós pessoas desfocadas de si mesmas? Não são elas um repertório ambulante das insignificâncias promulgadas? A competição noticiosa ou programática leva a qualquer um, fatos importantes mais só para a curiosidade. Esta é o “morde isca” para os menos capacitados mentalmente serem “pescados” e levados para o mercado das distrações. Quando sabemos que a morte de um idolozinho qualquer atrai para o seu túmulo milhares de pessoas para chorarem sua perda, não são elas hipnotizadas? Dentre elas talvez exista quem têm suas mães em asilos e “se esquecem” de visitá-las. O aprisionamento mental esteve contribuindo para o acréscimo de cérebros desusados e suas degenerações estão por ai nos já mortos ainda vivos.

Altino Olimpio

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bairro da Curva

Voltando ao passado quando muitos de nós ainda não existíamos, já existia o Bairro ou Vila da Curva, nome este porque a maquininha puxando seus vagões de carga ou de passageiros entre Caieiras e o Bairro da Fábrica de Papel da Indústria Melhoramentos, lá a maquininha era um ruído estridente ao contornar os trilhos em longa curva (daí o nome daquele lugar com poucas casas) tendo de um lado as moradias e do outro seus quintais que iam terminar no Rio Juquery. A muito local conhecida família Vince, família Bonavita e outras marcaram bem suas presenças naquele lugar. Aqui mais vamos discorrer sobre duas famílias de lá, a dos Olímpios e a dos Steinscherer (falávamos Estrancher) tendo sido um de seus membros, o Alóis (Luiz), um dos melhores atacantes do time de futebol do Clube Recreativo Melhoramentos. Isso ainda faz parte de nossa memória. A família Steinscherer era constituída pelo pai Luiz, sua esposa e os três filhos Alóis, Oswaldo e Ágata (Tite). A dos Olímpios por Vicente e Jovina Vacaro sendo os pais tendo os sete filhos Vitório, Maria, Alberto, Guilherme, Ernesto, Antonio (Cambuquira) e Yolanda. Outra filha de nome Anita, casada com o senhor José Guilarducci, jovem ainda faleceu em trabalho de parto. Desses Olímpios, nesta data só a Yolanda ainda existe. Dos Steinscherer só a Tite. Hoje não se sabe ao certo o motivo de desentendimento entre essas duas famílias. Se por causa de cachorros ou pelo tanque de lavar roupa daqueles tempos tão precários de conforto. Entretanto, quando a indefesa Senhora Steinscherer estava junto ao tanque foi quando os irmãos Olímpios lhe agrediram com um pedaço de pau deixando-a desfalecida derramando seus líquidos internos acumulados. Todos os Olímpios homens foram pernoitar numa delegacia do Bairro de Perus e também foram demitidos de seus empregos da fábrica de papel. Alguém interveio para relaxar a prisão daqueles “mocinhos do farwest” como também para reconduzi-los de volta a seus empregos na Indústria Melhoramentos. Somente pouco antes do falecimento do Alóis Steinscherer foi coincidente encontrá-lo na padaria da Lurdinha de Caieiras quando esse fato desagradável foi vagamente lembrado. Aqueles daqueles nossos tempos, os ainda vivos, ainda podem em pensamento retornar para um passeio com a maquininha passando pela Vila da Curva ouvindo o ranger dos trilhos e vendo aquelas moradias antigas com alguns de seus moradores assistindo-os passar sentados e visíveis, pois, os vagões de passageiros eram abertos nos dois lados. Quem na vida não teve uma maquininha como tivemos, não consegue imaginar as viagens saudades do passado até este presente. A vida é uma maquininha a nos colocar na morada da curva dos nossos sentimentos onde eles se ressentem por aqueles que embarcaram e nunca mais voltaram.

Altino Olimpio

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Campo de concentração geral

Estão tentando idealizar a transmissão de programas televisionados nos transportes públicos, coletivos. Assim muitos terão seus tempos diminuídos para pensar em si mesmos. Isso é muito bom porque pensarmos em nós mesmos é insignificante. Somos uma massa humana carente de orientações, pois, desorientados como somos precisamos mesmo ser conduzidos. Nas estações de trem e nos mesmos, ensinamentos profundos inacessíveis às crianças se fazem ouvir como “cuidado com o espaço entre o trem e a plataforma, respeitem os assentos para os idosos”, e outros ao mesmo alto nível intelectual. Que seria de nós sem esses ensinamentos? Não teríamos os solícitos fabricados que com veemência insistem ceder seus lugares de onde estão sentados para os mais velhos, às vezes, mesmo contra a vontade deles. Sermos condicionados por meio de autofalantes é uma boa maneira de ficarmos civilizados. Ainda bem, pois, ter que estudar e aprender a ler para entendermos avisos de informação e orientação quando escritos, isso, vai contra o conforto humano. Também, cada vez mais acostumados a ruídos, sem eles a vida ficaria sem graça. Voltando às transmissões televisionadas em transportes públicos, as emissoras de televisão poderão ampliar mais o poderio de suas influências tão sedutoras, benévolas e mesmo divinas. Assistir televisão é um bom modo do povo não se distrair do que é importante e necessário para a vida. Tendo-a nas conduções teremos mais condições de sermos cidadãos comuns, bem comuns como aqueles que Deus mais gosta.

Altino Olimpio

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Natureza Quieta

Nas árvores o som de folhas se debatendo está em silêncio, porque o vento, um dos meios da natureza se fazer notar está ausente. Por sobre a copa das árvores avista-se nuvens escuras removendo-se e se interpondo entre o azul transmissor dos dias bonitos. Já choveu e uma leve brisa paira invisível só se fazendo notar com o seu frescor. Emudecida, a natureza aquieta também a alma e ela apela para participar dos pensamentos. Neles ela se vê vendo noutras almas, as vindas a partir dela. Sim, os filhos. Primeiro como anjos tornando um paraíso os nossos lares, pareciam ser mesmo uma comunicação com o céu. Seus folguedos e alaridos pelos espaços foram os tempos mais enfeitados que tivemos. Muitas vezes estivemos a fixar o olhar neles, sentindo o sentimento mais profundo da vida. Nem lembramos que como filhos fomos causa desses mesmos sentimentos. Filhos, eles são nós mesmos a nada ser como nós que fomos suas naturezas. A eles somos a devoção seguindo seus destinos, isso sendo grande parte do nosso. Nós os vemos em pensamentos, mais nos momentos quando neles não estamos dispersos e na calma da alma de quando a natureza parece que se acalma. Ela lá fora sob um manto nublado e sem seu azulado, sem interferir, só está em ter em si os sentimentos humanos. Desumana não está a percebê-los, como também, nem todos os seres humanos são humanos para entendê-los.

Altino Olimpio

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Então é assim?

