segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Vivências inquietantes





Numa das visitas que fiz ao amigo Paulo, lá na Vila Buarque de São Paulo, ele que era, como se dizia, psicólogo, como eu o soube foi o único demitido dos estudos de uma fraternidade mística existente aqui no Brasil. Eu nunca soube ao certo o motivo porque o dispensaram dela. Naquele dia, então, o pai do Paulo também esteve presente naquele “consultório” que mais se parecia com um escritório. Enquanto eu conversava com o Paulo, aquele pai sempre nos interrompia e dizia pra mim: O senhor não sabe como é triste não ter o que fazer. Concordei com ele e continuei a conversa com o Paulo. Outra vez ele interrompeu a conversa para me dizer a mesma coisa que me disse anteriormente. Concordei com ele outra vez, mas, “o senhor não sabe como é triste não ter o que fazer”, se repetiu outras vezes e eu fiquei a pensar que aquele homem estava mentalmente perturbado.

Mais ou menos um mês depois, quando membros da família dele estavam ausentes no litoral, ao retornarem o encontraram morto. Lembrei-me então do “o senhor não sabe como é triste não ter o que fazer”. Será que ele já estava cansado de viver? Lembrei-me também de quando ao falar para o Paulo algo contra a maçonaria, o pai dele me repreendeu: Isso é mentira! Devia ser mesmo, porque, aquele senhor devia saber, pois, ele era maçom e do grau trinta e três, conforme o Paulo me informou. Também, ele era um dos membros pioneiros do Brasil de uma muito conceituada fraternidade mística, a mesma da qual o seu filho Paulo se encontrava dispensado dela e que, cuja Sede Central dela encontra-se em São José do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Conforme soube pelo Paulo, o pai dele foi também o autor de um livro sobre tributação que foi sucesso de vendas e era ele quem preparava o imposto de renda para o então ex-presidente, senhor Jânio Quadros. Fora curioso como no fim de sua vida ele se encontrava desconsolado dela por não mais ter o que fazer.

Da última vez que fui visitar o Paulo, meu amigo Romeu, esteve comigo. Sentados junto a uma mesa defronte ao Paulo que estava sentado do outro lado dela e o Romeu estando à minha direita, nossa conversa estava fluindo normalmente quando sem nada dizer o Paulo retirou de uma gaveta uma pistola automática. Esse gesto não interrompeu a nossa conversa que continuou até meio indiferente com a visão daquela arma. Mas, o Paulo, surpreendente, primeiro apontou-a para o meu rosto enquanto “sem querer” movia a mira dela de um lado a outro e quando a mantinha sem se mover ela ficava apontada para a minha testa. Durante segundos parecidos intermináveis diante de minha aflição, eu só fiquei a olhar para aquela arma sem esboçar qualquer reação. Depois o Paulo repetiu essa façanha com o Romeu. O Romeu também não se intimidou e continuou a falar como se nada de anormal estivesse acontecendo, embora, às vezes fixasse o olhar naquela arma apontada para ele sem qualquer justificativa para isso.

O alívio só veio a surgir quando o Paulo deixou de nos focalizar aquela arma e em seguido retirou o “pente” dela, o carregador completo com a quantidade de suas balas mortíferas. Se nos existia dúvida se a arma estava carregada ou não, ela foi desfeita quando eu e o Romeu vimos o Paulo retirar o carregador dela. Será que o Paulo quis testar nossa coragem ou o nosso sangue frio? Não me lembro se entre nós surgiu algum assunto sobre aquela arma, pois, logo eu e o Romeu sem termos entendido o porquê daquela “ameaça psicológica”, nos despedimos do Paulo e quando já fora daquele prédio aonde íamos para visitar aquele “amigo”, falei para o Romeu: Nunca mais voltarei aqui, porque, o que o Paulo nos fez nunca se deve fazer. De fato nunca mais voltei, mas, o Romeu voltou e às vezes me dava notícias do Paulo, como, da doença estomacal que o estava afligindo.

