domingo, 25 de junho de 2017

A morte nunca se aposenta





Dos sessenta aos oitenta anos de idade, e mais, para qualquer pessoa às vezes lhe vem os pensamentos sobre a proximidade da morte. Voltar a “não ser nada” inquieta muito quem ama viver, quem tem apego pelos bens possuídos e pelas pessoas queridas de sua vida. Lembrar que logo e para sempre ir-se deste mundo é inevitável causa uma sensação de insegurança, desamparo, frustração por querer e não poder continuar a viver. As pessoas aproximadas dos seus fins não costumam confidenciar para seus entes queridos seus pensamentos sobre eles. Aqueles devaneios de quando elas pensam na morte enquanto pensam também em quem tanto gostam e vão ter que deixar. Tais pensamentos e os sentimentos tristes que despertam quase nunca são comunicados para quem quer que seja. Eles ficam retidos no âmago dos sentimentos compondo a privacidade deles.

Quem sempre viveu num lugar pequeno e conheceu a todos do lugar, presenciou como eu presenciei a partida de muita gente conhecida. Caieiras, município donde nasci era um encanto devido à convivência familiar e comportamento exemplar com que viviam os seus moradores. Os anos foram se passando e muitos foram morrendo. Ao se conversar com alguém sobre a rua, vila ou bairro do pequeno lugar donde eles moraram sempre surge à constatação: Todos de lá morreram e agora são saudades. Muitos de seus descendentes também. Os ainda vivos já estão com idade avançada e eles também logo... Inclusive eu. Quando se é informado que mais um descendente conterrâneo morreu, os outros ficam com “uma pulga atrás da orelha” (risos) ao pensar se não serão os próximos escolhidos para deixarem este mundo, pois, eles até brincam dizendo que já estão na fila para serem retirados daqui (risos).  

É na idade avançada que nós refletimos mais sobre a vida. Lembramos de tudo o que quisemos ser e ter. Quantas ilusões.  Tivemos a vida para ser vivida e muitas vezes até esquecemos-nos dela pelo “querer ter para melhor poder ser”. Na velhice quando mais nos lembramos de viver a vida e ainda queremos continuar a viver, nossos corpos já corroídos pelo tempo até nos tornam indiferentes com aqueles “nosso ter e nosso ser” na vida. “Um ancião é uma grande árvore que já não tendo nem frutos nem folhas, ainda está presa a terra” (Voltaire). Os velhos quando mais ficam restritos dentro de suas casas é porque já estão esperando a morte. Por todo o sempre a “morte sempre vive” entre nós para nos aterrorizar. Ela é responsável pela limpeza da humanidade (risos) e ninguém consegue escapar dela. E você leitor, presume que ainda falta muito tempo para ser varrido por ela (risos).

                                                                                          Altino Olimpio



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Palanques das ilusões





Ao ouvir uma música da cantora brasileira Fafá de Belém “me vi no passado” quando ela estando num palanque, com toda emoção cantou o nosso Hino Nacional. Foi na época (1983) em que políticos e muitos brasileiros, estiveram reunidos num movimento contra o governo militar conhecido como “diretas já”. Tal movimento foi para requerer a volta da democracia com eleição direta, votação popular para presidente. Eleição direta não houve porque em 1984 a eleição para presidente foi indireta vencida pelo então Tancredo Neves, um civil que morreu antes de assumir a presidência. Naquela época o povo descontente com o governo militar esteve exigindo o retorno da democracia, na esperança que ela fosse a “salvação” para o Brasil melhor ser governado, ser mais bem administrado.

A primeira das eleições diretas depois do regime militar foi em 1989. Continuaram assim, “democraticamente” até 2014. Quem ainda se lembra daquela época do governo militar e do posterior regime democrático pode fazer comparações sobre os dois regimes. Em qual dos dois a corrupção teve avanços inimagináveis? Em qual dos dois o povo teve mais liberdade no ir e vir? Qual dos dois regimes sofreu o escândalo de ter no governo seus membros cúmplices com assaltantes do erário? Qual dos dois regimes criou mais impostos para o povo? Qual dos dois regimes facilitou mais a perversidade de termos no poder membros que no passado praticaram crimes? Qual dos dois regimes mais permitiu o existir da quantidade absurda de partidos políticos e etc.? Por que será que hoje tem muita gente desejando intervenção militar?  Eu gostaria de saber (risos).