Mais para quem é de um lugar pequeno como Caieiras, município do interior e vizinho do município de São Paulo vai este escrito. O lugar era peculiar no entrosamento amistoso entre seus moradores, pois, eram conhecidos entre si. O tempo passou e ele muito habitante levou. Gerações foram se sucedendo e as mais recentes cada vez mais se desconhecendo. Isso, também devido ao chamado progresso da tecnologia a fornecer produtos eletrônicos de entretenimento a mais manter em casa seus moradores, que, antes e na ausência deles, se ausentavam mais de suas casas para encontrar-se ou se reunir com conterrâneos. Hoje, uma dispersão entre conhecidos e parentes é sentida de entremeio com os desconhecidos que agora se avolumam nesta região. Cada vez mais diminuídos em quantidade, os remanescentes de outrora, na alegria do inesperado e esporádico encontro entre eles, a conversa sempre recai sobre as notícias de antigos amigos e conhecidos que faleceram. Não como antes, no mais das vezes essas notícias são tardias, motivo de nossa ausência em velório de amigos. Com a morte semanalmente se fazendo notícia, deve “passar pela cabeça” dos de mais idade se sua vez está próxima (risos). “Então é assim”, o mais tempo de vida nos leva a mais dar atenção àqueles que partem. Uma retrospectiva sobre o que conhecemos de suas vidas aparece em nossa mente. Eles nos deixam um vazio a nos dizer que cada vez mais estamos ficando sozinhos e sem eles sobramos neste mundo cada vez mais desatualizado com ele, parecendo mesmo já sermos impróprios para viver nele. E assim... Hoje dispondo de mais tempo muitos vivem em outros tempos, porque, para estes tempos não compensa perder tempo.

Altino Olimpio

Homens Malditos

Ausente de casa por uma semana, no retorno uma surpresa alegre: uma gatinha toda pretinha. Por cinco meses ela foi uma emocionante atração inevitável. Como uma menina inocente sua graciosidade foi um contágio. O brincar de esconde-esconde com ela vendo-a se safar em disparada era uma farra. Dócil, era uma companhia constante. Fez seu reconhecimento por todos os lugares da casa e teve liberdade para isso. Com sua patinha abria portas, adentrava onde queria e acontecia de desarrumar o que estava em ordem. Resumindo, nenhum integrante da casa ficava sem interagir com ela, pois, não se conseguia evitar e o carinho mútuo era bem evidente. Novinha ainda, a gatinha não se distanciava muito da casa, mas, já ia pelas alturas dos muros e do telhado. Numa segunda-feira a tarde ela saiu para esse seu passeio caseiro e não voltou. Já noite da sexta-feira, o neto de oito anos desobedecendo a ordens, com sua lanterna subiu ao telhado e voltou chorando. Localizou-a sob as telhas do abrigo do carro. Antes, a suspeita disso já existia, mas, era inaceitável. Ela fora envenenada! Contundente a tristeza se fez presente. Na verdade o mundo também é povoado por canalhas que até podem ser nossos amigos sem nós sabermos. São aqueles hipócritas a concordar que tudo no mundo é de Deus e, no entanto matam o que é dele. Nem de longe desconfiam que “tudo que vive quer viver”. Existe uma legião daqueles autoentendidos superiores no dizer “eu não gosto de gatos” como se suas opiniões devessem prevalecer como protecionista para outros. Existem aqueles “mais avançados em evolução” no conhecimento que, gatos pretos atraem coisas ruins. Devemos sim, temer coisas ruins do animal homem, independente da sua cor. Homens matam gatos e gatos não matam homens. Dá pra adivinhar quem são os bandidos?

Altino Olimpio

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ter que viver

Como ficar alheio às insignificâncias da existência e elas significando tanto para a maioria? Não há como fugir das imbecilidades, estas, sempre a nos cercar por todos os lados. Pior, já estão incluídas nas pessoas mais íntimas de nosso convívio. Não importando o grau de estudo, nível financeiro ou boa descendência familiar, a maioria se nivela nos interesses isentos de importância. Se ficassem caladas evitariam a tortura de ouvi-las. Mas não! Falam e falam como seus interesses sem interesse fossem interesses para outros também. A muita idade de vida nos coloca nesse impasse. Por consideração, “obrigação” ou pelo sacrifício do social viver, o pouco convém ouvir é um tormento. Quando jovens aprendemos o significado da palavra evolução, isso parecia uma conseqüência natural a se realizar num futuro. Nele neste presente, a realidade é outra. Cada vez mais a soma de medíocres alastra-se pelo povo e por todas as classes da sociedade. Diariamente os órgãos de divulgação também comprovam isso. Sendo assim, medíocres escolhem medíocres como seus mentores e administradores, pois, parece não mais haver outros diferentes. Ambos são os resultados desta época da comunicação, essa contaminação das massas. Entretanto, neste mundo “Ter que viver” com medíocres por todos os lados, vendo o que fazem, como se entretêm e o pior, enojado pelo que como crianças acreditam é preciso mesmo ser um superhomem.

Altino Olimpio

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nem Santo Salva

Pra quem sabe, parece que a já propalada Profecia Maia para ter início neste ano de 2009 com fim em 2012 é verdadeira e vai mesmo acontecer, pois, tudo está ficando de “pernas pro ar”, isto é, quase tudo está desabando no “nada se sustenta, nada se garante, nada se confirma”. Agora por causa de uma gripe estão impedindo a presença de Água Benta nas igrejas. Mama mia! Água Benta tão poderosa que é e tendo sido utilizada em exorcismo para espantar demônio, agora enfraqueceu e nada pode contra uma gripinha? Pior ainda, ela agora pode servir de contágio entre os irmãos de fé. Que mudança! Seria mesmo o final dos tempos? Até a hóstia está passando por mudanças na forma de sua distribuição. Deve agora ser colocada nas mãos do fervoroso e não mais em sua boca, isso, também para evitar o contágio da gripe. Mas como? Difícil de acreditar! Falam e acreditam que dentro dela tem algo muito poderoso. Poderia ela ser intermediária na transmissão da gripe? Estranho isso tudo. Desde o tempo de meus avôs, dos meus pais e desde que nasci até esta data, tais poderes, sendo divinos sempre foram difundidos e agora como numa reviravolta tais poderes deixaram de existir? Será que quando a “água bate na bunda” o certo mesmo é o salve-se quem puder e que continue com fé quem quiser? Transformações e mais transformações no mundo e na humanidade, elas sim estão a mostrar o que de fato é e o que de fato não é, mas, tudo em vão, mesmo tendo olhos e ouvidos, o único racional entre os animais é cego e surdo.

Altino Olimpio

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Roubo Divino

Nesta região de Caieiras, as personagens envolvidas num fato tragicômico nada são surpresas nesta época de espalhar estercos a brotar sementes de incoerências. De um lado temos uma pessoa cujas sementes brotaram-lhe muito bem. Do outro temos um semeador travestido de representante de Deus. O segundo fez com que a primeira lhe transferisse uma confortável moradia. Nada tendo a ver com o amigo Hilário, acho isso muito hilário. Familiares tentam resgatar a moradia, mas, o semeador cuidando dos interesses de Deus nega alegando ter sido uma doação. Fatos como este não são raros como se pode imaginar. A caduquice humana chega a níveis propícios para os “endeusados” se aproveitarem em benefício próprio. Sabem eles das suas imunidades, pois, não são afetados pelas punições ou castigos provenientes do céu, uma vez que, é para o céu que eles trabalham. O “tudo termina em pizza” até poderá ser festejado na moradia recém “adquirida”. A pessoa doadora do imóvel, no “daí a Cesar o que é de Cesar” esteve a demonstrar seu amor ao próximo quando não estavam próximos os seus familiares. Demonstrando ser pioneira, também está para adquirir um dos melhores planos de saúde, aquele que arca com as despesas de uma autópsia preventiva. Feliz, a todos encanta quando canta: “Tu não te lembras da casinha pequenina onde o nosso amor nasceu. Tinha um coqueiro do lado que coitado de saudade já morreu. Tinha um coqueiro do lado que...”