O Paulo, novo ainda, morreu no mês de março de 1990. Com o Romeu estive na “missa do sétimo dia” por intenção da morte dele que ocorreu próximo ao Viaduto Tutóia que fica sobre a Avenida Vinte e Três de Maio em São Paulo. Isso, no dia dezesseis de março, no mesmo dia em que no Brasil, sob a presidência do então Fernando Collor de Mello foi confiscado o dinheiro da poupança de todos os brasileiros que a possuíam. Foi depois daquela missa que vim a conhecer alguns dos familiares do Paulo. A igreja não esteve repleta e notei a ausência dos “amigos” que pertenciam à mesma fraternidade da qual o Paulo pertenceu. Ao ouvir o Romeu conversar com a esposa do Paulo, ouvi-a dizer que ela odiava aquela instituição mística e filosófica a que ele, seu marido, pertenceu. Entretanto, o motivo de tal repulsa, eu e o Romeu não ficamos sabendo. E aqui termina esta narrativa sobre um companheiro de aprendizados incomuns para a maioria do viver comum. Por motivos óbvios não foram escritos os sobrenomes dos envolvidos nesta crônica, ou, nesta história vivida por mim. 

                                                                                Altino Olimpio

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A ciência e a inconsistência





Neste mundo existe a ciência e a inconsistência. A ciência sempre está a comprovar o que de fato existe ou não. A inconsistência está no crer em fatos apenas imaginados, mas, nunca comprovados. Como exemplo, física é ciência e metafísica (além da física) é inconsistência, pra quem assim quer entender. Parafraseando filósofos do passado, neste mundo de mutações tudo é um “vir a ser” enquanto muito vai deixando de ser. A maioria das pessoas tem um viver comum, desinteressadas com a evolução mental ou espiritual com que outros acreditam existir e almejam possuir. Muitas das tais pessoas desinteressadas nem imaginam quantas instituições existem para ensinarem seus afiliados a desenvolverem suas capacidades latentes para atuarem num plano além do físico, o metafísico.

Muitos adeptos dessas instituições, algumas chamadas de Escolas de Mistério, Sociedades Secretas, Sociedades Esotéricas e etc. muito tempo dedicaram à prática de enviar pensamentos à distância “sem conseguirem” (risos). Tais escolas tinham (ou ainda têm) várias técnicas para esse intento de nome “telepatia” (comunicação de pensamentos), pertencentes mais à inconsistência do que à ciência. Nesta época do sempre “vir a ser” de tanta tecnologia a ciência aposentou a telepatia, coitada (risos). Nem pra mulher que tanto se amava se conseguia enviar pensamentos (risos). Mas, pra que se concentrar e se esforçar para emitir mensagens pelo pensamento se não se tem certeza que o destinatário as receba?   

Agora a comunicação à distância (graças à ciência) não sendo nenhum milagre, é tão prática e tão comum através dos chamados telefones celulares. Qualquer mulher pode enviar mensagem para o seu marido mesmo se ele estiver longe de casa num motel e com outra mulher (risos). A ciência sempre avançando através da tecnologia tem destruído muitas ilusões, incluindo o mito da transmissão voluntária do pensamento. Atualmente o tão constante uso do telefone celular para as comunicações reais à distância fará com que a telepatia até desapareça do vocabulário. Quanto aos antigos discípulos daquelas instituições supracitadas que nunca conseguiram enviar pensamentos através da mente, o que lhes era impossível e eles não sabiam, cientificamente “falando”, eles podem agora enviarem suas mensagens escritas ou audíveis para onde e para quem quiserem “celularmente”. Sempre soberana, a ciência vai desiludindo as ilusões com que a fecundidade imaginativa dos homens “alimenta” a inconsistência.  