Nunca se sabe do futuro, isto é, nunca se sabe se um ato pensado ser bom praticado numa época (diretas já) não venha depois em outra época ser utilizado para favorecer os “fora da lei”, àqueles envolvidos em política que encontraram facilidade na democracia para cometerem seus crimes de lesar a pátria. Voltando na lembrança daquela cantora simpática e sempre risonha e com emoção cantando no palanque o Hino Nacional do Brasil para milhões de pessoas, me veio na imaginação o hino agradando também aos comunistas que estavam exilados e retornaram para consolidar a nossa democracia (risos). Por “falar” em palanques, no passado eles foram muito utilizados para comícios. Muitas vezes eles suportaram o peso de servir para os propósitos de homens compromissados com as verdades, com a honestidade e com a missão de promover benefícios para a sociedade. Não poucas vezes foram sós promessas e os palanques serviam de palco para parte do povo se entreter com as ilusões de melhorias. Antiquados, eles desapareceram para a mídia prevalecer substituindo-os, ela sim, sendo a maior promotora de ilusões.

                                                                                    Altino Olimpio


                                                                         

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A solidão bem-vinda





Nesta época e no progresso mental e espiritual “a que nunca chegou” à humanidade, parece que ela aprimorou a sua miséria intelectual. O homem, essa criatura complexa sempre tende a complicar e abusar das normas consideradas corretas de se viver em sociedade. A política é vítima de tantas distorções, e elas produzem o caos no país e seu povo é quem sofre as consequências. Na “arte” as aberrações dominam. Nos programas de televisão a imoralidade parece conquistar mais a audiência. Já disseram que as músicas refletem o nível mental do povo nas épocas em que elas são compostas. Pelas autorias das músicas e de seus ritmos desta época em que muitos a adotam, então, dá pra perceber um retrocesso para a falta de gosto. Hoje as pessoas se tornam confusas com tanta divulgação sobre fatos que não lhes interessam e só aborrecem. Pela internet muitos expõem seus indisfarçáveis vazios existenciais e o pior, a hipocrisia reina nos agradinhos e elogios entre pessoas carentes de notabilidade. Já se dizia que tudo “está um angu de caroço”, isso, para indicar como está a “evolução” do povo.

Conforme a situação exposta acima, convenhamos, está cada vez mais difícil o relacionamento entre as pessoas. Muitas foram invadidas por tantos “mesmismos” que, por antecedência já se adivinha sobre o que elas querem conversar. Entretanto, existe uma vantagem nisso. Pra quem gosta e tem tempo disponível, com elas se pode jogar muita conversa fora. Talvez seja por causa da idade, mas, quando estou com outros ouvindo suas “conversas tão importantes” (mas só pra eles) sinto muita saudade de quando fico isolado na solidão. E a solidão é o reencontro do homem com ele mesmo. Na solidão nós somos nós mesmos e podemos “ouvir” os próprios pensamentos e não os dos outros. Na solidão não precisamos daquela “máscara” feita pela expressão facial (ás vezes até sorridente) que se usa diante de outros para disfarçar o nosso desprazer pelos seus assuntos triviais, banais. Para aqueles que a solidão é sofrimento, a culpa pode ser deles mesmos ao se julgarem superiores aos demais por querê-los distantes. Solidão não é sofrimento quando ela é opcional. Ela é bem-vinda quando se quer ter momentos próprios com pensamentos próprios e sem interrupções. Mas, ela não é para qualquer um. Não é para aqueles que não se gostam e sozinhos não se suportam (risos).

                                                                                    Altino Olimpio

terça-feira, 20 de junho de 2017

Transformações psicológicas





Tudo o que nós fomos e nós somos está dentro de nós. O que nós fomos, o que vivemos (fatos de nossas vidas) não é alterado. Continua na memória conforme ocorreu no passado. São lembranças de fatos até com imagens do que nos ocorreu outrora. O que nos ficou gravado permanece como quando ocorreu e não se altera. Isso se chama passado. O que “somos” é que tem se alterado conforme novas experiências da vida foram se acrescentado ao nosso viver. Quando jovens éramos ingênuos e sem experiências. Com o passar do tempo fomos nos modificando com novas experiências, estudos, profissão, trabalho, percalços no viver, perdas ou ganhos, casamento e etc. e assim nos tornamos adultos. Deixamos de ser aquele “nós somos” da mocidade, para sermos aquele “nós somos” de agora como adultos.

As épocas de festividades do Natal eram fatos do que “fomos” que não se altera, continuam firme na memória. Lembro-me bem daquele enfeitar da “Árvore de Natal” para o Dia de Natal (risos). As árvores para tais ocasiões eram originais e não artificiais como as comercializadas de agora. Muitas bolas coloridas de vidro, outros enfeites e até bombons eram amarrados nos galhos da árvore ficando-lhes pendentes, brilhando e se destacando da cor verde dela. Tudo era para aguardar a vinda do Papai Noel com seus presentes, principalmente para as crianças da casa donde a árvore fora enfeitada. Passado o Dia de Natal, só depois do Dia de Reis, dia seis de janeiro, a árvore poderia ser “desmontada”. Os enfeites ficavam guardados para o ano seguinte e a árvore... Coitada, ia pro lixo e desaparecia para sempre.