Altino Olimpio

domingo, 19 de julho de 2009

Mundo Podre

Nesta semana de julho de 2009, a esposa de um famoso jogador de futebol, pastora agora, disse ela diante de câmeras de televisão, que, com a crise mundial e o dinheiro tendo sumido, Deus canalizou para um clube de futebol uma grande quantia para contratar seu marido, isso entendendo como um milagre. Até então não se sabia que Deus adorava futebol. Talvez por isso tenha se descuidado dos pobres e desprotegidos da sorte. A mulher demonstrando altos índices de “inteligência” nunca vistos antes numa fêmea esteve a insinuar que Deus é safado, ocupado apenas com as idiotices das competições humanas, igualando-se a elas. Blasfêmias como esta, vindas de autointitulados e “legalizados” intermediários entre Deus e os homens são comuns, pois, rebaixam-no como tendo os mesmos sentimentos, as mesmas emoções e os mesmos raciocínios humanos. Para os ignorantes um Deus assim é mais fácil de acreditá-lo. Se o mundo fosse habitado só por cavalos, para eles o Deus deles relincharia e daria coices como eles. Tudo está na consequência de como se conscientiza cada consciência. Voltando a pastora, sem saber o que nos espera num noticiário, às vezes somos pegos de surpresa como se bostas fossem atiradas em nossas caras. Parece que nestes dias enriquece mais quem mais tem capacidade de atirar bosta nos outros, graças aos outros das bostas tão aceitas.

Altino Olimpio

domingo, 12 de julho de 2009

Filme de uma saudade (1)

Dizem quem sempre se lembra do passado é saudosista. Porém, se lembramos dele é porque neste presente estamos vivos. Estamos à mercê de estímulos visuais e auditivos e muitos deles nos remetem ao passado. Neste caso, uma música antiga teve o poder de provocar um retorno para o interior de um salão de cinema que também era utilizado para festas e bailes, isso, num passado remoto. “Revivido” foi agora aquele salão assoalhado com bancos de madeira enfileirados, a cortina da porta de entrada da mesma cor da do palco onde se situava a tela para a projeção dos filmes, as lâmpadas no teto de madeira, as músicas que antecediam a seção cinematográfica e a campainha que anunciava seu início. Memorável também o bar que existia ao lado do salão, decorado com prateleiras de madeira. Ele parecia ser do estilo daqueles bares vistos em filmes e existentes no exterior do país. Cinema aos sábados e domingos, comum também, era ser freqüentado por famílias e estas ocupavam bancos inteiros. Crianças, inclusive, gostavam de se sentarem nos bancos da frente, os mais próximos da tela. A última música antes do soar da campainha anunciando o início do filme nunca mais seria esquecida. “Que será”, cantada por Dalva de Oliveira era assim: “Que será da minha vida sem o teu amor, da minha boca sem os beijos teus, da minha alma sem o teu calor. Que será da luz difusa do abajur lilás, se nunca mais vier a iluminar outras noites iguais. Procurar uma...” Logo as luzes parcialmente iam se apagando coincidindo com o longo “trim” da campainha seguido pelos “psius”, solicitando silêncio e término do murmúrio das últimas conversas entre os assistentes, pois, entre si, todos eram conhecidos. No finalzinho do filme se ouvia o ruído peculiar do abrir manual das cortinas da porta do salão. Na tela ainda se via e se lia o “The End” do filme quando já se iniciava o acúmulo de pessoas nas proximidades da porta de saída. O reacender das luzes flagrava fisionomias, como que, retornadas de uma aventura ou despertadas de um bonito sonho, dependendo de como tinha sido o enredo e a emoção provocada pelo filme. Se esvaziando das pessoas, com o seu silêncio o salão do cinema, antes do apagar de todas as luzes exibia em seu interior alguns bancos agora fora de ordem tendo por baixo como testemunhas das presenças humanas, papeis coloridos que envolviam balas, chocolates e até cascas de amendoim cujo estalar às vezes se ouvia durante a exibição do filme.

--continua--

Altino Olimpio

Filme de uma saudade (2)

O salão do cinema, salão de bailes e de outros eventos era o local dos melhores entretenimentos na região onde poucos haviam, principalmente no chamado Bairro da Fábrica da Indústria Melhoramentos de Caieiras. Num dia da década de cinqüenta do século passado, uma notícia fatídica se espalhou. O salão do cinema pegou fogo! Fora durante a madrugada. Na parte da manhã muitas pessoas acorreram para lá. Aquela visão do incêndio tristemente emocionou a todos. Era como se uma parte da vida de cada um deixasse de existir. O fogo deve ter tido início no porão do salão onde pertences para o desfile do carnaval local eram guardados. De madeira, o piso do salão veio abaixo e a seguir o teto e o telhado. Nada sobrou intacto, apenas as altas paredes preto chamuscadas. Do espaço onde existia a porta de entrada, se via abaixo em meio aos escombros, brasas fumegantes a expelirem fumaças. Estas, brancas às vezes em espirais por entre escuros carvões pareciam um réquiem (prece aos mortos) para tantas emoções ali vividas que nunca mais seriam repetidas e seriam esquecidas. O salão fora ambiente social para as solenidades da indústria de papel local, para cerimônias de formatura da escola primária, para bailes de carnaval e para bailes de coroação de rainha e suas princesas eleitas em concurso promovido pelo Clube Recreativo Melhoramentos que administrava o salão. Alguns remanescentes daquela época ainda mantêm em seus lares fotografias de tais eventos. Nelas ficaram as imagens de muitas pessoas tão queridas que o tempo pelo seu passar as levou de nosso convívio. “Era uma vez, escondido do mundo, um paraíso persistia em existir. Irmanados como eram, seus habitantes tinham num salão de cinema e de baile o presenciar de suas melhores emoções. Mas, o destino interferiu e...”