                                                                                 Altino Olimpio

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Reencontros parentescos





Foi na quinta-feira, dia 28/09/2017 que viajando de trem estive na Cidade de Jundiaí para rever minha prima Cali (Clarice do Amparo), isso, depois de muitos anos sem vê-la. Com o seu automóvel esteve me esperando na estação do trem e a primeira coisa que me disse foi: Nossa como você está velho! (risos). Ela me levou até o apartamento onde mora com o seu filho Marcelo. Nós memoramos alguns fatos do passado de quando estivemos presentes e participamos. Em seguida fomos passear pela cidade e ela me levou a conhecer a loja do seu filho Marcelo. E lá conheci o Paulo, filho dele, um dos netos dela. Lá tomei um cafezinho outra vez, e naquele ambiente bem harmonioso devido aos assuntos agradáveis daqueles momentos de não “faltar assuntos”, eu e ela nos retiramos para irmos visitar a Lili, filha da Cali. Conheci, então, o marido da Lili, o Toninho, a filha dela Tanali (Que nome bonito, não?) e a filha da filha dela, a Giovana, bisneta da Cali, e também, as duas cachorras que também fazem parte da família (risos), sendo que uma delas é bem velha.

Sentados ao redor da mesa saboreando café (outra vez, risos) a conversa também esteve muito agradável. Às vezes os assuntos eram mesmo para rirmos. Até filosofamos sobre algumas de nossas crenças ou descrenças. Depois uma surpresa. Todos daquela casa e eu, fomos pra Jundiaí Mirim que eu não conhecia, para a casa da Alba que estava aniversariando. Uma prima que também fazia muito tempo que não a via. Alba era filha da Nice (saudosa) irmã da Cali. O marido da Alba, o Marcos tempos atrás eu já o havia conhecido, mas, os filhos deles, rapazes altos, isso me fez pensar que talvez eles tivessem sido constituídos com algum aplicativo de fermento (risos). Várias pessoas compareceram para comemorarem o aniversário da Alba, inclusive o Alfredo Paulo, irmão dela que pela última vez eu o vi no dia em que ele se casou. Ah, o Pedrinho que se parece um pouco com o Carlitos (Charlie Chaplin) e é viúvo da Nice, também estando lá, ele me lembrou da brincadeira de quando eu telefonei pra Nice e pergunte-lhe: Ai mora uma caipira de Jundiaí? E como ela brava me dedicou muitos palavrões, mas, sem saber que era seu primo que esteve a brincar com ela.

Agora vamos para as coincidências. O dia do aniversário da Alba, dia “vinte e oito de setembro” seria o mesmo dia do aniversário do meu filho Alexandre que faleceu em 1991. Minha esposa faleceu num dia “nove de novembro”, o mesmo dia do aniversário da minha sobrinha Ligia, filha do meu irmão Walter. Minha filha Sara Elisa aniversaria em “cinco de abril” no mesmo dia em que aniversaria a sobrinha dela, a Daniela que é minha neta e filha do meu filho Evandro. O filho da minha filha Anissia Veruska, o japonesinho Alexandre, o aniversário dele é no dia “vinte de dezembro”, mesmo dia da minha sobrinha Charito filha da minha saudosa cunhada Estrela, irmã de minha saudosa esposa, Pepita. Só mesmo eu é que tive coincidência desagradável sobre meu aniversário, dia “doze de agosto”, mesmo dia de alguém que é político (Fernando Collor de Mello) e isso, atualmente, não é motivo de orgulho, se é que alguma vez tenha sido (risos). Quanto a minha ida à Jundiaí, que dia feliz para sempre recordar. Nestes tempos de que muitos se queixam de se sentirem sós porque seus parentes já se foram daqui e que as amizades já não são como foram outrora, de quando todos tinham tempo para todos, o passeio me fez muito bem. Obrigado Cali pelos bons momentos que passei quando ai te revi.