Os homens quando adultos se arvoram como sendo realistas, não mais sendo ingênuos como ingênuas são as crianças. Eles deixaram de acreditar em contos de fadas, em sereias, e também no Papai Noel inventado por eles mesmos para enganar as crianças. Mas, como uma árvore para o Dia de Natal precisa de enfeites, eles também precisam de enfeites para viver. Não lhes basta viver a vida sem ter acessórios. Enfeitam-se psicologicamente com o que podem para suas vidas não serem vazias e sem objetivos. “Enfeitam-se” com evolução mental e espiritual, com religião, com filosofia, com espiritismo, com esoterismo e etc. Nas suas mortes, tudo isso, psicológico como é, talvez, só continue por aqui neste mundo na mentalidade humana, igual aos enfeites de árvore de Natal que permanecem existindo e os homens desaparecem como desaparecem as árvores do Natal. Tais acessórios se acompanham os homens em seus desaparecimentos é “garantido” pela credulidade de cada um. Eles fazem parte do que “nós somos” agora, diferentes do que “nós fomos” outrora.

                                                                                       Altino Olimpio



  

   

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Desilusão



Como nestes tempos
É triste ser brasileiro
Vendo o meu país
Cheio de trambiqueiros
Nossos políticos então
Muitos são tão sem graça
Que mais são a desgraça
Para esta nossa nação
Tendo político tão ladrão
Muitos estão numa lista
Considerados comunistas
Enganam até a família
Dizendo ser da democracia
Tantos são tão astutos
Para serem tão corruptos
Nunca sentem vergonha
Por viverem de barganha
E como são traidores
De tantos de seus eleitores
Já nem sei se são minoria
Que não sejam da maioria
Se às vezes são delatados
Por serem mesmo safados
Nem sempre são cassados
Podem até ficarem presos
Não mais se fica surpreso
Se algum juiz considerá-los
Inocentes para solta-los
A mídia aponta os deslizes
Praticados por alguns juízes
Quando os julga errados
Tendo-os como desajuizados
Já falaram que em absolvição
Alguns violam a constituição
O enganado sempre é o povo
Sempre ele é que é o bobo
Aqui não é mais aconchego
É a crise do desemprego
Pra milhões é só desespero
Culpa de governo traiçoeiro
O Brasil parece estar perdido
Pelo existir de tanto bandido
Piores são aqueles de terno
Parece que vieram do inferno
Sempre estão de gravata
Para exteriorizarem bravatas
Algumas mulheres do Senado
Às vezes com humor enfezado
Protegem com muita emoção
Quem já devia estar na prisão
Que vergonha para o Estado
Os empresários safados
Compram até deputados
E isso já foi comprovado
Conforme já foi divulgado
Tudo estaria para se discordar
Se algum dia o povo acordar
Com mais força para reclamar
O Brasil para sair dos atoleiros
É preciso convocar brasileiros
Que sejam honestos e decentes
E impedir ladrões presidentes
Sempre reclamar é uma batalha
Para se livrar dos canalhas
O que até agora tem acontecido
Para o povo é imerecido
E ele muito se sente traído
Ele vive agora desiludido
De ter acreditado em partidos
Partidos políticos repartidos
No absurdo de serem abundantes
Por isso nos são decepcionantes
Parece que representam o papel
De uma moderna Torre de Babel
Já os assisti pela TV do Senado
E pela da Câmara dos deputados
Felizmente por lá têm coerentes
Mas nem todos os expoentes
Preocupam-se com as verdades
O que exibem são suas vaidades

Altino Olimpio







  










quinta-feira, 15 de junho de 2017

Em Brasília vivem os donos do Brasil



Às vezes parece que um bem aprecia bem um mal. As empresas de seguro de vida, seguro contra roubos e etc. fornecem indenização contra danos de propriedades. Então, talvez, elas até simpatizem e muito, com os bandidos que roubam automóveis, porque sem esses “benfeitores” delas, elas seriam desnecessárias para “proteger indenizatoriamente” os donos de veículos roubados. O seguro contra roubo é o bem e o roubo de automóvel é o mal necessário (risos) Isto é um exemplo do bem precisando do mal para melhor poder existir. Agora ao contrário, muitas vezes o mal para poder existir é que precisa do bem quando o bem é bem trouxa. Aqui o “mal” é perfeitamente representado pelos políticos que são comprovadamente bandidos e corruptos e parece que não são poucos, e o “bem”, ainda bem, é representado aqui como sendo os eleitores que por bem elegem muito bem seus maus candidatos. Se o povo que vota em bandido e corrupto fosse pra cadeia (risos e mais risos) este país seria mais decente sem eleitores ingênuos e inconsequentes. “Diga-me em quem vota que direi como tu és”.