Altino Olimpio

sábado, 4 de julho de 2009

Escrito para nós

Frases para a sustentabilidade de nossas crenças (risos)

“Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.” Carl Sagan

“Não confio em gente que sabe exatamente o que Deus quer que elas façam. Sempre coincide com aquilo que elas próprias desejam.” Susan Brownell Anthony

“Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malevolente. É capaz e deseja? Então por que o mal existe? Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus?” Epicuro

“O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade.” Schopenhauer

“As religiões são como pirilampos: só brilham na escuridão.” Sebastièn Faure

“A idéia de um Ente supremo que cria um mundo no qual uma criatura deve comer outra para sobreviver e, então, proclama uma lei dizendo: ‘Não Matarás’ é tão monstruosamente absurda que não consigo entender como a humanidade a tem aceito por tanto tempo.” Peter de Vries

“Se os bois e os cavalos tivessem mãos e pudessem pintar e produzir obras de arte similares às do homem, os cavalos pintariam os deuses sob forma de cavalos e os bois pitariam os deuses sob forma de bois.” Xenófanes

“Para os peixinhos do aquário, quem troca a água é Deus.” Mário Quintana

“Se a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer pra onde iremos?” Justin Brown

“Eles vieram com uma Bíblia e sua religião – roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito... e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao ‘Senhor’ por sermos salvos.” Chefe Pontiac

“A ciência tem provas sem certeza. Os teólogos têm certeza sem qualquer prova.” Ashley Montagu

“... se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir.” Bakunin

“O fato de um crente ser mais feliz que um cético não é mais pertinente que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio.” George B. Shaw

“Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas.” Napoleão Bonaparte

Se tivermos amigos que convivem com crenças, e estas, se de nossas descrenças, qualquer “mal-estar” por suas amizades é culpa nossa. A. Olimpio

Altino Olimpio

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Tormento Decisivo

Só nós dois estamos aqui, no entanto só eu estou com você. Você está comigo, comigo não estando. Meus pensamentos e meus olhos sendo apenas para você, eles flagraram por seus olhos minha ausência dos teus pensamentos. Estando aqui, daqui você se dispersa me deixando com você, sem você. Eu já te falei, já convivi com uma pessoa nesta vida e para ela, no mundo, eu era a pessoa mais querida. Assim como você, muitas vezes me “peguei” quando dela me dispersava abandonando-a quando com ela estava. Essa traição conheço bem. Falei-te de não querer repeti-la com você. Ainda não sabia que pelo passar dos dias, estando na minha companhia, mesmo me olhando seu olhar não me via porque sua distração o impedia. No início, você sem companheiro me quis por inteiro e mesmo parecia que pra você só eu existia. Agora, estando contigo percebendo-a não estando comigo, não devemos continuar sendo fingidos. O que você era pra mim era muito mais do que eu era pra você. Ciente dessa situação, por você diminui minha consideração. Tendo sido assim, principiei a te esquecer sem você perceber. Nesta vida, como o tempo deixa tudo para trás, ainda podemos continuar juntos até quando ele decida sobre a nossa despedida.

Altino Olimpio

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O trem das oito

Nos dias de semana o saudoso Clube Recreativo Melhoramentos do Bairro da Fábrica já era habitual para os jovens dedicados às suas descontrações, como, ping-pong, snooker, baralho, ou, assistir na televisão o Repórter Esso com Kalil Filho, Circo Arrelia e outras inocentes atrações da época. Entretanto, alguns jovens, inclusive, para diferenciar aquela rotina semanal, tinham outro translado. Embarcavam na Maquininha (trenzinho) das 18,40 horas rumo a Caieiras onde mais esse nome era pertinente. O objetivo era esperar o “trem das oito”, pois, vindo da Cidade de São Paulo, desembarcava as moças que “trabalhavam fora”, assim se dizia para diferenciá-las das moças empregadas na região. Alguns tinham namorada para esperar. Quem não tinha, lá estava na expectativa de ter uma. Dentre outros passageiros ao desembarcarem, as moças eram uma atração à parte. Seus trajes de então, tornavam-nas mais bonitas. Vestidos, saias, salto alto nos calçados e nada das calças compridas de jeans e dos tênis a confundi-las com homens, devido a ainda não existirem como moda. A elegância delas era muito atrativa e impressionava. O trem da Estrada de Ferro Santos à Jundiaí (EFSJ) assim como anteriormente era chamado, tendo partido e a Estação Caieiras tendo ficado no silêncio da ausência de pessoas saindo dela, uma melancolia se fazia presente. A melancolia discreta, secreta, se misturava com o rosto de alguém que desembarcou do trem e continuou no pensamento. O trem das oito, das moças bonitas e bem trajadas da volta do trabalho para o lar, na lembrança ainda soa seu apito de partida embrenhando-se pelo passado cada vez mais passado até se enfraquecer na memória.

Altino Olimpio

Situação

A mental evolução humana se encontra estancada e continuamente se deteriorando sob o jugo das difusões da mídia. Esta, poderosa em substituir valores por aberrações encontra cumplicidade e expansão nos infelizes desprovidos de discernimento, estes, já constituídos em maioria. A mídia divulga contratos milionários de apresentadores de programas televisionados elevando-os como deuses do entretenimento e formadores de opiniões. De fato, tais programas são atraentes para os desestruturados intelectuais. Esses são acessíveis a tal hipnose coletiva enquanto ela psicologicamente lhes instala suas subordinações a ela. Membros de uma mesma família deixam de ser família nos decursos desses programas diários ou semanais. A preferência fica por conta da absorção das idiotices promulgadas. Num exagero, uma conversa de boteco entre embriagados talvez já seja mais interessante do que assistir a esses programas onde a cretinice prepondera. Quem já estava por aqui neste mundinho antes do advento da televisão assistiu as transformações da humanidade devido a ela. Instrumento de influência, costumeiramente está nas mãos de inadvertidos contrários ao bem alheio. Neste país, influenciados e influenciadores, na deturpação de suas consciências igualam-se. Se Deus fosse influente como tanto é a mídia, este mundo seria um paraíso.

Altino Olimpio

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Amor Tem Prazo

Na juventude, época quando mais éramos instinto, emoção e muito de ilusão, quando nós nos apaixonávamos, parecia que, a intensidade e a profundidade de nosso amor iriam ser imutáveis para todo o sempre. Os filmes e as músicas românticas muito contribuíam para isso. Nós nem considerávamos a vida dos mais velhos como exemplos para essa suposta perpetuidade do amor intenso e sempre igual. Se fôssemos mais atentos teríamos percebido neles a ausência daquela veemência do amor de suas juventudes. A vida a dois teve seus percalços e ninguém é excluído disso. A vinda dos filhos, as responsabilidades e preocupações comuns, entretenimentos, a rotina se fazendo presença, doença e tudo o mais a dividir atenções e a enfraquecer aquele amor exaltação da juventude. Aquele amor de só vermos o rosto da pessoa amada, só querer a presença dela e só nela pensar. É como se outras pessoas não existissem, às vezes, nem mesmo os familiares (risos). Nessa circunstância, traições são raras. Diferente de quando numa vida a dois o tempo já arrefeceu, já “esfriou” aquele arrebatamento emocional entre ambos e a convivência mais está para a continuidade familiar. Nessa condição, muitos interiormente se sentem desguarnecidos daqueles anseios sentimentais românticos de suas juventudes ausentes na atualidade, ofuscados que foram pelos dia-a-dia da existência. A paixão dera vez às contingências cotidianas, estas, mais preponderantes em suas exigências. A trajetória da vida avançando pelo somar dos anos é outro fator a contribuir para atenuar a força com que o amor anteriormente se expressava. Um vazio existencial pode se apoderar dos menos conscientes de como a vida é em seus desígnios. Tão difundido, desejado, o amor sentimento e consequentemente carnal entre duas pessoas, tido como a maior felicidade humana, como notado nos casais, parece mesmo que sua intensidade tem prazo de existência. Aquele amor para sempre arrebatador sonhado na ingenuidade de nossa juventude era só pra ela correspondente com o tempo dela.

