segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A vida como ela é e não é


    
  

Sempre fui cheio de querer saber
Se a vida tem alguma razão de ser
Ou que seja só para viver por viver
Se o existir tem algum propósito
Ninguém sabe ao certo
Nesse viver tão incerto
Sei que criaram muitas respostas
Mas todas são apenas apostas
Certeza mesmo é que se morre
Nada existe que nos socorre
Viver pode ser mesmo um acaso
Da gente só existir num prazo
Quando ele se esgota
Não adianta sentir revolta
É o fim de todo o nosso acúmulo
E sem ele vamos para o túmulo
Pra que se levar a vida tão a sério
Se o nosso fim é lá no cemitério
A morte é apenas aquela fronteira
Onde deixamos as nossas besteiras
Acumuladas pela vida inteira
Ridículo como as incertezas
São aceitas como certezas
Iguais aos fatos improcedentes
Sem realidades correspondentes
O meu estar “cheio de querer saber”
Já sumiu antes de eu morrer
A vida não é só aquela beatitude
Que faz feliz e ilude a juventude
Ela não é aquele mar de rosas
Dito por quem só gosta de prosa
Muitos ainda não têm a noção
De que a felicidade pode ser ilusão
Que só existe no desejo de desejá-la
Só sei que com tanta palhaçada
A vida é mesmo muito engraçada
E eu fico sempre dando risada
De quem não sabe de nada
E pensa que sabe de tudo
Mesmo sem ter qualquer estudo
A vida é boa só pra quem vive à toa
Sem responsabilidade e compromisso
Num viver de egoísta e de omisso
Mas não sei se na vida existe algum propósito
Só sei que o mundo é um imenso depósito
Pra tanta gente que sempre sente e pensa
Que basta apenas viver e só isso já compensa

Altino Olimpio









 











sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mundos em crise





Nesta época de tantas tribulações o mundo se vê num “mato sem cachorro”. Por aqui no Brasil o problemão está na Previdência Social. Por quê? Porque logo vão existir muito mais inativos aposentados do que trabalhadores ativos, estes que, com suas contribuições sustentam com numerário a previdência para que ela “sustente” os seus inativos. No outro mundo também existe crise. Consultando pesquisas, embora elas não sejam exatas, fica-se sabendo que sempre nasce mais gente do que morre. O prejuízo é muito maior do que o lucro. O prejuízo é a quantidade insuficiente de espíritos para reencarnarem nas pessoas que sempre nascem ou renascem.

Por isso, parece que, nasceram muitos sem espírito (alma). Sem essa “essência” espiritual o ser humano só comete erros que venham a prejudicar outros. Por “falar” em erros, quase todos nós já sabemos que, os políticos que legislam as leis para nós e... Puxa-vida, estes dias sem sol e nublados são tão “chatos”...  É preciso tomar algum cuidado, porque, eles podem induzir quem pensa e escreve a pensar e a escrever muitas besteiras.

                                                                                 Altino Olimpio

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A droga da felicidade





“Próxima estação Vila Aurora. Desembarque pelo lado direito do trem. Cuidado com o espaço vazio entre o trem e a plataforma”. Esses dizeres vêm da gravação de uma voz feminina que ressoa em todos os vagões do trem sendo ensinamentos valiosos para o “Jardim da Infância” habitado por passageiros adultos. Eles evoluíram, pois, seus brinquedos atuais são modernos e tecnológicos. Até parece que ficam hipnotizados fitando seus pequenos aparelhos contendo vários nomes como: Smartphones, tablet, iPhone, iPod e etc. Nos vagões dos trens, com tantos adeptos dessa última “onda” de aprisionamento de mentes, o silêncio deveria prevalecer, mas, não. Sempre um ou outro distraído fica falando (gritando) pelo seu aparelho como se estivesse em sua casa e como se quem o estivesse ouvindo do outro lado da comunicação eletrônica fosse meio surdo.

Hoje, embarcar nos trens de subúrbio é uma higiene mental. Não se têm mais pensamentos próprios preocupantes. Pois, outros pensamentos vindos de outros e aos berros são mais importantes, como: Água gelada e água de coco, guaraná, amendoim salgado, amendoim doce, batata frita, chocolate, balas finas, pen drive, fone com microfone e etc. tudo vindo de um “desfile de modos” dos que alardeiam seus produtos para vender enquanto caminham pelos espaços entre os assentos laterais dos vagões do trem. Ninguém se desagrada com aquela voz feminina gravada e desconsiderada que diz “O comércio ambulante nos trens é proibido. Não incentive essa prática”.  E não é que os tais ambulantes quase já estão sendo em maior quantidade do que a quantidade dos usuários que diariamente se utilizam dos trens? Que bom! Monotonia nunca mais (risos).