                                                                                Altino Olimpio   

    


domingo, 24 de setembro de 2017

Dispensar pensamentos





O pensamento, ele pode estar ao nosso favor ou contra nós. Diariamente é contra porque ele é uma profusão de lembranças que nos invadem a qualquer hora sem mesmo querermos. Quando queremos pensar num fato, apenas num fato específico, outros fatos diferentes, alheios ao fato que queremos pensar nos surgem como intrusos para nos distrair e nos atrapalhar. Dando guarida a eles, seguindo-os, às vezes até nos esquecemos do fato que de início quisemos refletir sobre ele. Distrair-se assim é falta de concentração. É o desperdício de a consciência perder-se em devaneios.

Acontece vivermos numa época considerando a época anterior melhor. Principalmente se ela esteve mais romântica e mais repleta de fatos que são agradáveis para relembrar. Muitas pessoas se queixam de que nestes dias as atrações agradáveis se tornaram ausentes e que as atrações existentes não são convincentes. Os presentes para elas mais são intercalados com as lembranças do passado. Se lembrarem do que e de como foram não condiz com suas situações atuais. Um sentimento de vazio parece existir nesses seus dias sem emoções. Revivendo seus passados todos se sentem como se estivessem assistindo o filme de suas vidas como se fossem os protagonistas principais. Isso lhes confere um grau de importância na vida.

Mas, a importância que alguém sente sobre si é igual às importâncias que os outros sentem também (risos). Contudo, quase todos vivem dominados pelos seus pensamentos. Aqueles que lhes aparecem na mente “sem querer” e a qualquer momento.  Segui-los é “cair” em divagações. É o mesmo que se ausentar do presente. É distrair-se da atualidade enquanto a mente divaga por onde a memória a leva, comumente para fatos já ocorridos e alheios aos momentos do presente. Dissipar os pensamentos para situar a consciência no estado presente não é fácil. Entretanto, refutá-los imediatamente um a um quando eles surgem e com isso “levado à prática diária”, com o tempo eles podem ser reduzidos a poucos ou mesmo a nenhum. Isso, pelo menos, pelos instantes quando se quer desobstruir a mente de pensamentos improducentes que só servem para preenchê-la sem ter propósitos fora dela.

Com a prática citada acima de excluir pensamentos, isso corrobora com a tranquilidade de viver. Quem já experimentou esse estado de ausência de pensamentos bem sabe da paz que tal ausência produz. Se não há pensamento não há tristeza e nem alegria, não há saudade, não há necessidade de precisar de algo para se entreter, se não há pensamento fica-se mais presente no presente. São nos presentes que temos contato com a nossa realidade, embora, eles sejam furtivos. Distrair-se nos pensamentos que são de lembranças é querer conviver com o que não mais existe.   

                                                                          Altino Olimpio

















quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O mundo e a humanidade




Existe o nosso mundo e a humanidade. O mundo é real e a humanidade é a realidade vivendo de irrealidades. Decepciona como ela se apega às incoerências. Para os seres humanos o mundo é apenas o chão pra eles pisarem. Eles com suas soberbas pensam ser especiais e que o mundo “foi criado” apenas para o desfrute deles. Seres humanos são criaturas que morrem, mas, o mundo não! Morrem mas parece que não morrem. Isso porque, como dizem, haverá um julgamento, um acerto de contas com o responsável por suas existências. Então, para ser julgado é preciso existir “de algum modo” (risos). Quanto a quem é mais importante ou real, se a humanidade desaparecer o mundo continua a existir. Mas, se o mundo desaparecer como a humanidade irá permanecer? Ela poderá permanecer na esperança de futuramente serem viáveis as viagens interplanetárias antes da terra se “desesterrar” (risos).

Várias vezes, como se sabe, já especularam datas para o fim do mundo. Todos que especularam sobre a morte do mundo já morreram (risos) e ele continua maravilhoso mesmo suportando em sua crosta os lunáticos que viviam no mundo da lua e se transferiram para cá. O mundo é quem é o dono da natureza. Os homens “não são donos de nada” e só se apropriam do que ela produz. De vez em quando ela fica zangada e parece que gosta de se vingar, provocando epidemias, tufões, tornados, terremotos e etc. Entretanto, o mundo nunca vai acabar. Ele é o palco para os homens e as mulheres representarem suas fantasias e ilusões enquanto a grande plateia que, com qualquer coisa se sugestiona, as imita para se fantasiar e se iludir também com o mesmo jeito de viver que para muitos convém.