Altino Olimpio

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Somos Isolados

O sentimento é o nosso ser por dentro. O “como me encontro e me sinto” de cada momento são as diversidades de como somos na existência. Momentos de responsabilidade, momentos de obrigação, de preocupação, de descontração, de recordação, momentos de afeição pelos nossos entes queridos, momentos de pensamento sobre o que estamos desejando e outros momentos a diversificar nossos pensamentos. Digamos, somos particularidades inacessíveis. O “como sou e como me sinto” é intransferível. A empatia, palavra esta a significar o se sentir como outra pessoa e participar da mesma intensidade de sentimentos, isso, é irreal. Já vimos alguém a exteriorizar com ênfase seus sofrimentos ou alegrias, entretanto, nossa receptividade nunca é correspondente com a profundidade sentimental e emocional desse alguém. Grande maioria das pessoas é dada a expor seus contentamentos ou seus desagrados existenciais numa já carência de exteriorizar tudo o que lhe ocorre. A veemente necessidade do falar de si sempre revela a ilusão da auto-importância de muitos. Essa auto-importância incide no desejo de se fazer notar. Também incide na hipótese de termos uma missão a desempenhar em prol de uma invisível e teórica suprema autoridade a nos observar. Se fôssemos mais atentos à incapacidade de na mesma proporção ou íntegra transferir nossos sentimentos para outros, não desperdiçaríamos esforços para despertar neles os mesmos. Somos isolados no conviver com os próprios sentimentos e conscientes disso, para a independência dos demais minimizamos o anseio de exteriorizá-los. Sendo assim, aquele “correr pra contar tudo o que me acontece” perde força e se vive mais tranqüilo sem essa “doença”.

Altino Olimpio

domingo, 31 de maio de 2009

Dor Alemã

No Bairro da Fábrica, no laboratório da Indústria Melhoramentos de Papel que era denominado Seção Verificação, no início da parte da tarde de um dia de trabalho como outro qualquer do final da década de cinquenta do século passado, ainda é lembrada a irritação de um dos funcionários daquele local. Enquanto ele e outros se encontravam no Bairro da Cerâmica aguardando a partida da maquininha (trenzinho) que os levaria de volta ao Bairro da Fábrica para o trabalho da parte da tarde, um jovem passando de bicicleta pelo local em alta voz falou-lhe: Hei “fiote” de elefante! Para muitos essa brincadeira foi engraçada. De fato, aquele funcionário do laboratório era bem gordo e esteve irritado diante da ousadia do jovem que o deixara constrangido diante de outras pessoas conhecidas suas. O ousado era um alemãozinho de nome Joaquim e filho do conhecido Sr. Galker, este, também funcionário da indústria. Contudo, o Joaquim, era um rapaz muito simpático. Espontâneo e alegre como era, ele conquistava muitas amizades. Que alegria devia ser para seu pai, sua mãe e para sua bonita irmã. Talvez com idade não mais de dezoito anos, o Joaquim enamorou-se de uma jovem desconhecida no lugar, ocasionando assim uma mudança em seu temperamento. Numa conversa, já transtornado ele insistia em queixar-se. Ela o estava fazendo sofrer e sendo-lhe uma obsessão pelo tanto amor que nutria por ela. Depois dessa conversa, o tempo transcorreu até quando num dia lá no laboratório e na parte da manhã, uma triste notícia abalou a todos os presentes: Paulo Sprenger, Andréa Leonardi, Antonio Mazivieiro, Egidio Zanon, Waldomiro Boscheto (Zipo), Vlademir Valbuza (Bibe), Dárcio Lisa, Maurício Gomes (Dumbo), Doralício Gonçalves Pereira, Valdir Botoni, Altino Olimpio, Hugo Pereira da Silva, Odair Rodrigues Gil (Jardim), Pedro Lisa (Sapo), Manuel Machado (Português) e o “chefe” Henrich Dick. Emocionou a todos a notícia que o Joaquim se suicidara. Havia ingerido o veneno chamado formicida. Muita dor deve ter suportado antes de morrer. Lamentável o sofrimento de seus pais e irmã. O alemãozinho extrovertido, brincalhão, o filho alegria daquela família alemã se fez ausência. Para quem conheceu o Joaquim, a memória pode recompor sua imagem sorridente pedalando a bicicleta e acompanhando a maquininha com seus três vagões de passageiros.

Altino Olimpio

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Terra do Esquecimento

Com a notícia da venda da centenária Indústria Melhoramentos de fabricação de papel sita no Município de Caieiras, o pensamento recorre à memória e nela percorre pelo passado lembrando-se daqueles outros tempos. No território delimitado da indústria, mais de mil moradias abrigavam felizes famílias e conforme onde estavam agrupadas tinham nomes com a característica local: Barreiro, Barreirinho, Rua dos Coqueiros, Cerâmica, Vila kholl, Charco Fundo, Bairro de Tancão, Vila Floresto, Bairro do Horto, Monjolinho, Sobradinho, Olaria, Calcárea, Bonsucesso, Casas da Linha, Vila da Curva, Bairro da Fábrica, Bairro Chique, Vila Pereira, Vila Nova, Ilha das Cobras, Vila Leão, Vila Eduardo, Vila Pançute, Ponte Seca. Tudo isso foi derrubado numa alusão de que já está morto o passado. Quem nesse local viveu e conviveu com todos os que de lá conheceu, se ainda não morreu vive como se de todos se perdeu. Também, muitos já se foram e é rara a lembrança de como foram eles. Muitos estão esquecidos como se nunca tivessem existido. Assim é a vida, enquanto vivemos esquecemo-nos de quem conhecemos e já morreu. Destino igual nos espera na morte, logo, como sempre acontece seremos esquecidos como se nunca tivéssemos existido por quem nos conhece. A indústria, já tendo representado seu papel, abandono representa agora com a troca de donos. Os anteriores e seus antepassados por algum tempo ainda serão lembrados apenas pelos remanescentes do lugar e por isso, não será para sempre. A Indústria Melhoramentos, no local criou características sem igual, moldando um povo, cujos bons costumes e reto proceder não davam a antever o que atualmente vemos fenecer. Os avôs e as avós de hoje não contam mais história para seus netos. Se contassem, quiçá começassem assim: Era uma vez, no finalzinho do século dezenove se instalou aqui nesta região, uma fábrica de papel trazendo progresso. Aqui famílias existiram como se fossem parentes entre si e assim se multiplicaram dando início a formação desta hoje nossa pequena cidade. Parecia um paraíso na terra e... ... ... ...