Já nos divertimos com o bem e com mal, mas, agora vamos nos emocionar com o que é bom e é verdade (até parece rsrsrs). Neste nosso país não existe “profissão política”. Política como profissão é quando o político sempre quer se reeleger para ser “empregado” do governo até morrer. Felizmente no Brasil não é assim. Aqui um político cumpre os anos de seu mandato, cumpre sua nobre missão e não tenta se reeleger. Presidentes também não tentam. Os políticos quando ainda em seus mandatos, eles sabem que muitos brasileiros têm os mesmos direitos de substituí-los sendo mesmo até mais capacitados do que eles. Aqui é muito raro se saber que políticos fiquem por muitos e muitos anos ocupando cargos que poderiam ser preenchidas por outros mais jovens que ainda não estão caducos. Mas, para as eleições nos existem problemas. Todos os candidatos são desconhecidos e nunca cumpriram mandatos. Isso dificulta saber em quem se vota. Isso é culpa dos já muito e por demais conhecidos que, em nome da honra, em nome da ética e pelo manter da reputação não se recandidatam. Isso é muito triste para quem os tinha como ídolos. Acreditem se quiserem, pois, ainda temos quem critica nossos políticos (coitados). Às vezes até são enxotados de locais públicos donde se encontram. Criticar partidas de futebol, tudo bem, mas, que se saibam, os juízes de futebol são os melhores, são os mais honestos e imparciais juízes que nós temos e eles não se corrompem facilmente como outros possam se corromper.

                                                                                        Altino Olimpio




quarta-feira, 7 de junho de 2017

Fraqueza mental humana






O advento do computador com seus programas instalados e pelo adquirir deles pelo público em geral esteve a facilitar o entender de como todos os seres humanos também são sujeitos a serem programados, isto é, serem condicionados desde que nascem. Vivendo inconscientes de seus condicionamentos, de suas “programações” o homem sempre vive sob a obediência deles sem saber. Em tudo o que ele faz e mesmo em tudo o que pensa, o homem é um reflexo de sua consciência que, nada mais ela é do que a sua programação ou seu condicionamento. Seu refletir sobre qualquer fato é ligado a sua memória. Ela é o acúmulo de suas experiências vividas donde ele retira argumentações para as suas conclusões mentais. Suas deduções são conforme sejam as programações a que ele foi exposto no decorrer de sua existência para formar a sua consciência.

Nisso explica-se uma das principais causas da desigualdade humana. Programações diferentes podem resultar em diferentes compreensões sobre quaisquer fatos que concorram para a opinião pública se manifestar sobre eles. A programação ou condicionamento (aprendizado) a que todos estão sujeitos se inicia quando ainda se é criança e no seio da família. Continua na escola, no trabalho, na religião e etc. Deus é o maior condicionamento que existe. Todo o mundo o tem em seus pensamentos. A Mídia seja impressa, irradiada ou televisionada tem muito poder condicionante. Desde sempre, como e quando quiser, ela tem o poder de programar a mente de multidões com sua “formação de opinião”, seja contrária ou a favor sobre qualquer fato que ela deseja interferir e influenciar.

Outro meio eficaz que condiciona ou programa a mente é a leitura de livros. Um dos que mais influenciou (condicionou ou programou) a humanidade foi a Bíblia. Citando Karl Max, considerado o pai do comunismo, com suas idéias reformistas e revolucionárias inscritas em seus livros, também ele foi responsável pelo condicionamento de milhões de pessoas ao redor do mundo tornando-as contra sistemas de governo, principalmente contra a democracia. Quanto a serem programados ou condicionados por quaisquer influências transmitidas, sejam elas sobre política, sobre consumismo, sobre religião, sobre moda e etc. muitos são facilmente influenciados porque lhes falta o discernimento, a cultura e o raciocínio “para recusarem o que lhes seja inconveniente ou inútil”. Resumindo, a fraqueza mental ou intelectual de um povo facilita muito o domínio sobre ele, o adaptar dele sobre as exigências prejudiciais “legais” que lhes são instituídas pelos poderes governamentais do país donde impera a indiferença pelo bem ou mal estar do seu povo.

                                                                                             Altino Olimpio