Porém, os habitantes deste mundo evoluíram e há esperança para a terra ser um paraíso (risos). Antigamente muitos eram unânimes em dizer que as mulheres eram rivais entre si por causa dos homens como entre si viviam em disputas os homens por causa delas. Agora já se vê mulheres com mulheres e homens com homens andando de mãos dadas pela cidade, e isso é uma indicação de que parece estar no fim à rivalidade entre as mulheres e a disputa por elas entre os homens. A lei da física de quando forças diferentes se atraem e forças iguais se repelem não é mais parâmetro para os de agora, já não poucos “novos” relacionamentos humanos.
                                                                                   Altino Olimpio

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O desprendido





Lembro-me de quando ainda era criança e de quando meu avô materno veio visitar minha família lá no Bairro da Fábrica de Papel de Caieiras.  Homem simples do Sítio do Castanho pertencente ao Município de Jundiaí, ele veio caracterizado mesmo com sua simplicidade. Com camisa comum, calça com o cinto por fora dos passadores e... O mais surpreendente, ele veio descalço. Assim “apresentável”, primeiro ele embarcou num trem na Estação de Várzea Paulista (Jundiaí) da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí (Hoje, CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e ao desembarcar na Estação de Caieiras, a seguir embarcou na “Maquininha” (trenzinho) do percurso Caieiras ao Bairro da Fábrica. Nessa lembrança de criança, ainda continua na minha memória o fato de minha mãe muito ter gostado da visita de seu pai, mas, também, “nada ter gostado” de vê-lo descalço e tão à vontade como se fosse normal alguém caminhar pelas ruas sem a “proteção de couro” para os seus pés. Afinal, o que a vizinhança poderia dizer sobre ela e o pai dela? O que iriam falar sobre os pés desprotegidos dele (risos)?

Agora, mais ou menos sessenta e cinco anos depois, lembrando-me daquela visita do meu avô, não como crítica, mas, sim como elogio, o velho era um caipira autêntico, desses que não se vê mais. Nem é preciso escrever aqui que ele foi um homem despretensioso e honesto. Ele, José Anselmo do Amparo, casado com a Patrocina Rodrigues do Amparo, minha avó, ele era de poucas palavras. Vestia-se como queria e não se importava se alguém se importava com o modo dele se vestir. Hoje quando vejo muitas moças trajando calças de jeans rasgadas nos joelhos sendo a moda com que a moda se acomoda e se amolda em rasgos e desfiados, fico pensando se só o meu avô era caipira só porque a ninguém ele imitava (risos). Quanto a ele ser de poucas palavras, ele já havia aprendido o que parece que mais ninguém aprendeu: Abrir a boca e falar só quando é necessário. Nestes tempos, muitas pessoas falam, falam, falam e tanto falam mesmo que nada haja para aproveitar (risos). Naquele dia da visita do meu avô, na volta para o seu sítio eu fui com ele e lá fiquei por oito dias, mas, isto seria para contar numa outra ocasião.

                                                                                  Altino Olimpio

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

As primas Meneghini Olimpio





No ano de 1959 estive num piquenique com umas amigas da Vila Cresciuma num sítio que ficava numa entrada à direita da então “reta do vovô” da antiga Estrada Velha de Campinas, local este, entre Caieiras e a Vila da Fazendinha que pertence ao Bairro de Perus. Fomos até lá “embarcados” num velho ônibus pertencente ao (se me lembro) Diogo Alarcon que o alugou para as amigas naquele dia. O sítio era conhecido como “Sítio do Ubaldo Meneghini”. E foi quando ouvi esse nome pela primeira vez. Muito tempo depois fiquei “mais ou menos” sabendo quem foi o Senhor Ubaldo e seu parentesco com parentes meus.