Altino Olimpio

sábado, 25 de abril de 2009

Passado no Presente

Quando chegamos à idade de menos, ou mesmo, não mais pensarmos em realizações, parecemos apartados do cotidiano comum dos dias. Com a vida sendo apenas uma seqüência de dias e noites, estes presentes subseqüentes parece um viver sem viver, um apenas existir sem nada acrescentar na memória para se possuir como história como o passado ficou documentado. Essa situação é propícia para as alternâncias entre presente e passado quando as lembranças travessas como crianças invadem nossas cabeças. Nestes agoras atuais, sempre algum remanescente de outrora se diz nostálgico por culpa da memória a lhe desenrolar como um filme, seu passado e sua história. Um deles, Máximo Pastro, hoje, com a idade de setenta anos, foi morador da pacata Vila Nova do Bairro da Fábrica de Papel do Município de Caieiras, local de suas bravatas da infância e da mocidade, tudo do ontem sendo o hoje de sua saudade. Ao se recolher e antes de adormecer, o travesseiro além de ser conforto é parceiro para acolher como se fosse um escolher, as imagens vindouras das lembranças da rua de quando ele era criança e sabia de quem lá existia. No escuro do quarto a visão interior de casa por casa daquela vila é na claridade do dia de como antes a vila existia. Na saudade-ver do Máximo, rostos conhecidos e queridos lhes desfilam como se tivessem voltado de suas mortes. Assim quase sempre adormece esse homem com o passado lhe sendo um cinema, cujo filme exibe como atores, seus antigos amigos, vizinhos e todos os moradores da Vila Nova, incluindo seus amores. O fechar dos olhos mais são abri-los para por dentro se “ver” nas lembranças do passado. É quando se sente saudade ou nostalgia no presente.

Altino Olimpio

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Inimigos Amigos

Como são divinas e estupendas as pessoas que nunca vimos e não conhecemos. Essas sim são a maravilha do mundo, o ápice da criação, são as semelhanças a Deus. Quando passamos a conhecê-las e a vê-las, parece que abrimos a porta do inferno. Sim, nosso inferno interior. Essas pessoas ao nos tornarem conhecidas, isso, é o portão de entrada para elas existirem na nossa mente. Mesmo tidas como esquecidas, vez ou outra reaparecem na nossa consciência e isso é o que é o inferno de cada um, contra vontade ter que “revê-las” mentalmente. Aparecem quando menos esperamos e ao lembrá-las nos desagradamos por elas terem sido soma de nossos enganos ou desenganos. Éramos mais tranqüilos antes de conhecê-las, pois, elas não nos decepcionavam. Enquanto desconhecidas, no anonimato pareciam mesmo ser das tão alardeadas importâncias humanas diante de Deus. Ao saírem do anonimato e serem conhecidas, conhecida fica também a tristeza de Deus ter que aturar no mundo Dele criaturas tão pueris, insignificantes e tão ignorantes. Quando nos damos conta de que ao máximo deveríamos evitar novos “amigos” já é tarde demais. Incluindo parentes, os amigos que a vida já nos deu como presente, muitos desses só estão a nos irritar com as “importantes” insignificâncias de suas vidas, como se, já não bastassem as nossas. Vemos sempre pessoas óbvias cada vez mais sendo óbvias com outras óbvias iguais ou mais. Respeitam-se em suas evasivas e nestas é que, se dizem amigas. A igualdade humana é uma utopia permanente. Se não fosse utopia, o ter amigos seria agradável num não existir dos decepcionáveis, aqueles que, antes de conhecê-los, suas imagens inexistiam na nossa subjetividade e, por isso, se encontravam na expectativa de ser a esperança de ainda se encontrar seres humanos, humanos.

Altino Olimpio

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Glória, Amiga Virtual

É Gloria, na curva e na subida o tempo passa mais devagar e bem depressa passa quando se está numa reta em descida na correria com os compromissos intermináveis e sempre renováveis do dia-a-dia. Na curva e na subida da vida precisamos de lentidão do tempo para sentir quão pouco nós estivemos nele e mais esquecidos dele e de nós mesmos. O tempo passa e passa e se não o percebemos é porque a vida parece uma trapaça a nos iludir com tudo o que apenas passa e quando percebemos isso, a vida já nos encurva no tempo que cambaleantes caminhamos em curva rsrsrsrsrs.Tu disseste tudo! Não mais seremos quando estivermos fora do tempo e isso será a nossa sorte chamada de morte. Com ou sem coragem sabemos do fim quando no tempo não mais nos existirá contagem. O que somos e o que temos, saindo da trajetória do tempo nós nos interrompemos. Dentro do tempo só temos um tempo, o tempo do nosso ciclo do nascer ao morrer. Antes não éramos como agora somos e depois, no nosso nada ser, só o tempo continuará e se só ele permanece só dele é a “Glória”.

Altino Olimpio

sexta-feira, 13 de março de 2009

Falência Humana

Nestes dois mil e nove anos do advento do cristianismo ainda repercute a idéia do ser humano ser o ápice da criação. Como piada isso é mesmo engraçado, pois, provoca risos. O caos existencial prepondera por todas as regiões do planeta. O ser humano é como um computador registrando tudo o que mentalmente absorve. Sua existência é concomitante com o “programa” lhe tido instalado, isso, entendido aqui como condicionamento. A Mídia sendo o maior exército de guerra psicológica do mundo tem sido a propagadora e propagandista dos desvarios, estes, cada vez mais intensificados como “isso faz parte dos procedimentos humanos” tornados comuns e o pior, já tratados como esperados, admissíveis e normais. Caráter, moral e honestidade, até como palavras estão sendo pouco usuais. Esse condicionamento geral promoveu a “cultura” da violência e das aberrações humanas. Neste país mais movido por religião, futebol e cerveja, a ausência das podridões das condutas humanas diariamente promulgadas, tal ausência nos meios informativos tornaria a vida de muitos um tédio insuportável. Suas adaptações a esse sistema alienador de intelectos fracos, acessíveis e coniventes foram um sucesso. O condicionamento ou programação em massa resultou na incidência maior de idiotas pelo mundo a superar em quantidade os sensatos mais racionalmente equilibrados. Parecemos estar repetindo a época da história de Sodoma e Gomorra quando a perversão exerce seu domínio indiscriminadamente. Doa a quem doer, em grande quantidade homens e mulheres emputeceram. Meios para isso são facilitados “legalmente”. A “onda” do sexo virtual lidera pelos contatos humanos à distância. Incontáveis mulheres, inclusive muitas vovós são adeptas a essa prática tão contagiante e viciosa. Na verdade sexo virtual não existe. Existe sim masturbação simultânea por telefone ou pela conexão com a internet quando pode ser digitável ou, mais atraente, por intermédio de pequenas câmeras de televisão acopladas no computador quando os participantes do conluio sensual se despem de suas roupas, exclamam palavras pertinentes ao coito e ambos masturbalmente se realizam sexualmente. Como se enfraquece um povo? Adulterando sua linguagem, retirando-lhe o conceito de nação, destruindo sua memória, destituindo-o do pudor, massacrando-o com informações e culturas inúteis, disseminando-lhe infindáveis divertimentos e competições, estimulando-lhe o consumo, o individualismo, a vaidade, a perda da capacidade de se indignar, a fixação por sexo, as teorias utópicas sobre outra existência invisível e etc. Quem se enquadra numa dessas ou mais alienações e não suspeita dessas induções que o vitima, ainda pode se julgar como sendo livre e arreganhar os dentes num sorriso de felicidade ilusória. Os infelizes conscientes disso estão privados dessa compensação.