Mas, voltando aos aparelhos tecnológicos acima citados, observando quem distraído se utiliza deles em público, parece que todos são e estão muito felizes e até obcecados por eles. Isso me lembra do livro “Admirável Mundo Novo” escrito pelo saudoso Aldous Huxley em 1931. Trata-se de uma ficção sobre como no futuro os seres humanos iriam ser amansados pelo Estado, ou, sistema governamental. No livro trata-se de como a sociedade do futuro iria abolir, anular seus valores como o da família, o da religião, o da privacidade, o da dúvida, o do amor, o da insatisfação e etc.

Todos os cidadãos seriam expressamente controlados pelo Estado... ... Cultura, entretenimento, trabalho, relações sociais e etc. e quando alguns desses valores deixassem de significar algo para alguém, então, chegaria à hora de dar-lhe para ingerir o “Soma”. Um comprimido maravilhoso que elimina qualquer insatisfação, e só tem o efeito de causar felicidade. Será que “os somas” desta época seriam esses trecos que absorvem as consciências de quem se utiliza deles, como, o telefone celular com sua multiplicidade de recursos para distrações, incluindo a distração pelo facebook das redes sociais?  

Só sei que já pediram adeus para as crianças e para sempre as brincadeiras de rua, o “brincar de roda”, o bater peteca, o pular corda, o brincar de piques, o brincarem de casinha, o brincar de rodar pião, o jogo de bolinhas de gude, trocar figurinhas e tantas outras brincadeiras que desapareceram do cotidiano infantil, substituídas que foram pelo êxtase que proporcionam esses aparelhos ultramodernos de comunicação e de distração. Para a alegria dos pais as crianças com três, quatro ou cinco anos de idade já são “veteranas” na arte de lidar com esses apetrechos eletrônicos desta atualidade. São de causar inveja para aqueles mais velhos, adultos que não se adaptam a essas tecnologias modernas. Entretanto, o trem do progresso da ciência da humanidade sempre vai descobrindo e inventando novos “somas” para ela ser feliz mesmo se estiver numa situação infeliz.

                                                                                       Altino Olimpio

sábado, 12 de agosto de 2017

Brasileiro é tão bonzinho



Existem alguns (muitos) lugares escolhidos para serem “pegadinhas” para quem é distraído e iludido, cuja distração faz muito bem à nação. As existentes placas de sinalização de “50 km. por hora” (ou mais ou menos) nos trajetos para os condutores de veículos, parece que elas fazem desconfiar que logo possa existir em algum lugar um radar que os esteja esperando para dar-lhes “boas vindas”. Para mais ou menos dez metros antes e para mais ou menos dez metros depois do radar, isto é, por mais ou menos vinte metros é preciso manter a educação que se tem sobre o transito. Entretanto, depois de se passar pelo lugar traiçoeiro a boa má educação pode retornar prosseguindo pelo trajeto desenvolvendo velocidades superiores as “exigidas” pelas placas sinalizadoras, pois, nada mais há para flagrar quem está a rodar longe do radar que só fica num lugar escolhido para arrecadar dos traídos, aqueles que se esquecem de trafegar devagar. Lembrando, é o povo quem elege quem os vai administrar administrando-o com o azar para ele ser pego pelo radar (risos). E o nosso povo nunca fica a reclamar, vive para tudo aceitar e até nos faz lembrar aquela bonita e engraçada atriz Jacqueline Myrna que com sotaque francês dizia no programa “Praça da Alegria” que “brasileiro é tão bonzinho”. Mas,  não é como muitos dizem que “ele é tão bobinho”. Se for, então... ...

                                                                                           Altino Olimpio

sábado, 5 de agosto de 2017

Os príncipes desencantados





Naquele sonhar acordado da juventude o viver das mocinhas é na esperança de encontrarem os príncipes encantados. Com os mocinhos a esperança é de encontrarem as princesas encantadas. Quando eles aparecem para elas e elas aparecem para eles, tais desejos da mocidade são realizados. É na juventude que as ilusões têm mais facilidade de encontrarem suas vítimas (risos). O amor ataca os jovens indefesos e eles ao invés de combatê-lo se submetem a ele. Com o amor fervilhando em suas veias e se apossando dos instintos, os príncipes e as princesas se tornam as volúpias até desesperadas. E assim eles namoram naquele “te amo tanto e sem você não poderei mais viver”. E nessa paixão arrebatadora eles prosseguem até ao casamento e junto ao altar da cerimônia religiosa eles juram o amor “até que a morte os separe”.

Na lua de mel e no primeiro ano do casamento os príncipes continuam a ser príncipes e as princesas continuam a ser princesas nas volúpias ainda em vigor.  Mas, com o passar do tempo, com a vinda dos filhos e com as situações desfavoráveis com que a vida possa surpreender, as princesas se esquecem de que existiam príncipes nas suas juventudes e também os príncipes se esquecem que existiam princesas. Pois, já perceberam que são apenas homens e mulheres simples, casais enfrentando as agruras da vida. Com as tribulações da vida e com o tempo a passar, as belas aparências se modificam. A esposa olha pro marido e pensa: Coitado, como ele envelheceu e ficou feio. O marido disfarçadamente olha pra esposa e pensa: Coitada, como ela envelheceu e ficou feia. Isso é só pra pensar e nunca se deve falar ou escrever sobre o desmanche fisiológico de alguém (risos).