Em 1972 estive presente na cerimônia de um casamento na Cidade de Mauá. Quem se casou naquele ano foi a Antonieta, filha do casal Guilherme e Rosa Olimpio, pais também do Toninho, Maria, Natalina e Aparecida. Passados quarenta e cinco anos só agora no feriado do dia sete de setembro de 2017 estando em Santo André com o Wiliam, filho da saudosa Neusa Olimpio me reencontrei com as primas Antonieta, Cida e Natalina. Como fiquei sabendo melhor, a tia Rosa faleceu meses depois do casamento da Antonieta, o Tio Guilherme faleceu um ano depois e o primo Toninho, novo ainda, faleceu aos cinquenta anos de idade de infarto. E nesse reencontro com as primas é que fiquei sabendo quem foi o Senhor Ubaldo Meneghini. Aquele que foi dono daquele sítio donde eu e as amigas estivemos para um piquenique e também onde, para fazer gracinhas para elas, puxei o rabo de um cavalo que estava lá e ele me deu um coice. Lembro-me da risadinha “amarela” que esbocei para disfarçar a dor que senti nas pernas (risos).

Ubaldo Meneghini foi o tio das minhas primas porque ele foi irmão da Tia Rosa Meneghini, a mãe delas. Como soube por elas, o avô delas e pai do Ubaldo, o Giovanni Meneghini foi quem construiu aquela famosa e mesmo saudosa ponte sobre o Rio Juquery conhecida como “ponte de madeira” do Bairro da Fábrica de Papel. O Ubaldo trabalhou na Indústria Melhoramentos de Caieiras e foi chefe de máquina de papel. A sua irmã Rosa também lá trabalhou e foi chefe da seção “Sala de Escolha” donde só trabalhavam mulheres. E, talvez, foi lá quando iniciou o namoro com o Guilherme Olimpio (nascido em 1908) que naquela época também trabalhava na fábrica de papel. Filho de Vicente e Jovina Olympio (italianos), ele tinha os irmãos Vitorio, Alberto, Ernesto, Maria, Yolanda e Antonio Olympio (o cambuquira). Outra irmã, a Anita, casada com o Senhor José Guilarduci, aos 17 anos de idade ela faleceu em 1928. Desses irmãos, hoje, só a Yolanda esposa do saudoso Nine Caldo continua viva lá em Coritiba onde mora e já se aproxima dos cem anos de idade.

No reencontro com as minhas primas também se falou dos “Massimelis” de Caieiras. Curioso perguntei porque eles também eram parentes delas. Elas disseram que uma tia delas, irmã da Rosa mãe delas e irmã do Ubaldo tio delas, a Madalena Meneghini que se casou com o Senhor Ernesto Massimeli tiveram os filhos Américo, Renato e o Raul. Por isso é que eles também foram primos das minhas primas Maria, Natalina, Cida e Antonieta. Elas também são primas da Jurema Olimpio Dela Torre, do José Olimpio (Zinho) que vivem em Caieiras. São primas também da Alice Olimpio Molo de Perus e de Walter do Amparo Olympio que mora na Lapa. Outra prima, a Lilinha mora em Coritiba. E, na tarde e na noite, isto é, das quatorze até as 21,30 horas, de um feriado de quinta-feira o dia esteve muito agradável e muito divertido na companhia das primas que há muito tempo não as via. Até me prepararam uma surpresa. Elas ouviam um programa de rádio de Caieiras de quando eu era o locutor. Elas me ouviram a falar com uma ouvinte (Yolanda da Silva) sobre aquele manjar branco que antigamente, em casa, só se comia no Natal (risos). E não é que elas prepararam um bem delicioso para mim, ou melhor, para mim e para o Wiliam? Puxa-vida! Até esqueci que era o dia do Desfile da Independência.

                                                                              Altino Olimpio