Altino Olimpio

domingo, 1 de março de 2009

Mensagem e Resposta

Amigo Altino,

Saudações!

Estou envolvido com o carnaval e com pouco tempo para entrar na Net. Mas o pouco tempo que tenho me permite ler, com muita atenção e carinho, todas as suas crônicas que você tem enviado e são para mim como um bálsamo para a muito especial. Nessa, em especial, voltei àquele pátio do Clube Recreativo Melhoramentos quando, em pleno domingo e no esplendor da minha infância eu ficava aguardando a chegada daquelas caravanas de ônibus que traziam a delegação do time de futebol visitante. Ansiava saber quantos ônibus chegavam. Um, dois, me causavam frustração, pois sabia que os visitantes eram apenas os times de futebol. Quatro, cinco, seis, davam a imagem da festa que teríamos naquele domingo. Eu era só alegria e parecia que estava recebendo os convidados para a grande festa dominical. Nessas festas, foi inevitável conhecer, exatamente como você descreve uma pessoa especial. Seu nome era Rosana e viera com a comitiva da Vila Maria, São Paulo. Aquele domingo foi maravilhoso! Ficaram as trocas de endereços, do adeus pela janela do ônibus e da marca que deixou gravada na alma. Recebi, tempos depois, uma carta onde ela expunha toda a saudade que sentia de mim. Mantivemos contato por mais algum tempo, mas diante da dificuldade de um novo encontro, acabou, assim como começou.

"Naqueles tempos o futuro parecia estar tão longe. Agora nele, tão longe parece mesmo ter ficado o passado" (lindo isso!). Hoje voltaram essas lembranças. Gostosas lembranças! Obrigado por você despertá-las.

Um grande abraço pra você de
Nascido em Caieiras

Obs: O rapaz é conhecido e por motivos justificáveis preferiu se manter oculto. Esta mensagem dele se refere à crônica “Piquenique e a saudade deles” que está inclusa na relação das histórias antigas na coluna “Caieiras Antiga” deste jornal.


Resposta

Pois é amigo "Nascido em Caieiras", acredite ou não, enquanto estive esboçando essa história do pic-nic você vez ou outra aparecia na minha cabeça, até parecia que queria escrever por mim, o que, me agradaria. Você sabe que não devo esticar muito essas histórias porque a preguiça de ler mais ou menos já é epidemia. Poderia ir mais fundo dando mais detalhes. Naqueles pic-nics como ansiávamos por encontrar as nossas "Rosanas" e as emoções até pareciam fisicamente sentidas em nosso peito. Época romântica que não volta mais. Aos poucos coisas boas foram sumindo, então, ficamos com as de nossas recordações. Aposto que você deve estar se perguntando: como estará a Rosana, onde e com quem estará? O pic-nic foi bom, mas a separação é que foi tão triste, sonhei com meu amor naquela estação e numa carta ela voltou a se declarar... “Há um ditado que existe e ninguém há de querer mudar, em toda vida existiu um pic-nic que lembrar faz chorar”. Desculpe o plágio sobre esta música cantada pelo Wanderley Cardoso. Fica triste não, vá lá à gangorra ou no balanço, tome um copo de água com groselha no bar e aguarde a chegada de outro pic-nic. Lá do campo de bocha você terá uma boa visão para contar a quantidade dos ônibus. A Rosana sairá de um deles olhando por todos os lados querendo te reencontrar. Você pulará de alegria e gritará: AQUI, AQUI ROSANA! ESTOU AQUI, EU NÃO TE ESQUECI. Este diamante negro é pra você, foi um dos primeiros chocolates que apareceu no bar daqui do clube. Depois da tua carta dizendo que estava com saudades passei horas e horas na sombra do velho abacateiro do armazém do Bairro da Fábrica onde moro envolvido por muita tristeza da tua ausência. Às vezes me encostava-se a um tronco do pau-de-amarrá-égua e ficava imaginando que você tinha vindo com a maquininha e estava correndo aos meus braços. Sonhava também estar dançando num carnaval com as serpentinas coloridas enroladas em você e confetes grudados no suor do seu rosto. Hei, Nascido em Caieiras, acorde! Pare de sonhar, trabalha não?

Um abraço de
Altino

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Discipulado Difícil

--Ah mestre, quanto mais me ensinas mais me preencho de dúvidas.
--Ó discípulo. Que te angustia?
--Estive pensando e...
--Parabéns discípulo, isso é coisa rara nestes dias.
--Dizem que aquele livro mais editado no mundo foi escrito por Deus e eu me pergunto: por que só um livro?
--Quando se encontra toda a verdade num livro, pra que escrever outro?
--Bem, o livro tem criado algumas incompreensões e alguns até falam existir contradições. Não seria conveniente a cada dez, vinte ou mesmo cem anos Ele editar outro livro com as mesmas verdades mais adaptadas com a evolução intelectual e lingüística para cada época? Isso não evitaria incompreensões?
--Discípulo, muitos acreditam que o livro foi escrito por inspiração divina e não pelo Divino. Nesta época desfrutamos da leitura dos escritos dos homens do passado inspirados por Ele para escrever temas sagrados.
--Quer me dizer, mestre, que só no passado eles existiram? Hoje não mais temos homens acessíveis à inspiração divina para se poder editar outro livro?
--???? “Interessante, não havia pensado nisso”. Oh discípulo, VAI TRABALHAR VAI, não venha aqui me perturbar quando quero meditar.
--Desculpe mestre! Mas, você me ensinou que “um homem que tem mesmo raciocínio não se deixa provocar por qualquer fascínio”, lembra-se?
--Bah, mas isso é outra coisa. Você confunde tudo.
--É, acho que você tem razão, mestre. Afinal, quem sou eu para insinuar qualquer coisa que seja se ainda sou apenas um discípulo? Desculpe.
--“Esse discípulo me irrita”. Olha jovem, te cuida. Se quiseres viver entre os homens seja como eles.
--Obrigado mestre. Conselho muito sábio. Amém.

Altino Olimpio

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Só Vendo o Dia Passar

A janela dos fundos de casa descortina o silêncio nas poucas coisas visíveis como muros, paredes, árvore do quintal do vizinho, tudo servindo de contenção contra a visão de seres humanos. Serena, a mente se sente revigorada sem a presença deles. Eles são acúmulos, são desejosos de transferir seus depósitos de insignificâncias para outros. Neutra, a tarde vai caminhando sendo como ela mesma é, indiferente e ausente das aberrações humanas tornadas entretenimento entre todos eles. O olhar às vezes fica parado parecendo querer parar o pensamento e ele também é um querer nada pensar, um se sentir parar. Nesses momentos de quando nada fazemos nos desfazemos do como nos reconhecemos naquilo que fazemos. À distância e ao redor tudo conspira para o viver sem sentir importância sendo assim melhor. Sem pensamento olhando pra fora o dia é claridade, é espaço, é tempo e tudo numa mesma hora. Influente se apresenta no presente não tendo passado e futuro, pois, eles lhes são inexistentes. Os dias subseqüentes nada são dos dias antecedentes. Nós, não! Somos o que fomos se somando com o que estamos sendo, querendo ou não querendo. Todavia, igualar-se ao dia de fora da janela quando ele é apenas ele sem resquícios de outros dias, isso, torna-nos absortos num sentimento de apenas sermos um momento no esquecimento de todos os outros de quando o “quem somos” é lembrado. Momento de nada ser, nada ter, nada querer é ter a paz como contentamento tendo o dia como complemento.