Sempre é o tempo tão inimigo que cruelmente e inevitavelmente conduz a todos para a dissolução de suas atratividades. Mas, e aquela volúpia principesca daquele amor da juventude que fim levou? Felizmente a terceira idade, que, como dizem é a melhor idade, ela na vaidade disfarça a verdade com que a realidade desfaz a felicidade da mocidade. Esta crônica tão agradável e até romântica para ler, mais do que antes, vai me conquistar mais simpatizantes. Mas, se alguém ao ler aqui se zangar, eu desminto o que está escrito dizendo que ninguém envelhece, ninguém fica feio, ninguém fica com o rosto enrugado e nem fica com aquela barriga que sempre chega primeiro em todo lugar por aonde se vai. Entretanto, a vida é bela... Enquanto ainda se é jovem e se é inconsciente dela. Porque depois... Quando a idade avançar... Nem é bom pensar no que ela pode nos preparar.

                                                                               Altino Olimpio


Mundos opostos





Existem dois mundos diferentes. Um é o do povo trabalhador e o outro é o da política. O mundo do povo sustenta o mundo da política e o mundo da política que só se sustenta não sustenta o que promete para o povo. Mas, felizmente, não atrapalha a alegria do pão e circo que existe para o mundo do povo.  E este que vive sem regalias, amestradamente elege quem vai ter as regalias que ele nunca terá. Isso é o altruísmo do dar sem querer receber.

Entre esses dois mundos, o mais atrativo é o mundo da política. O mundo do povo assiste ao mundo da política como se ele fosse repleto de artistas, cujas atrações “contagiantes” seus galãs diariamente as interpretam em jornais, em estações de rádio e em canais de televisão. O mundo da política não assiste ao mundo do povo, pois, este é desprovido de artistas e de atrações que possam interessar e por isso ele fica sem assistência. Outras diferenças só existem neste planetinha movido pela “liberdade, igualdade e fraternidade”, cujas “práticas” possam ser contidas por aqui.

                                                                                       Altino Olimpio   

                                                                                       










domingo, 30 de julho de 2017

O homem e suas limitações



 
As realidades passam apenas de “raspão” sobre nossas cabeças e na verdade nenhum ser humano vive na plenitude ou inteireza “das percepções” das realidades que compõem o mundo mesmo ao nosso redor. Conforme dito pelos cientistas protagonistas do filme “Quem somos nós?”, sendo um documentário científico: “O cérebro humano processa 400 bilhões de bits de informação por segundo, mas, só tomamos conhecimento (só nos conscientizamos) de 2000 bits. E esses 2000 bits são sobre o que está ao nosso redor, nosso corpo e o tempo. Vivemos em um mundo onde só enxergamos a ponta de um imenso iceberg de mecânica quântica. Isso significa que a realidade está acontecendo em nosso cérebro a todo o momento, mas nós não a integramos”.
Quem se utiliza de computador já está familiarizado com essa medida denominada de byte que é múltiplo de bit, e Kb, Mb, Gb e etc. que são múltiplos de byte. Muitas vezes ouvi dizer que nós só utilizamos dez por cento do cérebro. Se a capacidade dele for só até mais ou menos de dez por cento (como dizem) de sua utilização, isso é devido à forma com que nós, seres humanos somos constituídos. Pode ser que esses mais ou menos dez por cento de alcance de nosso cérebro já seja o suficiente para o que necessitamos conscientizar para o nosso viver.  
Muito do que existe à parte de nós “não nos é conhecido” pelos nossos sentidos objetivos: Visão, audição, tato, paladar e olfato. Eles são intermediários entre o nosso cérebro e as nossas percepções exteriores. E, é no cérebro que são realizadas as identificações do que percebemos. Também, “não nos é percebido” o que interiormente são partes de nós, como, a circulação do sangue, o metabolismo ou digestão e etc. Até dizem que o homem é o eterno desconhecido de si mesmo. E também, nunca sabemos quais serão os pensamentos que nos surgirão durante o dia. Mais são eles aleatórios do que controlados pelo nosso querer.
Sabe-se que à parte de nosso estado consciente, “outras coisas existem” que ultrapassam o nosso poder de percebê-las. A eletricidade, por exemplo, ninguém a percebe ou a vê correndo através de fios. Entretanto, como existem outras coisas além das que nos são perceptíveis, isso reforça a crença de existir também outro plano de existência além da física ou metafísica. Admitir fatos quando não há realidade correspondente, isso talvez corresponda ao que o Voltaire escreveu: O estudo da metafísica consiste em procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá (risos).
                                                                       Altino Olimpio