Altino Olimpio

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Meus Poderes

Se o aqui escrito é muito pessoal é porque a vaidade sempre se nos faz mais forte. Às vezes não é bom divulgar qualidades próprias porque os conhecidos costumam exculancharem. Todavia, eles e a maioria nunca se importaram com suas evoluções, sejam elas mentais ou espirituais. Sabendo-me “um escolhido” procurei por desenvolvimento psíquico numa escola secreta onde o acesso é para poucos e vetado para os mentais incapazes. Facilmente aprendi a arte de “cura à distância” e com isso, pessoas e mais pessoas foram curadas sem mesmo saberem como, e nem eu. Quase consegui materializar novamente o dedo que falta na mão do conhecido, nacional e internacionalmente, Lula. Força contrária indenizatória impediu-me. Tendo sido encarcerado por causa da reação dos médicos legais, agora só socorro quem não tem plano de saúde e mesmo assim em segredo. Também pertenço a um sistema de curas liberado pela justiça, aquele de imposição com as mãos. Afastei-me temporariamente dessa prática porque tendo absorvido, puxado muitos males das pessoas, minhas mãos ficaram repletas de calos e a dor na região das axilas ainda não passou. Atualmente minha maior especialidade é sair do corpo, isto é, viagem astral, projeção astral e etc. Uma vez, assim desincorporado foi fácil visitar uma amiga ainda bonita. Consegui passar pelo seu “Guardião do Umbral” também chamado de anjo da guarda, nosso protetor no mundo espiritual. Não sabia, mas, ela estava pelada. Sem querer fiquei vendo suas muitas celulites e seus seios murchos, dependurados e, suas carnes soltas não tão comuns nessa fase da melhor idade. Felizmente ainda me mantenho com as condições físicas perfeitas, graças ao aprendizado secreto obtido na minha escola esotérica. Depois daquela “visita” vi a amiga num baile. Tirei-a para dançar e logo nos intimidamos ao dançar de rosto colado. Talvez, por culpa da cerveja, cometi um engano ao lhe contar com todos os detalhes, sobre como eu a vi sem roupas. Bruscamente ela interrompeu a dança e foi se sentar em sua mesa de baile. Parecia ter ficado zangada, pois, de longe eu a via batendo com o punho na mesa e seus movimentos labiais pareciam emitir sons xingando minha mãe. Depois, quando já em casa e na cama, a reprimenda dos mestres cósmicos foi violenta: Você, um iniciado, um escolhido, como pode revelar tais segredos para quem não está preparada para assimilar nossos ensinamentos ocultos? Ameaçaram-me tirar todos os meus poderes. Seria cruel, como iria conseguir viver sem eles? Pior, perderia as aulas “pessoais” ministradas pelos mestres invisíveis com os quais já era bem íntimo, como o Conde de Saint Germain, Mestre Moria e outros. Deixaria de viajar sem o corpo para assistir os rituais nas pirâmides do Egito. Perderia o envio de mensagens telepáticas para os amigos, perderia o poder de voltar no tempo, quero dizer, perderia o poder da regressão e não mais poderia ver-me além, isto é, antes da minha concepção uterina. Depois da admoestação dos mestres não mais ousei revelar segredos para quem eles sejam impróprios. Hoje me disfarço de aposentado e assim engano bem os amigos e todos os que se aproximam. Porém, nunca deixo de incentivá-los para “a grande busca” da verdade da vida, principalmente aqueles receptores de um aviso do alto, como por exemplo, um teto desabando na cabeça, ter saído ileso das enchentes, não ter sofrido acidente na volta de uma romaria, ter sobrevivido a um infarto fulminante e outros.

Altino Olimpio

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Cruzeiro, Que Será Isso?

O viver era muito descontraído principalmente o das crianças. Elas eram envoltas pela natureza e pareciam irmanadas com tudo o que viam e com tudo o que tocavam. Crianças muito se relacionavam com crianças, pois, se misturavam em seus folguedos e também eram conhecedoras de suas imediações, como as matas, os morros, o rio, os lagos, outras vilas onde sabiam quem eram seus moradores. Mutuamente sabiam quem eram seus familiares. Nessa época existiu um menino igual aos outros nos entretenimentos pueris. Gostava de rodar arco, um aro de aço empurrado por um grosso arame adaptado para isso. Quando a mãe lhe pedia ir ao armazém, lá ia ele rodando arco e acompanhado pelo seu cachorrinho. Certa vez, a conversa dos seus amiguinhos era sobre o “Cruzeiro” que iriam inaugurar. O menino se perguntava “Cruzeiro, que será isso?” Além de ter um espírito zombeteiro, ele, também tinha um malabarismo mental. “Não vou perguntar o que é, porque, podem zombar por eu não saber, então, é só dar um tempo para ficar sabendo”. Tal não aconteceu e finalmente chegou o “grande dia” do esperado evento. Foi lá no alto onde ficava a bonita igrejinha. Antes dela, a subida bem íngreme era conhecida como a subidona da igreja, onde tinham moradias mais para os “chefes” da fábrica de papel. Seus filhos mesmo sem querer exibiam superioridade por causa de serem filhos de chefe. Isso nada importava para o menino, pois, sempre rodando arco e acompanhado por seu cachorrinho, ele, se sentia melhor que eles. O menino nunca soube ao certo como se chamava aquela vila, embora tendo moradias melhores, aquele local era bem mais deserto que os outros. Mas, na inauguração o menino ficou sabendo o que era o famoso Cruzeiro. Uma grande cruz fincada no chão e incrustada com lâmpadas para serem acesas durante a noite. Para alguns adultos, talvez, aquilo representasse alguma proteção. Para o menino, não! Nas suas divagações inspiradas pelo seu rodar arco pelas ruas, ele era um diálogo interno quando às vezes até sorria por não entender os adultos e nem queria. O tempo foi passando, algumas lâmpadas foram se queimando e o Cruzeiro foi se desfazendo por relaxo na sua manutenção (coisa impossível devido à importância dele naquela época). No alto só restou à igrejinha solitária entre eucaliptos e abaixo a fábrica de papel. Todas as moradias, todo o povo residente daquele local “virou cinzas”. A vida é uma continuidade ininterrupta a se modificar e a tudo modificar e mesmo destruir edificações humanas, inclusive suas edificações de conceitos mentais, sempre comprovando que eles não se sustentam a não ser para os que com isso ainda se sustentam. O menino desta história ainda hoje “roda arco” pelas ruas do seu cérebro, talvez porque, iluminado pelo Cruzeiro ainda só vê o que enxerga e só ouve o que escuta. O que não vê e o que não escuta, limitado como é deixa para os outros mais especiais verem e escutarem.

Altino Olimpio